NADA ABSOLUTO
Antes de gerados
Não estamos lá
Tampouco cá
Navegamos no nada absoluto
Esperando pela luz da vida.
OBSERVANDO
O canteiro central
Dois bancos com os pés no barro sob árvore robusta
O negro asfalto riscado de faixas brancas
Na sarjeta um copo descartável
Uma carteira de cigarros vazia
O poste de metal sem pintura que suspende o semáforo
O amarelo
O verde
O vermelho
Uma moça fofa atravessa a faixa com uma pasta verde nas mãos
Atenta ao perigo dos doidos e distraídos
Tantas coisas a se observar
Para sentir o todo vivo ou estático que compõe a paisagem do nosso lugar.
AS COBRAS
A cobra macho Sspy entrou na casa para curtir uma sombra, e deu de cara com uma cobra de areia colorida, que cobria o vão inferior da porta. Ainda não muito experiente nas coisas mundanas de amores e agarramentos, ficou vidrado na arenosa, e não mais saiu de perto, até ser morta a pauladas pelo dono da casa, que desejava apenas enxotá-la, porém não teve outro jeito. Morreu no piso frio da despensa, com os olhinhos cheios de paixão, sabendo da pior maneira possível que toda paixão traz seus riscos.
OS FEITICEIROS