domingo, 13 de novembro de 2016
NÃO ERA PARENTE
O sol se põe e há um homem morto caído no meio da rua. A multidão se aglomera para ver o cadáver. O povo gosta de ver a desgraça dos outros. Não existe muito sangue no asfalto, apenas um leve filete saindo do nariz do pobre. Uma bicicleta torta atirada ao lado já diz tudo. A mulher de blusa vermelha olha bem de perto para ver se não é um primo seu. Um homem de camiseta amarela e boné branco também chega bem perto para ver se o reconhece. Nada. Vem o perito, faz os procedimentos e o leva embora. O atropelador, em casa, sossegado, toma mais uma cerveja. Dias depois, descoberto pela lei e questionado o porquê de não ter prestado socorro, diz: “Que importa? Não era meu parente!”
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