Questões como reforma política, combate ao crack, ao crime, à corrupção e aceleração do crescimento viraram ficção. A boa-vontade em receber um discurso novo, de governo novo, como prometido na campanha, se desmanchou à medida em que o discurso ía sendo pronunciado. Houve até um certo plágio da carta-testamento de Getúlio, quando defende a Petrobras e fala em “predadores internos e inimigos externos”. Nos direitos trabalhistas, garantiu “nenhum direito a menos”- três dias depois de ter endurecido prazos para receber seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-doença, abono e seguro-pescador.
Mas afirmou que somos “líderes no mundo em política social”. Para ela, mais adiantados que Suécia, Dinamarca, Noruega, Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Uruguai e mais dezenas de países. Como brasileiro é de profissão esperança, ainda restou o Brasil Pátria Educadora, como prioridade das prioridades. Será que agora teremos uma revolução no ensino, como fez a Argentina há um século e meio? Espero que não seja estado educador, porque educador é o pai e a mãe. O estado ensina. O estado educar e formar em ética e cidadania é próprio dos regimes totalitários.
A presidente despertou um fio de esperança ao citar como primeira condição para a retomada do crescimento um ajuste nas contas públicas. Para isso, a equipe econômica precisa de autonomia para fazer o doloroso necessário. Mas no dia seguinte, a presidente passou uma reprimenda no ministro do Planejamento, mostrando que o mandato que se inicia pode ser apenas mais do mesmo. Não houve no discurso nenhuma manifestação de arrependimento, nenhum reconhecimento de falhas e erros; ao contrário, ela mostrou, como Alice, estar no País das Maravilhas. E, no entanto, os fatos desmentes as palavras. Palavras vãs. Vana verba - como diz a sabedoria latina. Por coincidência, o nome completo de quem pronunciou a peça propagandística de 43 minutos é Dilma Vana Rousseff.
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