terça-feira, 26 de setembro de 2017

LEOCÁDIO


Salta! Pula! A multidão reunida no centro da cidade ansiosa aguardava lá embaixo pelo último ato do suicida. Finalmente ele se jogou do telhado. Os mais sensíveis fecharam os olhos antes do choque fatal. Então antes de espatifar-se no chão Leocádio abriu suas belas asas e alçou voo para navegar sob o resplandecente azul do céu. Antes contornou e fez um rasante mostrando a língua para os abutres que pediam por sangue.

ROBERTO


O vento forte, o mar revolto, sentado na ponta do trapiche, Roberto sem forças. Suas lágrimas misturadas ao sal, o frio que doía bem menos que o tridente cravado em seu coração. Sem rumo, sem foco, sem nada, esperando o tempo ficar velho. Então acobertada por uma chuva formidável, veio navegando sobre uma onda brava uma bela sereia. Toda cheia de encanto e ternura carregou Roberto em seus braços mar adentro no caminho da mansidão.

CERTEZA

A vida corre
A morte nos espera
Somos ínfimas partículas
Filhas longínquas da grande explosão
Então mesmo sabendo
O que nos aguarda no fim
Vivemos com pressa
Como se a morte
Fedorenta e fria
Não fosse nos esperar.

COMUNISTAS

Vislumbra-se no horizonte
O juntar das correntes vermelhas
Prontas para encarcerar corpos e ideias
Dentro da maligna utopia socialista
Diante da incerteza da liberdade
E de um porvir de esperança
Açoita-nos o medo
De um futuro que é passado
De horror e miséria.

COMPLICADO

Está complicado o relacionamento
Com minha adorada de outrora
Quando falo em partir
Ela chora
Se decido ficar
Voam minhas roupas porta afora.

“Estou namorando uma gata que é um monumento. Quero ver como é que fica quando ela ficar sabendo.” (Chico Melancia)

“A besta, quanto mais besta, mais arrogante.” (Filosofeno)