quarta-feira, 14 de agosto de 2019


Versos antigos adormecidos em velhos baús
São regulamente recolhidos por fantasmas
E murmurados nos ouvidos de jovens poetas.



Minha cara
Olhar-se demasiadamente no espelho
Só serve para constranger
Rugas e pés de galinhas.

“Somente tolos acreditam que mentiras repetidas se tornarão verdades.”



A esquerda no poder
É um vazio de ideias e um amontoado de mãos grandes
Fora dele ouvimos relinchos e grandes montes de esterco.




O homem de bem
Trabalha e se cansa
Do seu lado o parasita suga e sorri em deboche.


“Alguns amores acabam quando o saldo bancário fica negativo.”

ZÉ BOCHECHA

Zé Bochecha fazia jus ao nome. Antes de completar a maioridade já conseguia carregar nelas uma maçã, dois pêssegos, três bananas, três picolés no palito e um quilo de açúcar. Merreca , o grande traficante da Vila Uru viu futuro no menino e colocou-o para fazer entregas de pó no centro da cidade. Ninguém imaginava que por dentro daquelas bochechas transitavam drogas em grande quantidade. Deu certo e tudo andou nos conformes. Depois Merreca o usou para trazer quilos de farinha da Bolívia todos os meses. Zé melhorou de vida, comprou carro, casa e conseguiu inúmeras namoradas. Estava num vidão que só. Aí outros traficantes souberam do Bochecha e passaram a fazer proposta para ele mudar de lado. Muito dinheiro, muito mesmo. O olho cresceu uma enormidade e não demorou para pular da barca. Mas ele sabia das consequências, Merreca não iria deixar barato e não deixou. Dentro de um mês foram três tentativas de assassinato. Escapou por pouco. Bochecha apavorou , vendeu tudo e se mandou para Manaus. Hoje é pescador no Rio Negro, e usa as enormes bochechas para carregar iscas e peixes menores de dois quilos.