Na terra de gente triste, tristeza é o
material que não falta. Pelas ruas de Vila Tristeza não se ouve sorrisos de
crianças e o cantar dos passarinhos. Música é algo que não se escuta. Não se
ouve também a bola quicar nos campinhos de terra e o alegre tagarelar das
comadres no final de uma tarde de verão. Andorinhas não voam perto dela,
temendo perder seu trinar. Na Vila Tristeza como o nome já diz, uma tristeza
chorosa tomou conta de todos; até as flores são aborrecidas e sem cores. Um
viajante que por ali passe, não receberá por certo um comprimento de bom dia ou
um sorriso amável; apenas o frio distanciamento de seres que vivem num mundo
estranho e sem nenhum calor humano. Quando a noite chega, todas as janelas e
portas se fecham, o mundo coletivo que pouco existe durante o calor do sol
deixa de existir por completo, é cada um por si. Na pequena vila impera o
orgulho e todos são donos da verdade.
sábado, 11 de janeiro de 2020
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