Tião Margarina, 19, tinha coceira no dedo indicador
e coçava o indicador puxando o gatilho e tirando vidas em assaltos na Grande
São Paulo. Ruim que só, não gostava de estudar e tampouco de trabalhar. Astuto,
trocava de vila quando sentia a presença da polícia. Nunca fora preso, ainda
virgem de celas. Foi assim sua vida criminosa até o dia que resolveu assaltar o
Deoclécio Mãozinha de Escavadeira que embarcava no seu automóvel Corsa no
estacionamento do Supermercado Ariel.
Deoclésio percebeu o malandro chegando e suas intenções, arrancou a
porta do automóvel e com ela se defendeu do primeiro tiro jogando ela contra o
bandido; em seguida mandou ver sua pequena mão na fuça do Margarina que rolou
mais que pneu descendo ladeira. A cada tabefe que recebia suas orelhas trocavam
de lugar e o sangue jorrava do nariz. Surra dada, Deoclésio pegou a porta do
Corsa e esmagou as duas mãos do safado. Gritou ainda nos ouvidos dele: “ Tiros
safado, agora só com a bunda!”
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