domingo, 2 de julho de 2017

O SUPER-HOMEM

Teodoro acordou naquele dia sentindo-se o Super-Homem. Meteu os pés nos chinelos, abriu a janela do quarto, bateu no peito, respirou fundo e gritou –‘vamos lá dia!” Aí foi pegar o penico que estava sob a cama e se descadeirou  todo. Não saiu do lugar sem ajuda. Teve que chamar a Super-Girl dona Jurema para colocar nele um emplasto Sabiá e levá-lo amparado até a cozinha para o café da manhã. 

ÉRCIO

Ércio, tímido, desde rapaz fora apaixonado por Filomena, porém nunca teve coragem para contar-lhe.  Passados quarenta anos ela morreu. Ércio foi ao cemitério levar flores e declarou-se de joelhos. Depois em sua casa pendurou-se pelo pescoço.


SEM CONVERSA

O caixeiro viajante Gregório chegou a Plantk, uma cidade estranha quase no fim do mundo, pois ninguém ali abria diálogo com ele, apenas monossílabos. Abastecendo seu automóvel observou pela primeira vez que todos tinham alguma deficiência física. Sem orelhas; sem queixos; sem mãos; sem braços; sem pernas; mancos; cegos; estrábicos e outros. Não tentou vender nada, já que o povo não queria papo com gente estranha decidiu seguir em frente. Na saída viu um senhor corcunda capinando a beira da estrada e decidiu arriscar: “Boa tarde! O senhor poderia me dizer por que o povo da cidade evitou falar comigo?” O homem um pouco receoso respondeu em tom baixo: “É que o senhor não é normal. Assusta um pouco.” Então se afastou e continuou a capinar.

NOÉ

Noé construiu uma arca a mando do senhor de tal. Ele carregou os bichos como ordenado. Choveu pra mais de metro e o grande barco navegou que navegou. Noé naquela ociosidade chuvosa tinha que fazer algo.  Então para fugir da rotina criou os Jogos dos Bichos. Um sucesso! Quando finalmente as águas baixaram a Arca de Noé estava no Rio de Janeiro. E deu no que deu.

ROMARINHO

Romarinho, seis anos, era um menininho frágil, porém ninguém imaginava que fosse exageradamente frágil. Pois no seu primeiro dia na escolinha um coleguinha berrou no seu ouvido e ele explodiu. Juntaram os caquinhos, como se de porcelana fosse, o Romarinho.

ANITA, A FLORISTA

Anita era uma florista de muito sucesso.  Simpática, atenciosa, bons preços, uma fada! Não havia ser vivo naquela avenida que não amasse Anita.  Porém tudo acabou para ela quando o povo descobriu que o seu principal fornecedor era o cemitério.

“Um corrupto quase sempre tem outro por dentro. Outro bolso.” (Mim)