segunda-feira, 11 de maio de 2015

DIÁRIO DA TRONCHA- Livro sobre Mujica revela intervenção de Dilma para punir Paraguai


Dilma valeu-se de espiões cubanos para convencer Mujica a expulsar paraguaios do Mercosul. Informações foram transmitidas em reunião secreta em Brasília.

Um livro dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz revela que a presidente Dilma Rousseff interveio diretamente para punir o Paraguai depois que o congresso do país votou pelo impeachment do presidente Fernando Lugo, em 22 de junho de 2012. Uma Ovelha Negra no Poder, sobre o ex-presidente do Uruguai José Mujica, é a mesma obra que revelou confidências do presidente Lula sobre o mensalão.
Lugo sofreu impeachment por mau desempenho de suas funções a nove meses das eleições presidenciais no Paraguai. O posto passou a ser ocupado pelo vice-presidente, Federico Franco. Faz parte do jogo democrático ter instrumentos para afastar presidentes incompetentes, criminosos ou corruptos. No Paraguai, tudo ocorreu em obediência à Constituição, ainda que as votações no Congresso e no Senado tenham sido muito rápidas. Apenas um deputado e quatro senadores pediram a absolvição de Lugo. No total, 112 parlamentares votaram por "la condena", pela condenação. O prazo para o presidente apresentar sua defesa foi curto, mas não violou as regras para o impeachment.
Argentina e Brasil sustentaram que o processo significava uma "ruptura democrática", apesar de ter ocorrido em conformidade com as leis paraguaias. Para punir o governo interino, os governos dos dois países decidiram expulsar o Paraguai do Mercosul. Mas o uruguaio Mujica era contra a medida. O livro de Danza e Tulbovitz revela como o governo brasileiro o convenceu a mudar de ideia e como a presidente Dilma Rousseff foi fundamental para isso.
O trecho abaixo, contido no livro Uma Ovelha Negra no Poder, foi publicado no semanário Busqueda, do qual Danza, um dos autores da obra, é diretor de redação:
Quando Lugo foi destituído pelo Senado paraguaio e antes que se celebrasse a cúpula do Mercosul para resolver as sanções, uma das pessoas de maior confiança de Mujica recebeu uma chamada de Marco Aurelio García, mão direita de Dilma.
"Dilma quer transmitir uma mensagem muito importante para o presidente Mujica", disse o funcionário brasileiro em uma mistura de português e espanhol.
"Não tem problema, vamos estabelecer uma comunicação entre os dois presidentes", foi a resposta do uruguaio.
"Não, não pode haver comunicação nem por telefone, nem por email. É pessoalmente", argumentou o brasileiro.
Um encontro tão fugaz e repentino entre presidentes levantaria suspeitas, motivo pelo qual o governo brasileiro resolveu enviar um avião a Montevidéu para transportar o emissário de Mujica à residência de Dilma, em Brasília.
Assim foi feito, e quando uruguaio chegou, Dilma estava lhe esperando em seu escritório. A conversa formal sobre questões gerais durou apenas poucos minutos porque não havia muito tempo.
"Vamos ao que interessa", interrompeu Dilma e o emissário tomou uma caderneta e começou a anotar o que a presidente brasileira informava. "Sem anotações", disse ela e fez com que ele rasgasse o papel. "Esta reunião nunca existiu".
Durante a conversa, Dilma mostrou a ele fotos, gravações e informes dos serviços de inteligência brasileiros, venezuelanos e cubanos, que registravam como foi gestado um "golpe de estado" contra Lugo por um grupo de "mafiosos" que, a partir da queda do presidente, assumiram o poder. "O Brasil necessita que o Paraguai fique de fora do Mercosul para, dessa forma, acelerar as eleições no país", concluiu Dilma.
Na semana seguinte, no início do julho de 2012, todos os presidentes do Mercosul votavam, em uma cúpula na cidade argentina de Mendoza, a suspensão do Paraguai.
LEIA MAIS:
A Constituição Federal não deixa dúvidas. Em seu artigo 4°, estão previstos os princípios da política internacional brasileira, entre eles a autodeterminação dos povos e a não-intervenção. Esses valores são evocados como um mantra inclusive para justificar a apatia do governo petista frente a violações de direitos humanos em países admirados pelo partido, como Cuba e Venezuela. Se a revelação feita pelo livro estiver correta, Dilma não se sentiu constrangida em usar informações levantadas pelos espiões desses países para intervir numa questão doméstica do Paraguai.

IL- Ivan Dauchas- Marxismo e natureza humana

Marxismo e natureza humana

Povos tribais de Papua Nova Guiné
Povos tribais de Papua Nova Guiné
Em 1989, tivemos a queda do muro de Berlin. Pouco tempo depois, veio o esfacelamento da União Soviética e o abandono do comunismo por quase todos os países do mundo. Eu me lembro bem do meu sentimento de tristeza, desapontamento e resignação à época. Aquele sonho não era factível e teríamos de nos conformar com as injustiças e perversidades do capitalismo. Surpreendentemente, tantos anos depois da utopia socialista ter fracassado, muitos intelectuais no Brasil e no exterior ainda se declaram marxistas. De um modo geral, pode-se afirmar que no Brasil as idéias de Karl Marx são bem mais familiares a intelectuais e ao público em geral do que as de Adam Smith.
É certo que o capitalismo não conseguiu resolver o problema da pobreza e da desigualdade na maior parte do mundo. Mas, particularmente, acredito que os economistas de tradição liberal, como Smith, Hayek e Friedman têm mais a oferecer no sentido de encontrarmos soluções para esses problemas do que Marx. Depois de muito estudar esse economista alemão, minha conclusão é de que Marx estava errado em quase tudo que escreveu. Seu pensamento é incoerente, obscuro e, por que não dizer, irrelevante nos dias de hoje.
Um grave problema das teorias socialistas de um modo geral, e da marxista em particular, está na crença de que podemos criar uma nova sociedade mudando as pessoas em sua essência. Adam Smith, em 1776, disse que as pessoas são naturalmente egoístas. Essa foi a pedra fundamental sobre a qual todo o pensamento liberal foi erigido. Os marxistas nunca digeriram bem essa idéia de natureza humana. Para eles, o comportamento humano seria fruto de fatores de ordem social. As pessoas são egoístas porque a sociedade capitalista de consumo as tornou assim. Isso nada mais é do que a reverberação de uma idéia muito antiga, a de que o homem é bom, mas a sociedade o corrompe.
O pensamento marxista nunca resistiu bem ao confronto com evidências do mundo real. Vejamos um caso específico. E se pudéssemos voltar ao passado, mais especificamente à pré-história, conseguiríamos encontrar uma resposta para a existência ou não de uma natureza humana? Pois bem, essa volta ao passado é possível e foi feita pelo antropólogo Jared Diamond. Após conviver durante anos com povos tribais na Papua Nova Guiné, Diamond chegou a uma conclusão que talvez desaponte muitos marxistas, socialistas e comunistas. Esses povos primitivos que não sabem o que é capitalismo e provavelmente nem mesmo o que é propriedade privada são mais violentos que as pessoas civilizadas dos dias de hoje. Segundo Diamond, era mais seguro viver na Alemanha do século XX do que entre os tais “bons selvagens”.
Povos tribais de Papua Nova Guiné
As pessoas são egoístas e isso advém da própria natureza. Não é o capitalismo que nos corrompe. Nós, infelizmente, já nascemos corrompidos. Qualquer tentativa de criar uma outra sociedade baseada na cooperação, bondade e generosidade humanas irá redundar em enorme fracasso. Isso não significa que eu seja contrário a atos de cooperação, bondade e generosidade. Eu aprovo e admiro pessoas que agem dessa maneira. Não acredito, porém, no sucesso de qualquer tentativa de moldar a mente humana e incutir esses sentimentos forçosamente nas pessoas. Os socialistas concluíram o contrário. Isso explica em parte o fracasso das economias planificadas e já é para mim motivo suficiente para rejeitar o pensamento marxista. Mas para muitos ainda não. Apesar de tantas provas de que esse sistema não funciona, algumas pessoas insistem em acreditar no socialismo. Parece que não somente o egoísmo, mas também a teimosia faz parte da natureza humana.

“Blogueiro chapa-branca, ó vendido! Quanto custa a tua consciência?” (Eriatlov)

Augusto Nunes- A morte política é o destino dos senadores que desertarem para render-se a Fachin

O que houve com Álvaro Dias?, perguntam-se os milhões de paranaenses que votaram em outubro passado num candente opositor do governo lulopetista e acabaram reconduzindo ao Congresso um aliado incondicional de Luiz Edson Fachin? Como entender que um porta-voz do Brasil decente no Legislativo se tenha transformado em cabo eleitoral do doutor escolhido por Dilma para tornar majoritária no Supremo a bancada dos ministros da defesa de culpados?
Decidido a instalar Fachin no gabinete prematuramente esvaziado por Joaquim Barbosa, o senador do PSDB assumiu sem explicões razoáveis (e sem ficar ruborizado) o papel de estafeta de um caçador de togas. Uma guinada e tanto para esse paulista de Quatá criado em Maringá que, desde a ascensão do lulopetismo ao poder, tem sido um dos raríssimos integrantes da oposição partidária em permanente sintonia com o país que presta.
Antes de escancarar-se a estranha parceria com Fachin, a bela voz de locutor de rádio, sempre afinada com a voz rouca das ruas, ensinou em centenas de pronunciamentos corajosos como falar com fluência a linguagem dos indignados. Aos 70 anos, Álvaro Dias mudou de rumo e de lado. O tribuno veemente deu lugar ao homem que murmura pedidos de votos para uma ameaça ambulante ao Estado Democrático de Direito.
Alguma coisa parece ter-lhe confiscado o instinto de sobrevivência. Em rota de colisão com centenas de milhares de manifestantes exaustos de corrupção e incompetência, Álvaro Dias se nega a compreender que o apoio a Fachin é uma forma especialmente desonrosa de suicídio eleitoral. É um pecado sem remissão. Como descobriram tarde demais os senadores Demóstenes Torres e Kátia Abreu, não existe uma segunda chance para quem acampa voluntariamente na catacumba dos que capitularam por tão pouco. Ou quase nada.
O surto de suicídios políticos assumirá dimensões endêmicas se a bancada oposicionista não enxergar a tempo a relevância da sabatina a que Fachin será submetido na Comissão de Constituição e Justiça — e, sobretudo, a importância histórica da votação no plenário que decidirá em última instância se o eleito por Dilma merece um lugar no Supremo. Não merece, saberá o Brasil se os senadores cobrarem respostas que dissipem pelo menos quatro zonas de sombra localizadas por VEJA na edição desta semana.
1) Por anos a fio, Fachin foi simultaneamente procurador-geral do estado e advogado militante. A esse acúmulo de funções, proibido pela Constituição paranaense e, portanto, ilegal, soma-se uma agravante só contornada por gente dotada do dom da ubiquidade: o duplo emprego não impediu que Fachin continuasse a dar aulas na universidade. A sabatina precisa esclarecer esse milagre da multiplicação do tempo.
2) Em numerosos artigos, entrevistas e discursos, Fachin deixou claro seu menosprezo pelo preceito constitucional que garante a propriedade privada no Brasil. Se é que mudou de ideia, por que nunca se desmentiu?
3) Fachin sempre foi ostensivamente simpático ao MST, uma velharia comunista que não tem existência jurídica. Os laços afetivos permanecem? Como estão no momento as ligações promíscuas entre quem deveria defender o cumprimento das normas legais e o bando comandado pelo fora da lei João Pedro Stédile?
4) Fachin sempre defendeu a desapropriação de terras produtivas para fins de reforma agrária, sem o pagamento de indenização aos proprietários lesados. Recuperou o juízo ou ainda é tripulante da nau dos insensatos?
Há mais, muito mais. Mas o que acima se leu informa que a presença de um Fachin no STF pode ser ainda mais ruinosa que a de um Dias Toffoli. Como ocorre agora, também os defensores do ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil e chefe da Advocacia-Geral da União garantiram que quatro ou cinco sessões do Supremo bastariam para que o novo ministro proclamasse a própria independência. Erraram feio, sabe-se hoje.
O Brasil de 2015 é outro. As multidões nas ruas avisam que não são poucos os providos do sentimento da vergonha. Contam-se aos milhões os que mantêm sob estreita vigilância os senadores eleitos para fazerem oposição. Quem trocar a oposição pelo amém ao governo não escapará do castigo reservado aos desertores.

“Quem ama não observa os defeitos? Pois digo que a minha mulher vem pra cima de mim de lupa.” (Climério)

“Caso eu ganhe na Mega tenho certeza que terei um charme dos diabos.” (Assombração)

“Ser feio para mim não é uma opção. É a dura realidade.” (Assombração)