segunda-feira, 28 de novembro de 2016

COSTURAR E DELATAR

Fuga do Campo 14- O inferno na Correia do Norte

Fragmento

...Mil mulheres costuravam uniformes militares durante turno de 12 horas. Quando suas temperamentais máquinas de costura movidas com o pé quebravam, Shin as consertava.
Ele era responsável por cerca de cinquenta máquinas e pelas costureiras que as operavam. Se as máquinas não vomitassem suas cota diária de uniformes do Exército, Shin e as mulheres eram forçados a executar um “doloroso trabalho de humilhação”, o que significava passar duas horas extras, em geral das dez à meia-noite.

...O trabalho na fábrica pôs Shin em estreito contado diário com várias centenas de mulheres adolescentes, na casa dos vinte anos e dos trinta anos. Algumas eram extraordinariamente atraentes e sua sensualidade criava tensão entre os operários. Em parte,isso se devia a seus uniformes mal ajustados. Elas não tinham sutiã, e poucas usavam roupas de baixo. Não havia absorventes higiênicos.

Pag. 110
Blaine Harden-Ed. Intrínseca


DICA DE LIVRO- FUGA DO CAMPO 14- Correia do Norte

FUGA DO CAMPO 14- Correia do Norte

Fragmentos

...Mais tarde o lhe contou sobre o dia de 1965 em que a família foi levada pelas forças de segurança. Antes do amanhecer, homens armados invadiram a casa que pertencia ao avô de Shin no condado de Mundok, na província de Pyongan do Sul, uma fértil região agrícola situada a cerca de sessenta quilômetros da capital, Pyongyang. “Arrumem suas coisas coisas”, gritaram. Eles não explicaram por que a família estava sendo presa ou para onde os levariam. Quando amanheceu um caminhão apareceu para buscar seus pertences. A família viajou durante um dia inteiro (uma distância de cerca de setenta quilômetros em estradas montanhosas) antes de chegar ao Campo 14.

...No que parece ser a manhã do terceiro dia, um dos interrogadores e três outros guardas entraram em sua cela. Agrilhoaram-lhe os tornozelos, amarraram uma corda e um gancho no teto e dependuraram-no de cabeça para baixo. Depois saíram e trancaram a porta - sem dizer uma palavra.
Os pés de Shin quase tocavam o teto. A cabeça estava suspensa acima do chão. Estendendo as mãos, que os guardas tinham amarrado, ele não conseguia tocar o chão. Contorceu-se e balançou-se, tentando endireitar-se, mas não teve sucesso. Ficou com câimbra no pescoço e os tornozelos doíam. Por fim suas pernas ficaram dormentes. A cabeça, por onde o sangue fluíra, doía mais a cada hora.

...O interrogador principal fez mais perguntas aos berros. Pelo que se lembra,  Shin não deu nenhuma resposta coerente. O chefe disse a um dos seus homens para pegar alguma coisa.
Uma tina cheia de carvão em brasas foi arrastada para debaixo do menino. Um dos interrogadores usou um fole para atiçar as brasas. O sarilho abaixou Shin em direção as chamas. Enlouquecido pela dor,cheirando a carne queimada, Shin contorcia-se para escapar do calor. Um dos guardas passou a mão num gancho de arpão na parede e perfurou-lhe o baixo-ventre até que ele perdeu a consciência.

FUGA DO CAMPO 14- A dramática jornada de um prisioneiro da Correia do Norte rumo à liberdade no ocidente.

Blaine Harden- Editora Intrínseca


“Ter alma é a ferramenta necessária para pagar o dízimo. Quem não possui alma está  isento.” (Eriatlov)
“Que não esmoreçam os pensadores, caso contrário os imbecis vencem.”  (Eriatlov)
 “Por aqui todo dia é dia de comer carne. Não fazemos nenhum jejum religioso.” (Leão Bob)


“Um diabo andando pelas ruas de Brasília jamais será reconhecido, pois todos os diabos são iguais. Aí...” (Mim)

VELHO,MUITO VELHO

Epaminondas é muito velho. Tão velho que lhe tomaram até a carteira de identidade. Anda por aí com o atestado de óbito no bolso.