sábado, 10 de outubro de 2020

LEOCÁDIO

 

LEOCÁDIO


Salta! Pula! A multidão, reunida no centro da cidade, ansiosa aguardava lá embaixo pelo último ato do suicida. Finalmente ele se jogou do telhado. Os mais sensíveis fecharam os olhos antes do choque fatal. Então, antes de espatifar-se no chão, Leocádio abriu suas belas asas e alçou voo, para navegar sob o resplandecente azul do céu. Antes contornou e fez um rasante, mostrando a língua para os abutres que pediam por sangue.

"Nos cemitérios é que estão os melhores vizinhos. Não jogam lixo no seu quintal, não praticam brigas e jamais som alto na madrugada. "

"Aqui na terra de Cabral quem vota em ladrão pelo jeito pega gosto."

PERDI O ÔNINUS

 PERDI O ÔNIBUS


Perdi o ônibus

Corri atrás como um louco

Extrapolei meus limites

Ultrapassasei o ônibus

Deitado na maca da ambulância.


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

AMIGOS

 


AMIGOS


Feliz de quem cultiva bons amigos

Pois causa pena e distanciamento

O ser que só sabe olhar para o próprio umbigo.


SABER

 


SABER


Ter consciência do quão pouco sabemos


Nos faz abraçar a humildade


E continuar estudando e aprendendo


Até o fim dos nossos dias.




quinta-feira, 8 de outubro de 2020

GINA

 

GINA


Gina, dezoito anos, bela e frágil, meiga e prestativa. O pai Ernesto era um cavalheiro. A mãe Andradina, uma caninana. Certa amanhã, Gina acordou tossindo e vomitando pétalas de rosas. A mãe não se aguentou- “Ainda vomitasse dólares ou euros.” Gina morreu no outro dia, seu corpo exalava um maravilhoso perfume. Foi o velório mais cheiroso do mundo. Até hoje a ciência ainda não conseguiu uma explicação. Os pais de Gina ainda vivem. Ele, culto e aberto ao mundo; ela, caminhando pra lá e pra cá, matando grama com cuspe.