O pequeno solitário Wladimir de oito anos brincava
na neve nos arredores de onde existiu
um campo de trabalhos forçados à época de Stalin, em Norilsk. Ao mexer uma pequena pedra aconteceu um
estrondo e o lampejo de um raio e milhões de gritos lamuriosos foram ouvidos,
saídos da fenda que estava sob a pedra. Gritavam fome! Frio! Dor! Tortura!
Queremos liberdade! O pequeno caiu para trás assustado. Enquanto Wladimir tentava entender o que
estava acontecendo, os espíritos martirizados pelos comunistas naquele Gulag
transformaram-se em pequenos pássaros azuis e saíram batendo asas libertas,
felizes finalmente. Cada pássaro que saía da fenda deixava cair uma pena azul
que aos poucos formou no branco da neve a frase “Jamais esqueçam quem cometeu
essa ignomínia.” Wladimir não sabia
porque, mas sentia-se feliz. Ergueu suas pequenas mãos e acenou para os
pássaros, que fizeram um bailado em agradecimento e após seguiram para o
infinito.
terça-feira, 6 de março de 2018
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