sábado, 31 de outubro de 2015

SOB A MARQUISE



Sou simples, faço minhas coisas.  Naquele dia a chuva caía forte na tarde. Saí do banco desprotegido então parei sob uma marquise. Logo estávamos em mais de dez entre mulheres e homens. Tentei puxar conversa para passar o tempo enquanto descia o aguaceiro. Todos usavam máscaras de carranca e não queriam papo, absorvidos por certo em suas complicadas vidas, ou achando que um papo camarada comigo não valeria a pena. Fiquei na minha, pensando em coisas boas que ainda teria no dia, como visitar minha mãe e comer pão caseiro da hora. Não demorou e meu motorista chegou, deixando todos ali perplexos com o meu belo automóvel. Embarquei no meu Rolls Royce sob abanos tímidos e sorrisos falsos dos companheiros de marquise.

“Quem acredita em Chapeuzinho Vermelho acaba sendo comido pelo Lobo Mau. É preciso filtrar certas amizades.” (Pócrates)

“Um homem com etiqueta de preço é falso.” (Filosofeno)

“A melhor coisa para se abrir portas ainda é ter a chave certa.” (Filosofeno, o filósofo que dorme sobre o capim)

“A morte. Tão natural e tanto mistificada.” (Filosofeno)

"Não pretendo morrer perguntando se a minha vida valeu a pena." (Filosofeno)

“A mãe de Hitler achava ele um anjinho. O certo é que mães também se equivocam.” (Filosofeno)