domingo, 6 de março de 2016

Fernando Gabeira: As portas de março

Publicado no Globo
O sítio Santa Bárbara, em Atibaia, tem um caseiro chamado Maradona e é um autêntico gol de mão, desses que se fazem na esperança de enganar o juiz. O sítio foi reformado, assim como o triplex de Guarujá, por duas empreiteiras envolvidas no Petrolão: OAS e Odebrecht. É um enigma como o triplex do Guarujá. Estávamos nos divertindo com os pedalinhos do sítio Santa Bárbara quando surgiu a delação premiada de Delcídio do Amaral, ex-líder do governo. São revelações tenebrosas de sabotagem da Lava Jato. Lula pagando à família de Nestor Cerveró para proteger seu amigo Bumlai. Dilma nomeando um ministro do STJ para libertar os empreiteiros.
Tudo isso acontece depois de o PT derrubar um ministro da Justiça e colocar outro com as iniciais WC para tentar conter a lama que chega ao Palácio do Planalto. O que significa controlar a Lava Jato, nesta altura das investigações? Há uma fila de delatores no pipeline. Novas informações virão à tona, as coisas ficarão mais claras ainda, como se ainda não fossem suficientemente claras. Na sexta, com novo ministro e tudo, a Polícia Federal, cumprindo determinações da Justiça, fez uma devassa no Instituto Lula e nas casas da família. Uma pessoa sensata diria que não é hora de brigar com a polícia e sim discutir coisas mais práticas com ela, como banho de sol, visita íntima.
O filme está acabando, e as revelações de Delcídio mostram uma realidade que já intuíamos: a luta surda contra a Lava Jato. Diziam que José Eduardo Cardozo caiu porque não controlava a Polícia Federal. Caiu, na verdade, depois de tentar o controle e fracassar. Esse juiz, Marcelo Navarro, que teria sido nomeado para liberar no STJ, já foi denunciado inúmeras vezes no site O antagonista como o homem que iria dar os habeas corpus. Bem que ele tentou: perdeu por 4 a 1.
Tentaram controlar o Supremo, a julgar pela delação de Delcídio, e falharam. Tentaram o STJ, perderam de 4 a 1. Fizeram de tudo e se esborracharam. As portas estão se abrindo. A começar pela tarefa urgente de derrubar Eduardo Cunha, transformado em réu pelo Supremo Tribunal Federal.
Cunha é um imenso trambolho no caminho. Se a Câmara não destitui da presidência um réu na Lava Jato, acusado em depoimentos de delatores e com contas na Suíça, então é uma tarefa que os próprios ministros precisam executar. Mas isso pode ser feito rapidamente na Câmara. Basta parar tudo e forçá-lo a sair. A oposição tem o dever de fazer isso e realizar uma nova eleição. Como conviver com a ideia de que um presidente da Câmara é, ao mesmo tempo, réu no maior processo de corrupção do país? É tão grave quanto conviver com um governo que se elegeu usando dinheiro do Petrolão para pagar seu marqueteiro. E tentou de várias maneiras sabotar as investigações da Lava Jato. Dilma e Cunha estão queimados, há um rastro de fumaça nos poderes da República. Os tribunais, Superior e Eleitoral, são as únicas forças de pé. Têm que dar uma resposta.
O que está se passando no Brasil pode ser visto de muitas formas. Mas é também humilhante viver num país em que dois poderes estão afundados no escândalo. Daí a importância de domingo que vem, dia 13 de março. É o momento em que a sociedade tem chance de mostrar como vê tudo isso. As pesquisas já indicam o sentimento majoritário.
Manifestações são diferentes de cifras: pessoas de carne e osso expressando sua vontade de resolver a crise política. Elas sabem que desatar esse nó traz um alento para o combate em outro front assustador: a economia. Já se fala num cenário de moratória, no qual o Brasil não terá condições de saldar os seus compromissos. Quebradeira. Ainda é um cenário no horizonte. Torna-se mais provável quanto mais demorar a solução da crise política com a saída de Dilma e Cunha.
Dessa maneira vejo o 13 de março. Um dia não apenas para protestar contra Dilma e Cunha, pateticamente agarrados aos seus cargos, enquanto o país afunda. Mas para afirmar que esse é o passo inicial de um longo e áspero caminho para soerguer a economia. O PIB caiu 3,8% em 2015. As perspectivas são piores em 2016. As respostas positivas do mercado ao fim do governo indicam como o colapso dos dois podres poderes será um passo adiante. Entre outras, a vantagem de mudanças impulsionadas pela sociedade é a consciência coletiva da amplitude da crise econômica. Não posso garantir que esse será o caminho vitorioso. Apenas afirmo que as possibilidades de saída são muito maiores quando há sintonia entre um governo respeitável e uma população consciente da gravidade do momento.
Já disse isso de muitas formas. O Brasil está parecendo um pouco com aquele personagem do Castelo do Kafka que esperou anos diante de uma porta, para descobrir que estava aberta.
Quem sabe, domingo que vem?

Quem votou duas vezes numa ignorante? Quem defende de unhas e dentes um safado? Dilma e Lula, os espelhos dos petistas.

Depois do PT vamos todos para o céu (os brasileiros), pois pelo inferno já passamos.

O BERRO DA IGNORÂNCIA- Diante da sede da TV Globo, petistas protestam contra 'perseguição' a Lula

Ladrão agora é perseguido. Salve salve a canalhice paga e a asnice mortadela.

Os jogos de cena de Lula



Enquanto o editoral de O Globo tenta entender o PT, o do Estadão busca explicar Lula. Para o jornal paulista, não há dúvidas de que o petista sempre foi um ator vociferando as versões que mais lhe rendiam vantagens.

Leiam um trecho:

"Ao longo de toda sua vida pública, mas principalmente depois que se tornou presidente da República, Lula deu reiteradas demonstrações de tolerância com desvios de conduta em seu governo e de certas vacilações de caráter. O mensalão é o maior exemplo disso. Declarou-se 'traído' e pediu 'desculpas' ao País. Não demorou muito para que se constatasse ser isso mais um de seus jogos de cena para enganar os incautos. Passado o efeito desejado, Lula afirmou que o mensalão era 'uma farsa' que ele se dedicaria a desmascarar tão logo deixasse o poder. E a essa altura o petrolão já abastecia as algibeiras da tigrada."

O Antagonista

Dossiê: Flávio Werneck irá a Curitiba



Sobre a história do dossiê contra a Lava Jato que o policial federal Flávio Werneck teria ajudado a montar, O Antagonista apurou que:

a) Flávio Werneck irá a Curitiba amanhã, para negar diretamente aos delegados envolvidos na operação que tenha confeccionado qualquer dossiê contra a Lava Jato;

b) Se possível, ele também quer por tudo em pratos limpos com os procuradores da força-tarefa. Estão tentando conciliar as agendas.

c) No final do ano passado, Flávio Werneck participou de uma reunião com Jaques Wagner. No entanto, segundo ele, foi apenas para falar sobre as necessidades dos agentes federais. Na reunião, Flávio Werneck diz ter despejado críticas à cúpula da PF, sim, mas nada a ver com a condução da Lava Jato. Ele é contra que a PF seja dividida entre o alto clero dos delegados e o baixo clero dos agentes, como ambicionam muitos delegados apoiados pelo governo;

d) Entre ontem e hoje, procuradores da Lava Jato foram informados por procuradores de Brasília de como Flávio Werneck ajudou a neutralizar várias ações do governo contra a operação.

O Antagonista espera que todos se entendam e não percam o foco. O foco é a quadrilha que está destruindo o Brasil.

O Antagonista

Apenas um



Na noite de sexta-feira, Dilma usou um encontro com governadores para se dizer "indignada" com o tratamento “desrespeitoso” da Lava Jato para com Lula. E apenas um governador – Pedro Taques, do Mato Grosso – teve coragem de retrucar

Segundo Josias de Souza, foram essas as palavras do tucano: "Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei."

O Antagonista lamenta a covardia dos outros vinte e seis.