No dia 24 de abril do ano passado, o professor de ciências políticas da Universidade de Brasília Paulo Kramer referiu-se a negros americanos como "crioulada". O episódio ocorreu durante uma aula de Teoria Política Moderna, ao explicar as políticas assistenciais implementadas nos Estados Unidos na década de 60: "Não adianta dar dinheiro para essa crioulada". Sete estudantes dos cerca de 20 que fazem parte da turma de TPM pediram o afastamento de Kramer ou a abertura de uma nova turma. Acusado de racismo, o professor Kramer acabou sendo condenado pela direção a trinta dias de suspensão, pena convertida em multa de R$ 1.750.
Nesta semana, dizia a cantora Elza Soares, na Folha de São Paulo: "Eu olho e não vejo minha família. Cadê a negrada? Ligo a TV e saltam uns olhos azuis em cima de mim". Imagine um branco falando em negrada em entrevista a um grande jornal. Dia seguinte, o Correio dos Leitores estará repleto de cartas de protestos. Sem falar em um eventual processo por racismo. Estamos chegando a um absurdo momento em que uma palavra, se dita por um branco é racismo, se dita por um negro não provoca reação alguma.
Eu, pessoalmente, já não falo em negrada. Prefiro afrodescendentada.
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