quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A CIRURGIA

A CIRURGIA

Depois da cirurgia cerebral ele se encontra deitado na cama de ferro, imóvel sobre alvos lençóis. De hora em hora uma enfermeira vem para ver como ele se encontra. Observa sua pressão e sai. Na parede um quadro solitário da Santa Ceia faz companhia ao homem que dorme sedado. Sobre o criado mudo não há nada,nem mesmo um copo ou uma revista qualquer.O soro desce em lentas gotas e o rosto do enfermo aos poucos ganha cor. Lá fora, entre nuvens, aparecem pedaços do azul do céu. No canto esquerdo do quatro está largado um pequeno sofá marrom que aguarda para acolher uma visita qualquer. Já faz quatro horas que a operação foi realizada. O homem abre os olhos e se mexe um pouco. A enfermeira chega, ele pede: “Onde estou?” Ela fazendo um olhar de mãe diz que ele está no Hospital Samaritano, sofreu uma cirurgia para extirpar um pequeno tumor no cérebro e que correu tudo bem. “Tudo bem” nada,diz ele.Sou o encanador,vim até aqui apenas para consertar um vazamento e acabei caindo no banheiro. E agora me acontece isso?”

“Quem não se baba não ganha lenço.” (Limão)

PAPO DAS SEIS

PAPO DAS SEIS

Quase seis horas da tarde, e dona Zefa Fofoca estava na janela observando o movimento e destilando veneno na companhia de Jureminha Bunda-de-Tábua que vinha da venda e parou para um papo amigo. Falavam das coxas de fora da menina Matilde e da barriguinha esquisita da filha da Norma-Bucheira. O falatório desenfreado é lazer nas cidades pequenas. O conversê estava animado quando um ciclista gorduchinho passou pela calçada e sem querer passou com o rodado da bicicleta sobre a língua de dona Zefa, que no momento estava em repouso sobre a calçada. Foi para o hospital levada pelo SAMU. Jureminha ajudou a carregar a língua amassada. O ciclista fugiu.

“Comparado a um elefante eu sou um faquir.” (Fofucho)

“Mulheres feias não me querem pensando em conseguir algo melhor. E as belas não desejam amar um dragão pobre.” (Assombração)

“Nunca olho à mulher do vizinho com outros olhos. Sempre com os mesmos.” (Climério)

“Catinga de sovaco não sai sem lavar. Tentar é desperdiçar perfume.” (Limão)