Insônia. Passava da
meia-noite quando Antenor foi à sacada do seu apartamento que ficava no oitavo
andar para fumar. A esposa dormia. Sentou-se, acendeu um cigarro e ficou
ouvindo o murmúrio noturno da cidade. Algumas frenagens, buzinas e sirenes,
sons da madrugada na cidade grande. Enquanto observava a fumaça se dissipando
no ar pensava na vida. Já completara 53 anos em boa forma, a vida familiar era
harmoniosa, a loja de peças permitia uma vida digna, o filho Rafael de 15 anos
tinha boa saúde, bom aluno e não incomodava os pais. O que estaria faltando? O
que lhe tirava o sono? Dívidas e inimigos sérios não faziam parte do seu mundo.
Ficou remoendo dentro do cérebro perguntas e mais perguntas tentando obter
respostas. Fumou mais um cigarro, voltou para seu quarto, acordou a mulher que
bem dormia e perguntou: “Amor, você também tem medo da velhice?”
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
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