“Perco peso e logo depois ele me acha”. (Fofucho)
terça-feira, 27 de março de 2018
QUEM SOU EU?
Uma pequena luz surgiu e ele começou a ter
consciência de si. Perguntas fazia sem
ter noção de como aprendeu a fazê-las... Quem sou eu? Que lugar é este? O que
estou fazendo aqui? O que é mãe? Onde está a minha mãe? Tenho pai? Quem é o meu
pai? Tenho um nome? Qual será o meu nome? Apertado dentro da casa queria sair
correndo, mas como correr se não tinha pernas, se estava dominado por cordas?
Sentiu um pulsar de um coração, bem próximo, alguém o tirando do sufoco da
casa, deixando-o menos apertado e sufocado. Viajou pelo ar e quedou-se dentro
de um enorme lugar escuro, de cheiro um pouco azedo e viu que lá existiam
outros como ele, mas silenciosos, não faziam qualquer movimento ou barulho. Na
escuridão fazia mais perguntas , queria saber...Que cheiro é esse? Por que
ninguém fala comigo? Deus existe? Por que este lugar é tão abafado? Quem é
Madona? Estou desesperado, quero sair daqui! Impostos, o que são impostos?
Jesus, cadê Jesus? Serei ateu? Por que
tenho quatro furos no peito? As perguntas não cessavam e acabaram irritando um
zíper de calça jeans que também estava no mesmo cesto de roupa suja. O zíper
foi duro: ‘Cale-se imbecil! Você é apenas um botão de quatro furos que agora
raciocina, vivendo sua vidinha miserável numa camisa de flanela xadrez! Basta!’
FAMÍLIA
Tive pai e mãe até o dia em que minha mãe fugiu com
o vizinho chamado Ruan,
isso quando eu tinha doze anos. O meu pai ficou com a vizinha mais por raiva e
também porque já não tinha mais nada para fazer, além de juntar os seus quatro
filhos com os sete filhos dela, o que acabou fazendo da nossa casa um albergue
dos diabos, com colchonetes até no banheiro e uma falta de tudo, até mesmo do
sempre abundante pão com bananas, que verdade seja dita, era o cardápio dos
dias de semana e também aos domingos. Mas nada disso é tão importante como o
fato da mulher gritar mais que pastor em culto de arrecadação e não dar sossego
e nomes aos filhos dela, pois meu pai sabia dar nome aos filhos; João
Paulo, André Rodrigo são nomes comuns, já os irmãos ganhos na roleta russa da
vida se chamavam Werlilaine, Wermenton, Wirton, Wurtenson, Wesllei, Wasvanesca e Wislon;
que é diabo a carregue com tanto W. O caso que ninguém mais conseguia ler ouvir
rádio ou assistir TV gato tamanho era o amontoado de gente naquele casebre de
quatro por nada, pois até o gato e os cachorros fugiram para o bairro vizinho,
pois nem eles suportaram o inferno em que estávamos todos metidos. Havia brigas
para poder comer, tomar banho no tanque; não havia chuveiro, lavar o rabo e
tudo mais era difícil. Foi o que me fez fugir de casa com treze anos para nunca
mais voltar. Na verdade foi minha sorte, pois soube que meu pai teve mais três
filhos com a louca adoradora de w, embora o Wirton tenha morrido de pneumonia dupla, pobre
diabo. O caso é que nem posso aqui do norte imaginar a dificuldade de
convivência naquele pequeno universo de barrigudos verminados e mais feios que
temporal em alto mar.
JOSEFINA PRESTES
“Alguns homens com o passar do tempo se transformam em ursos: só bafo e pelos.” (Josefina Prestes)
segunda-feira, 26 de março de 2018
MESTRE YOKI
“Mestre, é possível uma mulher bela ser feliz ao
lado de um homem feio?”
“É possível. Difícil é ser feliz ao lado de um
bruto ignorante.”
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“Somo discriminadas, quase párias da sociedade. Mas digo que antes ser pulga que um rato.” (Pulga Lurdes)
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“Vó, a senhora já ouviu falar em algoritmo?” “Aldo Ritmo? Tive um vizinho que se chamado Aldo, mas o sobrenome era outro.”