segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Satanás Ferreira
“Aqui no inferno não aceito mais sindicalista. Chega por aqui com cara de tonto e logo faz sua panelinha para tentar fugir do fogo. Que vá formar sindicato no purgatório!” (Satanás Ferreira)
A relatividade da ética
O sociólogo Peter Berger escreveu um livrinho delicioso chamado de “Introdução à Sociologia”.
Um dos seus capítulos tem um título estranho: “Como trapacear e se manter ético ao mesmo tempo”.
Estranho à primeira vista, porque logo se percebe que, na política, é de suma importância juntar ética e trapaça.
Para explicar, ele conta uma causo:
“Havia uma igreja batista numa pequena cidade dos Estados Unidos,não maior do que o Bairro Manejo. Os batistas, como se sabe, são um ramo do cristianismo muito rigoroso nos seus princípios éticos.
Havia na mesma cidade uma fábrica de cerveja que, para a igreja batista, era a casa de Satanás fedorento.
O pastor não poupava a fábrica de cerveja nas suas pregações.
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 500 mil dólares para a dita igreja.
Foi um auê celestial!
Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito.
Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas, uma piscina para os batizados.
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a tomada de uma decisão democrática e cristã.
Depois de muita discussão registrou-se a seguinte decisão no livro de atas:
“A Igreja Batista Betel resolve aceitar a oferta de 500 mil dólares feita pela Cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro será usado para a glória de Deus.”
Do Boteco do Ilgo
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