quinta-feira, 10 de novembro de 2016
O SACO
Um caminhão passou em disparada e deixou cair um saco. Era um saco de gatos. A meninada da rua ao abri-lo tirou de lá: cinco deputados; três senadores; doze empreiteiros; quinze sindicalistas ligados ao PT e por incrível que pareça uma licitação que ainda não havia sido fraudada.
MONTEIRO
Monteiro está sentado à beira do abismo. Suas pernas balançam no ar chutando bolas invisíveis. Não se encontra mais consigo mesmo, é o dia de maior desespero. Olha para suas mãos calejadas, suas unhas sujas de terra e grita silenciosamente se tudo que fez valeu a pena. Retira do bolso da camisa e relê o telegrama que trouxe a notícia da morte de seu filho único. O punhal é cravado de novo, mais fundo. Não suporta. Basta. Deixa seu corpo pesado cair no abismo em busca da leveza da vida sem dor.
REI TOLO
Para
quem pensa somente em si e no poder
Pouco
importa como será o amanhã dos outros
Assim
sendo a total desconstrução da nação
O
abraço dado na mediocridade
Em
detrimento da qualidade e sapiência
Faz
fugir os sábios do embate
E
subir ao trono o tolo dos tolos
Manipulado
pelos bajuladores
Crendo
ser ele o iluminado
E
mais esperto do que Maquiavel.
INGLÓRIA LUTA
Inglória
luta de um velho rico
De buscar
uma jovem musa dona de todos os encantos
Que faça
babar os companheiros
E não cause
nenhum transtorno
Que
transfira ao idoso a juventude e energia
Sem o
transformar na cidade
No mais
renomado dos cornos.
SOBERBA
SOBERBA
A soberba
correu mundo com seu dono
Nunca
valorizando ninguém ao seu redor
Desfilando
sempre de nariz empinado e achando-se uma imortal senhora
Talvez
por isso ficou tão surpresa
Ao ser
colocada com seu dono no forno crematório
Para
torrar também seus ossinhos.
NÃO HÁ FUGA
Caio
E
quando me levanto
Sinto
que cresci
Pois
não há crescimento
Sem
dificuldade e dor
E
muito se engana quem pensa em fazer voltas
Pois
é sabido que podemos fugir de todos
Menos
de nós mesmos.
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