“Gente boa vai para Brasília e se torna ladrão. Deve ser a água.” (Pócrates)
domingo, 7 de janeiro de 2018
Por que não sou Cristão: um exame da ideia divina e do cristianismo Bertrand Russell- O argumento teleológico (argumento do design)
O argumento teleológico (argumento do design)
O passo seguinte nos conduz ao argumento da prova teleológica da existência de Deus. Vós todos conheceis tal argumento: tudo no mundo é feito justamente de modo a que possamos nele viver, e se ele fosse, algum dia, um pouco diferente, não conseguiríamos viver nele. Eis aí o argumento da prova teleológica de Deus. Toma ele, às vezes, uma forma um tanto curiosa; afirma-se, por exemplo, que as lebres têm rabos brancos a fim de que possam ser facilmente atingidas por um tiro. Não sei o que as lebres pensariam deste destino. É um argumento fácil de se parodiar. Todos vós conheceis a observação de Voltaire, de que o nariz foi, evidentemente, destinado ao uso dos óculos. Essa espécie de gracejo acabou por não estar tão fora do alvo como poderia ter parecido no século XVIII, pois que, desde o tempo de Darwin, compreendemos muito melhor por que os seres vivos são adaptados ao meio em que vivem. Não é o seu meio que se foi ajustando aos mesmos, mas eles é que foram se ajustando ao meio, e isso é que constitui a base da adaptação. Não há nisso prova alguma de desígnio divino.
Quando se chega a analisar o argumento teleológico da prova da existência de Deus, é sumamente surpreendente que as pessoas possam acreditar que este mundo, com todas as coisas que nele existem, como todos os seus defeitos, deva ser o melhor mundo que a onipotência e a onisciência tenham podido produzir em milhões de anos. Realmente não posso acreditar nisso. Achais, acaso, que, se vos fossem concedidas onipotência e onisciência, além de milhões de anos para que pudésseis aperfeiçoar o vosso mundo, não teríeis podido produzir nada melhor do que a Ku-Klux-Klan ou os fascistas? Realmente, não me impressiono muito com as pessoas que dizem: “Olhem para mim: sou um produto tão esplêndido que deve haver um desígnio no universo”. Não estou muito impressionado pelo esplendor dessas pessoas. Ademais, se aceitais as leis ordinárias da ciência, tereis de supor que não só a vida humana como a vida em geral neste planeta se extinguirão em seu devido curso: isso constitui uma fase da decadência do sistema solar. Em certa fase de decadência, teremos a espécie de condições de temperatura, etc., adequadas ao protoplasma, e haverá vida, durante breve tempo, na vida do sistema solar. Podeis ver na Lua a espécie de coisa a que a Terra tende: algo morto, frio e inanimado.
Dizem-me que tal opinião é depressiva e, às vezes, há pessoas que nos confessam que, se acreditassem nisso, não poderiam continuar vivendo. Não acrediteis nisso, pois que não passa de tolice. Na verdade, ninguém se preocupa muito com o que irá acontecer daqui a milhões de anos. Mesmo que pensem que estão se preocupando muito com isso, não estão, na realidade, fazendo outra coisa senão enganar a si próprias. Estão preocupadas com algo muito mais mundano — talvez mesmo com a sua má digestão. Na verdade, ninguém se torna realmente infeliz ante a ideia de algo que irá acontecer a este mundo daqui a milhões e milhões de anos. Por conseguinte, embora seja melancólico supor-se que a vida irá se extinguir (suponho, ao menos, que se possa dizer tal coisa, embora, às vezes, quando observo o que as pessoas fazem de suas vidas, isso me pareça quase um consolo) isso não é coisa que torne a vida miserável. Faz apenas com que a gente volte a atenção para outras coisas.
Por que não sou Cristão: um exame da ideia divina e do cristianismo-Bertrand Russell- O QUE É UM CRISTÃO
Que é um cristão?
Hoje em dia não é bem assim. Tem-se de ser um pouco mais vago quanto ao
sentido de cristianismo. Penso, porém, que há dois itens diferentes e
essenciais para que alguém se intitule cristão. O primeiro é de natureza
dogmática — a saber, que tem-se de acreditar em Deus e na imortalidade. Se não
se acredita nessas duas coisas, não penso que alguém possa chamar-se,
apropriadamente, cristão. Além disso, como o próprio nome o indica, deve-se ter
alguma espécie de crença acerca de Cristo. Os maometanos, por exemplo, também
acreditam em Deus e na imortalidade, no entanto, dificilmente poderiam
chamar-se cristãos. Acho que se precisa ter, no mínimo, a crença de que Cristo
era, se não divino, pelo menos o melhor e o mais sábio dos homens. Se não
tiverdes ao menos essa crença quanto ao Cristo, não creio que tenhais qualquer
direito de intitular-vos cristãos. Existe, naturalmente, um outro sentido, que
poderá ser encontrado no Whitaker’s Almanack e em livros de geografia, nos
quais se diz que a população do mundo se divide em cristãos, maometanos,
adoradores de fetiches e assim por diante — e, nesse sentido, somos todos
cristãos. Os livros de geografia incluem-nos todos, mas isso num sentido
puramente geográfico, que, parece-me, podemos ignorar. Por conseguinte, julgo
que, ao dizer-vos que não sou cristão, tenho de contar-vos duas coisas
diferentes: primeiro, por que motivo não acredito em Deus e na imortalidade e,
segundo, por que não acho que Cristo foi o melhor e o mais sábio dos homens,
embora eu lhe conceda um grau muito elevado de bondade moral.
Mas, devido aos esforços bem-sucedidos dos incrédulos no passado, não
poderia valer-me de uma definição de cristianismo tão elástica como essa. Como
disse antes, antigamente ela possuía um sentido muito mais vigoroso. Incluía,
por exemplo, a crença no inferno. A crença no fogo eterno do inferno era
cláusula essencial da fé cristã até tempos bastante recentes. Neste país, como
sabeis, deixou de ser item essencial devido a uma decisão do Conselho Privado
e, por causa dessa decisão, houve uma dissensão entre o Arcebispo de Cantuária
e o Arcebispo de York — mas, neste país, a nossa religião é estabelecida por
ato do Parlamento e, por conseguinte, o Conselho Privado pôde sobrepor-se a
Suas Excelências Reverendíssimas e o inferno deixou de ser coisa necessária a
um cristão. Não insistirei, portanto, em que um cristão deva acreditar no
inferno.
Bertrand Russell
REIZINHO
“Quase toda cidade pequena tem o seu reizinho. E sejamos sinceros: são poucos os que valem um níquel”. (Eriatlov)
INÍCIO
“O mau político não cai do céu. Começa pequenino lá atrás, quase sempre seu início é na vereança.” (Eriatlov)
GENTILEZA
“A gentileza deve ser usada para os bons e pacíficos. Para os brutos e maus o melhor bom dia é o cassetete.” (Eriatlov)
IRONIA
“Caso o Brasil não fosse um país sério aqui veríamos políticos ladrões candidatos a novos cargos e ainda falando do rabo dos outros”. (Eriatlov)
A GRANDE MANADA
Uma grande manada de estúpidos, observe. São porcos nas praias e outros lugares públicos; bandidos nas estradas; desrespeitam seus vizinhos fazendo baderna a qualquer hora; estudam apenas o suficiente para conseguir uma boca estatal; votam com o bolso e se acham espertos. Não é por nada que estamos num barco sem rumo e atordoados.
FINDO OS SONHOS
“A desgraça de um ser é morrer ainda estando vivo. Findo os sonhos só resta passar os dias olhando para o relógio.” (Assombração)
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