Quem não assistiu deveria assistir a inédita entrevista coletiva que os três dirigentes dos poderes político-partidários da república proporcionaram à imprensa nacional na manhã deste domingo. Não me lembro de algo semelhante em nossa história: ombro a ombro, o presidente da república, o da Câmara dos Deputados e o do Senado Federal, falaram sobre votação das famosas Dez Medidas e os possíveis enxertos que acabariam por conceder anistia aos que se beneficiaram dos recursos da corrupção para fins eleitorais.
Fica patente nas três manifestações a existência de um acordo para constranger a apresentação de iniciativas nesse sentido e para obrigar seus eventuais promotores e apoiadores a assumirem publicamente suas posições.
Dado o caráter inusitado da manifestação do alto comando político do país, numa manhã de domingo, tudo indica que: 1) havia real perigo de aprovação de alguma emenda desavergonhada; 2) o governo não quis assumir o risco de ser entendido como conivente; 3) as três autoridades pressentiram, ou receberam informação, de que a reação das ruas, prevista para o dia 4, as fulminaria politicamente.
Penso que foi uma boa lição para eleitos e eleitores, para a sociedade e sua elite política. Há um poder maior, legítimo, que pode chegar às ruas de modo ordeiro para se fazer ouvir. E esse poder é reconhecido.
Do blog Percival Puggina
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
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