Muita coisa não é de domínio público, muitos acontecimentos permanecem ainda no limbo. Conto que na história da humanidade certa vez Uns e Outros se uniram com Beltranos e Sicranos para fazer guerra contra os Coisas Nenhumas e a tribo dos Pouca Bosta. Após muitas escaramuças mataram-se todos e no planeta só restaram os Encardidos e os Desgraçados. Após duas décadas de paz eles também entraram em litígio e feneceram, deixando cidades e campos para Vermes e Baratas que até o presente ainda vivem em paz, ainda, pois os inseticidas e outros exterminadores já estão de olho.
sábado, 27 de janeiro de 2018
ESCARAMUÇAS
Muita coisa não é de domínio público, muitos acontecimentos permanecem ainda no limbo. Conto que na história da humanidade certa vez Uns e Outros se uniram com Beltranos e Sicranos para fazer guerra contra os Coisas Nenhumas e a tribo dos Pouca Bosta. Após muitas escaramuças mataram-se todos e no planeta só restaram os Encardidos e os Desgraçados. Após duas décadas de paz eles também entraram em litígio e feneceram, deixando cidades e campos para Vermes e Baratas que até o presente ainda vivem em paz, ainda, pois os inseticidas e outros exterminadores já estão de olho.
CAÇADOR
Ronaldo foi caçar na África pois seu sonho era comer carne de antílope. O azar dele foi cruzar antes com um leão que sonhava comer carne humana.
DEUS MILHO
O milharal se perdia no horizonte. Milho, deus milho adorado, o amarelo milho da verdade infernal, divino para tontos de todos os calibres. Os jovens adoradores saíram fazendo sacrifícios infames para o deus Milho, que queria sangue para crescer. Sacrifícios foram feitos, a colheita foi boa e os seguidores saíram impunes. Mas o deus Milho não teve tanta sorte como os demais. Foi pego por uma máquina e virou fubá. Pereceu como polenta na mesa de um italiano de muito apetite, rodeado por queijos e salames diversos.
O REINADO DAS LESMAS
Naquele tempo as lesmas dominavam o mundo. O homem estava extinto e somente seres rastejantes habitavam o planeta. Elas escravizaram os besouros e fizeram deles seu meio de transporte. As lesmas ricas tinham suas próprias plantações de alface e de outras guloseimas verdes. Os gastrópodes alcançarem um patamar na escala social nunca visto na história da humanidade, seguidas de perto pelas taturanas venenosas. Viviam numa fartura nunca vista e riam da vida miserável que levavam escorpiões, cobras e aranhas. Porém nem tudo é perfeito e no centésimo ano do reinado dos moluscos Stylommatophora, a desgraça atacou a todos. Naquela tarde primeiramente o céu ficou vermelho, depois nuvens verdes e roxas cobriram o firmamento. Finalmente uma chuva de sal que durou dez dias pôs fim ao império das repugnantes.
ILVANIA ILVANETE
A hipócrita Ilvania Ilvanete passou a vomitar vermes monstruosos todos os dias. Remédios caseiros não resolveram. Assustada foi então ao especialista para uma solução. Exames feitos o médico deu o resultado: “Tudo certo Ilvania Ilvanete, você vomita vermes porque os vermes estão em ti. Fazem parte do teu ser, da essência do teu corpo e caráter.” Então, tudo normal.
SOPA DE LETRINHAS
Nestor, sujeito mala, politicamente correto, foi tomar uma sopa de letrinhas. Blábláblá interminável. Perdigotos atiravam-se solenes sobre a mesa. Até que as letrinhas não suportaram o papo e as ideias do babão e revoltadas formaram dentro do prato uma corriqueira expressão nacional: “ Calado! Vá tomar nas pregas!”
FÓSFOROS
Naquela minúscula caixa havia um fósforo meio depressivo, sem cabeça. Não conversava com ninguém, abatido, triste, um inútil. Numa fria manhã ele surtou. Riscou um irmão contra o outro até a caixa explodir num fogo só. Não sobrou ninguém, até o esmalte da tampa do fogão ficou marcado. Uma vez mais ficou provado que quem não tem cabeça age por impulso e queima até mesmo os seus irmãos.
QUEIMADO
Irado como nunca Nicanor olhou para ele com todo o desprezo do mundo. Cuspiu e sapateou em cima dele com os sapatos sujos de barro. Humilhou-o dizendo que não servia para nada, um inútil. Jogou-o na churrasqueira, deu-lhe um banho de gasolina e riscou um fósforo. Foi abraçado pelas chamas e rapidamente desapareceu, virou cinzas. Tão importante e mal utilizado de quatro em quatro anos, da família dos vilipendiados pelos políticos e também por eleitores, assim morreu em nosso país mais um título de eleitor.
NA FRUTEIRA
NA
FRUTEIRA
-
Você é um mamão?
-Não,
não sou mamão.
-Não
é mamão?
-Não.
Sou melão.
-Nunca
ouvi falar.
-E
você o que é?
-Banana
caturra.
-Nunca
ouvi falar.
-Sou
artista, eu canto.
-Eu
também. Canto até em espanhol.
-El
dia que me quieras?
-Sim.
-Vamos
cantar em dupla?
-Vamos!...
Acaricia
mi ensueño
El
suave murmullo
De
tu suspirar.
Como
ríe la vida...
Nisso
se intromete na conversa o abacate.
-Vocês
podem ficar quietos, estou tentando dormir.
-Dormir
agora durante o dia?- pergunta o melão.
-Sim,
ainda estou verde, preciso amadurecer.
Nisso
uma distinta senhora passa pela fruteira e leva os dois artistas para sua casa,
alegrando por hora o verde abacate que cochila entre macias palhas.
RACIOCINE
Busque
a clareza no pensar
Porque
não há fantasmas na estrada
Tampouco
existem demônios nela
Salvo
aqueles que estão nos púlpitos
Lavando
mentes
Prometendo
que dor e miséria garantem o paraíso
Ou que
o mal ronda quem fechar a mão para o dízimo.
DELÍRIOS
Homens nos chiqueiros lambuzados de esterco
Mulheres de quatro no pasto e abocanhando grama
Vacas nos telhados tendo gatos sobre suas
costas catando carrapatos
No boteco cachorros bebem pinga e jogam baralho fazendo
algazarra
Andorinhas tomam banho de piscina usando biquínis
coloridos
Papai Noel tem as orelhas de um coelho
O pobre diabo e a falta da malvada alucina
É o começo do fim
Delirium tremens.
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