quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Brasas para o meu assado- Dilma e ministros já receberam metade do 13º; aposentados, não

No mês passado, o governo federal pagou metade do 13º salário dos servidores da União, mas adiou o adiantamento dos salários dos aposentados, previsto para agosto.

NA HORA- Redução da maioridade penal passa em segundo turno na Câmara e segue para o Senado

Por 320 votos a 152, deputados aprovam proposta de emenda à Constituição (PEC) que pune criminalmente adolescentes a partir de 16 anos em casos de crimes graves.

A hipocrisia do CAHIS-UERJ e o Escola Sem Partido

Mesmo diante de uma realidade evidente e que não mereceria maiores questionamentos, há quem prefira, de má intenção, se recusar a enxergar. Diante dos interesses ideológicos, acima da verdade – essa mesma que os relativistas contemporâneos preferem sentenciar, como verdade absoluta (por ironia), que não existe -, o preto vira branco, o branco vira preto, o quadrado vira redondo, e o culpado se torna vítima. Assim age o Centro Acadêmico de História (CAHIS), da UERJ, em sua página do Facebook, combatendo o projeto Escola Sem Partido.
Depois do senador pedetista Cristovam Buarque, com sua insistente ladainha em prol da educação como panaceia para resolver todos os problemas do país, mas rejeitando propositadamente essa que é uma das mais eficazes iniciativas no sentido de aprimorá-la, o CAHIS, nas poucas linhas da nota, forneceu uma das mais perfeitas demonstrações da própria necessidade do projeto do advogado Miguel Nagib.
Em post do último dia 12, disseram eles, em queixume, que, já “cotidianamente engessados com a falta de autonomia pedagógica nas escolas e cumprimento de metas” – pergunto-me qual o problema com o cumprimento de metas, aliás, mas certamente que concordo quanto aos prejuízos do sistema educacional do MEC, por motivos certamente diferentes dos do CAHIS -, os historiadores devem lamentar agora que “a Câmara Municipal, através do (não) ilustríssimo vereador Carlos Bolsonaro”, esteja tentando “empurrar o projeto Escola Sem Partido”.
O CAHIS define o projeto como defensor da terrível tese (sic) de que “as aulas deverão ser “neutras” de qualquer ideologia política, o que atinge principalmente às disciplinas de ciências humanas, como Sociologia e História, que buscam desnaturalizar e desconstruir paradigmas sociais”. Atenção, leitores; uma overdose do “marxismo paulofreirista” parece ter contaminado essa nota, a ponto de eles admitirem, sem qualquer pudor, que disciplinas como Sociologia e História não têm servido para dotar os alunos de instrumentos cognitivos, a fim de que eles tenham LIBERDADE para produzir seus próprios julgamentos. Não; o objetivo desse ensino é fazê-los “desconstruir paradigmas”. Em outras palavras, provocá-los a dirigir suas idéias em uma determinada direção, em disposição ativa, pregadora, tentando desviá-los de determinados valores e convicções – presumivelmente, aquelas que tenham sido passadas pelos pais e familiares das crianças e jovens, ou que aqueles lhes tenham tentado passar. Obrigar professores a se limitarem à sua função de ensinar e oferecer os instrumentos, em vez de dizer como os alunos devem pensar ou que opinião devem ter, que opinião é SOCIALMENTE ACEITÁVEL, sobre esse ou aquele assunto? Que absurdo! De onde tiraram uma ideia tão retrógrada? Correto mesmo é continuar lobotomizando os estudantes e formando amebas socialistas.
Isso tudo, para o CAHIS, é um exagero. Afinal, a “doutrinação política” de que Nagib e outros tanto falam não passa de “uma farsa”, já que, “mesmo que o/a educador/a tente passar suas ideologias”, o que o CAHIS havia acabado de dizer que é parte integrante de sua tarefa, “não compete em pé de igualdade com a mídia e a reprodução dos valores do senso comum, que garantem a hegemonia conservadora”. Uma vez mais nos perguntamos em que dimensão essas pessoas vivem. Hegemonia conservadora? Na mídia, na produção cultural? Que dizem eles dos inúmeros artistas que, em troca de financiamentos governamentais generosos, se vendem ao regime lulopetista? Que dizem eles dos inúmeros blogs e jornalistas que recebem polpudas quantias para multiplicar mentiras a favor do governo federal e impropérios contra todo tipo de oposição e divergência do mainstream esquerdista? Que dizem dos veículos de imprensa que hoje se abrem fortemente a todo tipo de agenda dita “progressista” – o que, por vezes, está longe de ser verdadeiro progresso – e que, desde os estertores do regime militar, abrigavam comunistas produzindo até mesmo telenovelas? Cadê a hegemonia conservadora? Como essa tal “mídia conservadora”, que não existe, pode competir, na formação dos jovens, com horas e horas em salas de aula ouvindo e absorvendo odes a Gramcis e Lenins, enquanto Hayeks e Burkes permanecem sumariamente ignorados?
“Um/uma professor/a de humanas incomoda muita gente. Vale lembrar que esse projeto tramita também em âmbito nacional, devemos nos alertar!”, exaspera-se o CAHIS. É compreensível. Realmente eles têm motivo para se preocuparem. Aprovado o projeto e efetivamente aplicado, a tendência é que percam a chance de fazer do sistema educacional um grande palanque para produzirem militontos servis e descerebrados, e cedam lugar a professores de verdade, recolhendo-se à mediocridade que lhes é de direito. O futuro do país agradecerá.

Lucas Berlanza

Acadêmico de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na UFRJ, e colunista do Instituto Liberal. Estagiou por dois anos na assessoria de imprensa da AGETRANSP-RJ. Sambista, escreveu sobre o Carnaval carioca para uma revista de cultura e entretenimento. Participante convidado ocasional de programas na Rádio Rio de Janeiro.

TCU: o forno da pizza esfria



A extensão do prazo para Dilma tentar explicar as pedaladas eleitoreiras e o sigilo de empréstimos suspeitos no BNDES foi festejada pelo governo, na semana passada, porque se acreditava que a temperatura política esfriaria, enquanto o forno da pizza esquentaria.

O que está ocorrendo é o contrário. Além da pressão para a rejeição das contas de Dilma Rousseff ter aumentado, com a entrada do PSDB na oposição, o Ministério Público de Contas junto ao tribunal agora investiga pedaladas ocorridas neste ano, em atrasos de repasses para o pagamento de seguro-desemprego.

O Antagonista

Alexandre Garcia- O dia seguinte

No domingo, encheu de gente o principal logradouro de centenas de cidades brasileiras. Desta vez, com o objetivo mais centralizado: a saída de Dilma da Presidência e a saída do poder por parte de Lula e seu PT. Um herói foi consagrado pelas multidões: o juiz federal Sérgio Moro. Nenhum político e nenhum partido foram apresentados como alternativa, embora tucanos tenham metido o bico nas manifestações de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Voz do povo, voz de Deus, a sabedoria popular antes mesmo de julgamentos em tribunais ou no Senado, já apresentou o veredicto de culpados contra aqueles que destruíram o país nos últimos anos e desprezaram as leis e os valores morais. Parece ter sido profético o título de meu artigo da semana passada, Panelas e Fuzis. Não é que no dia 13, em plena sede do governo e na cara da presidente, o senhor presidente da CUT ameaça com armas na mão e trincheiras para defender a presidente? 

Deve ter ouvido a Marselhesa sem ter entendido e nunca deve ter lido a Constituição Brasileira. E a presidente, omissa, não interrompeu o orador para afirmar, como Comandante Suprema, que as Forças armadas dispensam guerrilhas, rèsistences, partigiani, ou brigadas bolivarianas, porque estão atentas em seus deveres constitucionais de defesa da Pátria, da lei, da ordem e das instituições. Ou será que ela ficou perplexa como Bush, quando recebeu a notícia da derrubada das torres? Pelo menos não parafraseou João Goulart, em outro dia 13: “na lei ou na marra”. No domingo, a presidente apenas assistiu. Não acusou os manifestantes de golpistas. Uma estadista na presidência iria no dia seguinte ao rádio e à TV pedir desculpas pelos erros cometidos em quatro anos e pelas promessas vazias na campanha da reeleição. 

Pediria um voto de confiança até o fim do ano para corrigir os erros, enxugar o gigantesco governo, mostrar que gasta menos e aproveitaria para aplaudir de pé o que está sendo feito contra a corrupção pela Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça. Para isso, a humildade teria que vencer a arrogância. Pior é jogar-se nos braços de Renan Calheiros e sua agenda de 43 pontos, para defender-se da pauta-bomba de Eduardo Cunha. Dar as costas para o PT e entregar-se ao PMDB de Renan, Sarney, Jáder e Jucá vai significar para os manifestantes de domingo apenas a troca de seis por meia-dúzia. As ruas de domingo foram muito representativas de uma classe média que paga muito imposto, que acompanha o noticiário, que se preocupa mais com a política que com o futebol. Os que foram às ruas não tiveram condução gratuita, ajuda da Caixa Econômica, do BNDES ou da Itaipu Binacional, como foi a última marcha vinda a Brasilia de ônibus e avião para apoiar o governo. No último domingo, ninguém ganhou lanche nem camisa e chapéu. As ruas de domingo não se constituíram de claque subvencionada com dinheiro que veio do trabalho de todos. Mesmo assim, lotaram a Avenida Paulista tal como a Parada Gay ou a Evangélica. Basta comparar as fotos. E mobilizaram o país pela internet. Ainda existe aquela cidadania civilizada que tirou Collor sem quartelada nem quebra-quebra. Na lei e na ordem.

Portal Libertarianismo- O livre mercado é o melhor amigo da mulher



O capitalismo muitas vezes é culpado por muitas coisas que não é responsável. Essa é simplesmente uma realidade que nós, defensores do livre mercado, aprendemos a lidar.

Entre as acusações feitas contra o capitalismo é que ele é ruim para as mulheres. Umas semanas atrás eu discuti sobre a diferença de salários entre sexos, que geralmente é alegado como um exemplo de como o capitalismo causa discriminação contra as mulheres. Ouvimos outros argumentos como o capitalismo apóia “patriarquia” e de outro modo leva as mulheres a serem tratadas como cidadãs de segunda-classe. Na verdade o capitalismo tem feito muito mais bem para as mulheres do que mal.

Um dos melhores exemplos é a forma que o capitalismo tem tornado possível o avanço econômico feminino, principalmente sua presença crescente no mercado de trabalho. O aumento constante da participação das mulheres no mercado de trabalho talvez seja o fato demográfico mais importante dos últimos 100 anos. Dando as mulheres sua própria fonte de renda, o capitalismo deu-lhes poder de várias maneiras; por exemplo, a dinâmica de mudança do casamento permitiu as mulheres saírem de relacionamentos que anteriormente não poderiam sair. A independência econômica das mulheres transformou a família também de outras formas.

Podemos observar a participação crescente das mulheres no mercado de trabalho por dois lados, como geralmente fazemos na Economia. O capitalismo não só demandou mais trabalho feminino como também ofertou as condições que tornaram mais fácil para as mulheres fornecê-lo.
Demanda Crescente

O lado da demanda talvez seja mais óbvio. O crescimento econômico que o capitalismo gerou após a Revolução Industrial no começo do século vinte teve duas consequências. Primeiro, aumentou a demanda por trabalho em geral. À medida que os salários aumentaram e os trabalhadores (a maioria homens) tornaram-se mais ricos, eles começaram a comprar mais do que antes. A demanda crescente por produtos finais aumentou a demanda para todos os insumos que levam a eles. É claro que um desses insumos é o trabalho.

Essa demanda crescente por trabalho significou que as empresas tinham que achar mais trabalhadores em algum lugar. Uma opção era tentar desvincular os homens de outros empregos, mas a única forma de fazer isso era pagando salários maiores. A outra opção era contratar mais mulheres em empregos que anteriormente eram restritos aos homens. Na verdade isso é o que as firmas começaram a fazer no começo do último século. O resultado foi que as mulheres que antes não trabalhavam for a do lar começaram a conseguir empregos. O crescimento criado pelo capitalismo e a industrialização tornou isso possível.

O crescimento teve um segundo efeito na demanda por trabalho feminino. À medida que a industrialização progrediu e a escala de operações aumentou, o número de trabalhos auxiliares como secretárias e balconistas aumentou. Além disso, parte do aumento na demanda de consumo citada acima foi mais de serviços do que de bens. Ao invés de comprar uma galinha e abatê-la, as pessoas estavam dispostas a pagar mais pelas partes da galinha. Comer for a tornou-se mais comum, e a demanda por serviços pessoais como cabeleireiras aumentou. As mulheres podiam competir com os homens por muitos desses trabalhos de escritório e de serviço mais eficientemente que podiam por outros trabalhos físicos mais pesados. O resultado foi de mais oportunidades de trabalho para as mulheres. Por volta de 1940 a demanda por trabalho feminino era intensa o suficiente para as empresas começarem a oferecer a opção de trabalho por meio-período para satisfazer a necessidade das mulheres casadas por flexibilidade.
Trabalho Doméstico – Dispositivos para Poupar Tempo

O capitalismo também forneceu as condições que tornaram mais fácil para as mulheres satisfazerem essa demanda por trabalho. O maior problema que as mulheres casadas, especialmente com crianças, encontravam se quisessem trabalhar era cuidar da casa. Com a tecnologia disponível na virada do último século, manter a casa limpa era um trabalho integral. O período entre as guerras mundiais, entretanto, testemunhou-se o desenvolvimento de todos os tipos de novos aparelhos domésticos que reduziram significativamente o tempo necessário para limpar a casa e cozinhar. Lavar a roupa passou de um trabalho de várias pessoas por três dias para apenas uma questão de horas. Essas invenções liberaram as mulheres de muita da labuta do trabalho doméstico e tornou possível ao menos se pensar em trabalhar for a de casa (esse ponto é apresentado grandemente nesse vídeo de Hans Rosling).

As mulheres também tornaram-se crescentemente educadas, tanto no ensino médio e no ensino superior. Aqui também a riqueza criada pelo capitalismo tornou possível para as famílias bancarem a educação de suas crianças por mais tempo, incluindo suas filhas. Essa riqueza também foi suficiente para a renda das crianças se tornar desnecessária para a sobrevivência. O potencial feminino mais educado e mais produtivo significava que era mais provável das mulheres serem contratadas.

Embora dificilmente receba o crédito, o capitalismo liberou as mulheres de séculos do estigma de cidadãs de segunda-classe.

Tradução de Robson da Silva. Revisão de Juliano Torres.

Sobre o autor


Steven Horwitz

Steven Horwitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.

"A verdadeira ignorância não reside na falta de conhecimentos, mas na falta de vontade de aceitá-los." (Karl Popper)