O
sol se põe e há um homem morto caído no meio da rua. A multidão se aglomera
para ver o cadáver. O povo gosta de ver a desgraça dos outros. Não existe muito
sangue no asfalto, apenas um leve filete saindo do nariz do pobre. Uma
bicicleta torta atirada ao lado já diz tudo. A mulher de blusa vermelha olha
bem de perto para ver se não é um primo seu. Um homem de camiseta amarela e
boné branco também chega bem perto para ver se o reconhece. Nada. Vem o perito,
faz os procedimentos e o leva embora. O atropelador, em casa, sossegado, toma
mais uma cerveja. Dias depois, descoberto pela lei e questionado o porquê de
não ter prestado socorro, diz: “Que importa? Não era meu parente!”
quinta-feira, 25 de maio de 2017
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