segunda-feira, 27 de maio de 2019


QUEM ROUBOU?
Leonardo Andrade guardou seu milhão de dólares num cofre seguro. Quando após um mês abriu o cofre para verificar não havia mais dinheiro. Roubo? Quem roubou e como? Ninguém mais entrou na casa, somente ele sabia a combinação. Vieram os peritos e não conseguiram uma explicação. Chamaram então o professor Luxemburgo que tinha explicação para tudo. Então examinando o interior com sua lupa ele descobriu num cantinho escuro do cofre o bichinho comedor de dinheiro de barriguinha estufada arrotando verdinhas.



ADAMASTOR

Metido ele sempre fora, não pedia licença para ninguém, era o pai do tal pé no saco.  Então Adamastor chegou ao bar do Nilo na tarde de sexta-feira e bebeu todas sem pestanejar. Começou então a torrar a paciência do proprietário que manteve a calma. Incomodou para cacete. Mas aí além de ser uma mala resolveu abusar e beber também a dos outros. O Neco Guarda-Roupa pegou ele e o fez entornar um copo de água sanitária além de trinta tapas em cada orelha. Ontem foi pego entrando numa reunião do AAA.



GUMERCINDO
Mocorongo feito que, solitário e abandonado pela mulher, além de extremamente endividado, Gumercindo estava tão para baixo que andava feito louco procurando pelos bolsos e gavetas dos velhos armários o próprio atestado de óbito. Não encontrou nenhum atestado, mas achou mais dívidas deixadas pela mulher sem-vergonha. A cada dia que se passava a cabeça mais ficava na lua que aqui na terra. E foi assim zanzando para lá e para cá até findar sua existência como um morto vivo sem eira nem beira, terminando por ser enterrado sob uma touceira de guanxuma.




NOSSA DEFESA

“Existe uma lei, não escrita em qualquer lugar exceto inata em nossos corações; uma lei que nos chega não por treinamento ou costume ou leitura, mas por derivação, absorção e adoção da própria natureza; uma lei que nos chegou não da teoria, mas da prática, não por instrução, mas por intuição natural. Refiro-me à lei que estabelece que, se nossas vidas são ameaçadas por conspirações ou violência ou ladrões armados ou inimigos, todo e qualquer método de nos proteger é moralmente correto.”

Marco Túlio Cícero

ABUTRES

“Um burocrata é o mais desprezível dos homens, embora ele seja necessário, pois os abutres são necessários, mas dificilmente admiramos abutres, com quem os burocratas se parecem estranhamente. Ainda não encontrei um burocrata que não fosse insignificante, monótono, quase sem inteligência, astuto ou estúpido, um opressor ou ladrão, um detentor de pouca autoridade na qual ele se deleita… Quem pode confiar em tais criaturas?”

Marco Túlio Cícero- (106-43 a.C)

HERBERT E A MORTE
Herbert é um grande mágico. Tão bom que por mais de uma centena de oportunidades enganou a morte quando ela veio para buscá-lo. Foram tantas vezes que a morte desistiu de levá-lo, cansou-se. Desde então Herbert vaga pelo mundo sem descanso. Aquilo que poderia ao olhar superficial ser uma dádiva, tornou-se um fardo duro de carregar. Herbert agora vaga por aí, saturado da vida, esperando que a morte reconsidere.


TRANQUILINHO
Marcos é um sujeito muito tranquilo. É daqueles que em meio a uma tempestade acende um cigarro encostado num muro bambo.  Ao chegar em sua casa e se deparar com a mulher com outro homem na cama, não gritou, não prometeu matar; apenas vestiu o pijama, pediu licença e foi se deitar no meio deles. Dois minutos depois já estava roncando. O amante da mulher perdeu a tesão e foi embora.