NATAL DESTRÓI PRAÇAS
Há anos não consigo ver as praças européias em todo seu esplendor. É que gosto de frio e viajo geralmente em fim de ano. Quando aqueles espaços belíssimos como a Plaza Mayor, de Madri, a Piazza Navona de Roma, a Grand Place, de Bruxelas, são tomadas por uma camelotagem mais sofisticada, as malditas feiras de Natal. Os quiosques tomam todo o espaço livre e as praças desaparecem.
Em Barcelona, costumo hospedar-me no Bairro Gótico. Aos sábados, eu tinha um compromisso inadiável: ir até a praça da Catedral e entrar numa roda de sardana. Sempre me fascinou aquela manifestação espontânea de dança, em que gentes do mundo todo, que jamais se viram, se dão as mãos e dançam como se fossem amigos desde séculos.
Num destes sábados passados, corri até a praça. Que praça? Não existia mais praça, apenas uma espécie de mercado árabe, onde os quiosques vendiam presépios, santinhos e outras quinquilharias natalinas. (Curiosidade catalã: nos presépios há uma figura exótica, el caganer. É um menino que discretamente se agacha num canto do presépio, para fazer suas necessidades).
Todos os natais, os católicos investem contra a fúria consumista dos cidadãos. Mas quando querem vender seus peixes, não se preocupam em destruir os mais belos espaços europeus. Como o caganer, sujam todas as praças.
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