quinta-feira, 25 de maio de 2017

H. L .MENCKEN - INTERMEZZO SOBRE A MONOGAMIA

O predomínio do casamento monogâmico no reino de Cristo é comumente atribuído a considerações éticas. Isto é tão absurdo quanto atribuir à guerras a mesma consideração. A simples verdade é a de que tais considerações não passam de deduções extraídas da experiência e são rapidamente abandonadas quando a experiência se volta contra elas. No presente caso, a experiência ainda está abundantemente a favor da monogamia; os homens civilizados a preferem, porque acham que a monogamia funciona. E por que funciona? Porque é o mais eficiente de todos os antídotos disponíveis aos alarmes e terrores da paixão. A monogamia, em suma, mata a paixão – e a paixão é o mais perigoso de todos os inimigos da suposta civilização, a qual é baseada na ordem, no decoro, na repressão, na formalidade, no trabalho e na disciplina. O homem civilizado – o homem civilizado ideal – é aquele que nunca sacrifica a segurança dos seus por paixões particulares. Ele chega à perfeição quando deixa de amar apaixonadamente – quando reduz a mais profunda de suas experiências instintivas, do nível do êxtase para o nível de um mero estratagema para municiar exércitos ou construir fábricas, mandar reformar suas roupas, reduzir a mortalidade infantil, arranjar mais inquilinos para cada senhoria ou informar a polícia sobre o que qualquer cidadão pode estar fazendo de dia ou de noite. A monogamia consegue tudo isto ao destruir o apetite. 

Ela força as duas partes contratantes a uma intimidade tão persistente quanto não atenuada; estão sempre firmemente de acordo em muitos pontos. Pouco apouco, o mistério do relacionamento se evapora e o homem e a mulher atingem aquele ponto assexuado de irmão e irmã. Portanto, aquele maximum de tentação de que fala George Bernard Shaw já contém em si as raízes da sua própria decadência. Todo marido começa por beijar uma garota bonita (sua esposa) e termina maquiavelicamente evitando beijar aquela com quem ele partilha diariamente as refeições, os livros, as toalhas de banho, a carteira, os parentes, as ambições, os segredos, as doenças e os negócios – um procedimento tão romântico quanto o de mandar que lhe engraxem os sapatos. Nem mesmo o inato sentimentalismo do homem consegue superar o desgosto e a chatice disso tudo. E nem mesmo a capacidade histriônica da mulher pode ver nisto qualquer sombra de volúpia ou espontaneidade. Os defensores da monogamia, iludidos pelos seus reflexos morais, deixam de usufruir todas as vantagens que há nela. Considere, por exemplo, a importância moral de preservar a virtude dos não-casados – ou seja, daqueles ainda capazes de se apaixonar. 

O atual plano para se lidar com, digamos, um jovem de vinte anos é cercá-lo de espantalhos e proibições – para tentar convencê-lo logicamente de que a paixão é perigosa. Isto é um abuso e uma imbecilidade – abuso, porque ele próprio já sabe que ela é perigosa; e imbecilidade, porque é impossível sufocar uma paixão lutando contra ela. A maneira de matá-la é dar-lhe corda sob condições desfavoráveis e desanimadores -- para verga-la ao chão, pouco a pouco, até reduzi-la a um absurdo ou horror. Muito mais ainda poderia ser conseguido se fosse proibida a poligamia a estes jovens antes do casamento, mas permitida a monogamia. A proibição, neste último caso, seria relativamente fácil de impor, ao invés de impossível, como no outro. A curiosidade ficaria satisfeita; a natureza sairia da jaula; mesmo o romance teria a sua chance, 99% dos jovens se submeteriam, mesmo porque seria mais fácil submeter-se do que resistir a ela. E o resultado? Obviamente seria louvável – isto é, aceitando-se a atual definição de louvável. O resultado final, seis meses depois, seria um jovem desiludido e no cabresto, tão desprovido de paixão quanto um velho de oitenta anos – em suma, o cidadão ideal do reino de Cristo. 

1921

A PEDRA

Havia uma grande pedra no alto do morro que dava a impressão que logo iria cair. Um especialista foi chamado e disse: “não há perigo, está firme, não cai, eu garanto!” Nisso uma mosca pousou na pedra, a dita firme rolou e achatou o especialista. Ele ficou bem amassadinho.


ESPERANÇA

Formigas caminham despreocupadas pela varanda  enquanto o cão preguiçoso boceja deitado satisfeito na cerâmica fria. Nuvens passeiam pelo céu, sem pressa. O sol vespertino é forte; o verde das árvores se destaca; o cantar dos pássaros presos é triste. Alados libertos cruzam os ares fazendo alarido e lamentando a má-sorte dos irmãos engaiolados. Não tem jeito, quem está na gaiola canta de tristeza, mas os obtusos pensam que é de alegria. Quem canta seus males espanta; eles sabem disso mais do que ninguém. Uns poucos ainda olham para cima com esperança de um dia poder novamente voar. A esperança, sempre ela, junto do ser até o derradeiro suspiro.



ABUTRES

Dois abutres armados rondam por horas as casas no Belvedere. Estacionam o automóvel e observam como agem os proprietários de belas residências. Quem entra e quem sai, descuidado, não descuidado. Então naquela tarde uma mulher deixa o portão aberto. Os abutres entram de armas nas mãos. Observam todos as salas, não encontram vivalma. Acham estranho, mas vão em frente. Procuram pelo cofre, vasculham até encontrá-lo. Um dos gatunos é especialista, em poucos minutos consegue abri-lo. No cofre não encontram joias e nem dinheiro, tampouco documentos importantes. Dentro do cofre há apenas uma foto da progenitora dos meliantes dando de mamar para dois marmanjos no corredor de um bordel.

NÃO ERA PARENTE

O sol se põe e há um homem morto caído no meio da rua. A multidão se aglomera para ver o cadáver. O povo gosta de ver a desgraça dos outros. Não existe muito sangue no asfalto, apenas um leve filete saindo do nariz do pobre. Uma bicicleta torta atirada ao lado já diz tudo. A mulher de blusa vermelha olha bem de perto para ver se não é um primo seu. Um homem de camiseta amarela e boné branco também chega bem perto para ver se o reconhece. Nada. Vem o perito, faz os procedimentos e o leva embora. O atropelador, em casa, sossegado, toma mais uma cerveja. Dias depois, descoberto pela lei e questionado o porquê de não ter prestado socorro, diz: “Que importa? Não era meu parente!”

MISES BRASIL- Uma solução prática para acabar com o poder dos políticos, dos lobistas e dos grupos de interesse

O governo por loteria é uma medida já historicamente testada
Os libertários desejam que as atividades do estado sejam reduzidas ao máximo para abrir mais espaço ao livre mercado. Quando o estado encolhe, quando seus gastos e suas regulações diminuem, o livre mercado — isto é, a livre interação comercial dos indivíduos — cresce.  
No entanto, o sistema de democracia baseado em partidos políticos e em eleições fomenta exatamente o contrário. Eleições tendem a ser ganhas por aqueles políticos que mais prometem "almoço grátis" para grupos específicos do eleitorado.
H.L. Mencken já dizia que a democracia possibilita que os demagogos, "em virtude de seu talento para o absurdo e para as tolices", insuflem a imatura imaginação da massa.
Os políticos raramente, se nunca, são eleitos apenas por seus méritos — pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos.
Será que algum deles iria se arriscar a dizer a verdade sobre a real situação do país? Algum deles iria se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir — que nenhum ser humano poderia cumprir?
Iria algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba que se aglomera ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina?
Eles todos prometerão para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir. Eles todos sairão percorrendo o país prometendo remediar o irremediável, socorrer o insocorrível, e organizar o inorganizável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n.
Em suma, eles saberão que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao se falar coisas sensatas, mas sim ao se falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo.
Ao final, todos pagam a conta. Neste processo, o estado cresce, os gastos públicos aumentam, a dívida pública dispara, a carga tributária explode e toda a economia sofre.

A LÍNGUA DE LULA

“Se Lula da Silva fosse colocado numa panela para ser reduzido, após horas de cozimento sobraria no utensílio uma enorme língua sem serventia.” (Eriatlov)