quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Instituto Liberal-Falácias marxistas: o exército industrial de reserva

Falácias marxistas: o exército industrial de reserva

Por que existe desemprego?
Por que existe desemprego?
Imagine um mercado de limões. O preço do limão é determinado de acordo com a oferta e a demanda. Se a oferta aumenta, o preço cai. Se a oferta diminui, o preço sobe. Digamos que o preço de equilíbrio seja quatro reais o quilo. Para esse preço, não existe excesso nem de oferta, nem de demanda. Suponhamos agora que o governo, para favorecer os consumidores, estipule um preço de três reais o quilo. Qual será o resultado? Haverá escassez de limões no mercado. Imagine agora o contrário. O governo, para favorecer os produtores, tabele o preço do limão em cinco reais. O que vai acontecer? Haverá excesso de oferta, irão sobrar limões no mercado. Qual lição podemos tirar desse exemplo tão simples? Fácil, que os preços, salvo algumas exceções, devem se formar no mercado.
Esse exemplo, tão singelo, serve também para o mercado de trabalho? Sim, o mercado de trabalho não é muito diferente do mercado de limões. Oferta e demanda se ajustam em um preço de equilíbrio. O desemprego somente vai ocorrer se houver intervenção nesse mercado – seja do governo, seja dos sindicatos. Resumindo, o desemprego persistente tem sempre uma natureza institucional.
Vamos em frente. Avanço tecnológico gera desemprego? Se você respondeu sim, sugiro que volte e comece a ler o texto desde o início. A tecnologia gera transformações no mercado de trabalho, mas não desemprego. Por exemplo, até meados dos anos 1950, a maior parte da população brasileira vivia no campo. Com a mecanização da lavoura, essa mão-de-obra se deslocou para a indústria. E, posteriormente, com o avanço da automação e da robótica, os trabalhadores começaram a migrar da indústria para o setor de serviços.
Eu poderia dar vários exemplos aqui, mas vamos ficar com somente um. Como o avanço da informática impactou o mercado de trabalho? Ele criou mais postos de trabalho ou diminuiu? O avanço da tecnologia funciona sempre da mesma forma. Ele aumenta a demanda por mão-de-obra mais qualificada e diminui a demanda por mão-de-obra pouco qualificada. Com o desenvolvimento da informática, surgiu uma demanda por novos profissionais: programadores, técnicos e analistas. Por outro lado, diminuiu sensivelmente a demanda por datilógrafos e auxiliares de escritórios.
No século XIX, Karl Marx disse que o avanço da maquinaria, ou a substituição do homem pela máquina, gerava um excedente de desempregados, que ele chamou de exército industrial de reserva. Ou seja, o capitalismo, pela sua própria natureza, cria um contingente de trabalhadores inativos. Esse exército de desempregados faz com que os salários permaneçam baixos e inibe os trabalhadores empregados de reivindicarem aumentos.
Essa compreensão acerca do funcionamento de uma economia de mercado é muito tosca, mesmo levando-se em consideração a época em que Marx viveu. Não sabemos nem nunca saberemos se Marx de fato acreditava nessa tolice ou se queria ardilosamente, por meio dela, insuflar trabalhadores numa luta contra o capitalismo.
O avanço da tecnologia – ou, a substituição do homem pela máquina – não gera desemprego. Todo desemprego é gerado por normas intervencionistas elaboradas pelo governo ou pelos sindicatos.
Por incrível que pareça, a teoria de um exército industrial de reserva, de tão fácil refutação, atravessou séculos e continua viva até hoje, em pleno século XXI. Socialistas ainda costumam dizer que os trabalhadores ganham pouco porque o capitalismo gera um contingente de trabalhadores desempregados. É incrível a capacidade que o ser humano tem de criar suas próprias fantasias e acreditar nelas. Que realidade mais azeda essa! Tão azeda quanto um limão.

O Futuro sombrio que nos aguarda

Há quatro anos, depois da eleição de Dilma Rousseff, me pediram para fazer uma previsão de como seria a economia durante o governo que se iniciaria dali a pouco.  Escrevi então este artigo com as minhas avaliações sobre o futuro que nos aguardava naquele primeiro mandato.  Lendo-o agora, acho que acertei mais do que errei.  Abaixo, seguem as minhas previsões para o próximo mandato.
inflação já começa a sair de controle de forma bastante nítida.  O realinhamento das tarifas públicas – principalmente energia elétrica e combustíveis -, congeladas demagogicamente durante o ano eleitoral, combinado com a forte alta do dólardeverão impulsionar os índices de preços a patamares que não se vêem há anos, ainda que o Banco Central continue, como previsto, a aumentar a taxa de juros(SELIC).  Aliás, eis aqui um dos paradoxos da atual política econômica.  Enquanto Joaquim Levy se esmera numa tarefa hercúlea para tentar cortar alguns gastos durante o dia, o Banco Central – tal qual uma Penélope – aumenta os juros na calada da noite.  No fim das contas, malgrado devamos ter um superávit primário maior que no ano passado, não é de todo improvável que teremos um déficit fiscal nominal também maior.
Por outro lado, a Operação Lava-Jato – que além de manter presos os cabeças das principais empreiteiras do país, as torna provisoriamente impedidas de contratar com a administração pública – deverá ocasionar uma retração fortíssima nos setores da construção civil e de infraestrutura, que têm como característica serem intensivos de mão-de-obra.  Várias são as empreiteiras que já começam a demitir pessoal e atrasar pagamentos a fornecedores e bancos.
Vale destacar que, graças a uma política governamental estúpida de promoção decampeões nacionais, o setor de infraestrutura é altamente concentrado no Brasil, um oligopólio nas mãos de meia-dúzia de mega empresas cuja eventual bancarrota afetará sobremaneira toda a economia, já que, atrelado a ele, direta ou indiretamente, encontra-se boa parte da cadeia produtiva, inclusive o setor bancário, que, pelo menos até agora, tem passado incólume pelas últimas crises.
Isso sem falar na redução dos investimentos da Petrobras, o carro-chefe (talvez fosse melhor dizer carro alegórico) da economia brasileira, responsável por muitas das grandes obras em andamento no país, algumas das quais já foram descontinuadas, enquanto outras estão em processo de paralisação.  Para piorar o quadro, nosso mercado é caracteristicamente fechado, protecionista mesmo, o que dificultará a contratação de empresas estrangeiras em curto prazo, seja para substituir as grandes empreiteiras, seja para bancar os investimentos que a Petrobras não terá como fazer. Escurecendo um pouco mais horizonte, não podemos esquecer o provável rebaixamento do rating brasileiro para grau especulativo – o rating da Petrobras acaba de ser rebaixado pela Agência Moody’s -, o que tornaria ainda mais complicada a atração de investimentos estrangeiros diretos (IED).
Outro setor importante na formação do PIB que já sofre com a retração das vendas (mantidas artificialmente altas durante um bom tempo graças à ajudinha do governo) é o automobilístico, onde já pipocam greves e férias coletivas.  Pelo menos por enquanto, em razão do esforço de Levy para cortar gastos, não é prudente prever desonerações tributárias para incentivar uma nova onda de “demanda artificial” nesse segmento.
Devido à alta dos juros e à expectativa de uma recessão, é provável que aconteça alguma redução da oferta de crédito ao consumidor, que se tornará, no mínimo, mais seletivo, causando alguma retração no consumo das famílias, afetando especialmente o comércio varejista e os serviços, responsáveis pelo maior peso do PIB atualmente – nos últimos anos, era o setor de serviços, juntamente com a agricultura, que vinha compensando o fraco desempenho da indústria.
Ademais, é de se duvidar da manutenção de Joaquim Levy no cargo de ministro da fazenda por muito tempo.  Com a exacerbação do confronto político e a eclosão das manifestações de rua contra o governo, principalmente diante de um quadro econômico recessivo, é bem capaz de Dilma – a vossa presidenta economista – querer tomar as rédeas da política econômica novamente para si e proclamar a volta do desenvolvimentismo caboclo, digo, “unicampista”, pelo qual alguns próceres petistas mantêm uma veneração quase dogmática.  Aí, meus caros, seja o que Deus quiser… Some-se a tudo isso os nada improváveis racionamentos de energia e água (este último restrito à Região Sudeste), e estamos diante de uma tempestade perfeita.  Infelizmente será uma tempestade apenas metafórica e não ajudará em nada a melhorar os níveis dos nossos reservatórios.
Em resumo, não seria exagero prever que, pelo menos durante os próximos dois anos – graças às políticas populistas e demagógicas executadas irresponsavelmente nos últimos dez -, seremos vítimas de uma combinação nefasta de inflação alta e estagnação (senão recessão) prolongada.  Portanto, minha sugestão aos brasileiros precavidos é que se preparem para a carestia e o desemprego, além de muito confronto nas ruas, pois o truculento Lula já garantiu que o bolivarianismo tupiniquim não largará o osso sem rosnar.
Espero sinceramente estar equivocado, mas acho difícil.

O fim de uma democracia ou nota de solidariedade ao povo venezuelano

O fim de uma democracia ou nota de solidariedade ao povo venezuelano

Venezuela2Começo a escrever esse artigo sem decidir o seu tom. Não sei se devo usar frios argumentos ou apelar para a emoção porque, de fato, escrevo efetivamente inflamada de indignação com o que está acontecendo na Venezuela e com a cumplicidade do governo brasileiro e do povo brasileiro – não apenas os que apoiam o atual governo (pois há críticos do governo Dilma que são alinhados com a ala mais radical do PT), mas todos que ainda defendem essa maldita ideologia que justifica a ditadura na qual vive o país vizinho.
Fui dormir depois de ter visto pelo twitter o assassinato do estudante de 14 anos e tive pesadelos com a imagem da sua cabeça esfacelada. Com ele, são seis o número de estudantes assassinados com um tiro na cabeça na Venezuela em menos de dez dias. Diante do meu alarme, o meu marido me disse: “e daí, morreu ontem um aqui em Messejana (bairro da periferia de Fortaleza) e também me mandaram o vídeo. O mundo é uma porcaria.” A contra-argumentação me lembrou outra que ouvi por ocasião da minha indignação em relação aos atentados terroristas contra os cartunistas do Charlie Hebdo: “E daí? Quantas pessoas são assassinadas no Oriente Médio?”. Qual o problema dessas contra-argumentações? Elas são uma crítica velada à nossa sensibilidade natural, a capacidade humana de se indignar e de sofrer diante de uma injustiça, além de oferecer, por outro lado, um perigo de banalização do mal.
Há alguns anos, quando ainda era uma jovem estudante de graduação em Filosofia, escrevi um ensaio que abordava um episódio narrado por Camus no livro O homem revoltado. No capítulo intitulado Os assassinos delicados, o jovem terrorista, revolucionário e poeta Kaliaiev – determinado em nome da causa da revolução a atirar-se sob os cascos dos cavalos do ministro que deveria assassinar – recusa-se a matar as crianças que se encontravam na carruagem do grão-duque. Que sentimento momentâneo e imperioso foi esse capaz de impedir o desfecho ideal do ideal de uma vida? Que sentimento foi esse capaz de se sobrepor ao espírito de rebeldia e revolta? Foi o espírito de compaixão. Foi o que não teve ontem o agente da Guarda Nacional Bolivariana (KGB) que atirou na cabeça do garoto Kluiver Rua, ontem no estado de Táchira, na Venezuela. Compaixão é um sentimento do qual o atual ditador Maduro está desprovido e senso moral ou bom senso é o que está faltando aos estadistas que ainda não se manifestaram contra as loucuras desse delinquente embriagado pelo poder.
O mal não se justifica. E, nesse momento, enquanto digito, vou mudando o rumo do texto que escrevi a punho. Nas próximas linhas eu mostraria de que forma a Venezuela chegou a esse ponto, de que modo o ideal da revolução bolivariana serviu de pretexto para a destruição das instituições da democracia liberal garantida pela constituição venezuelana, cedendo lugar ao poder arbitrário de homens malucos a partir de um discurso populista hipócrita que apregoava um aprofundamento da democracia, como se a democracia não fosse essencialmente um equilíbrio incompatível com uma radicalização: um equilíbrio garantido pela divisão de poderes e pela autoridade da constituição. Tentaria em seguida mostrar como, no Brasil, o processo é semelhante e quão patética, quando não perigosa, é a encenação do espetáculo protagonizado ontem por Lula e que se chamou “ato em defesa da Petrobras”, cujo objetivo era desmoralizar a Polícia Federal, um dos poucos órgãos que atua com independência e que ainda não foi engolido pelo PT. Faria ainda notar que, caso o PT consiga o seu intento de sabotar a operação Lava Jato, dias tenebrosos virão.
No entanto, não me vem ânimo para escrever tudo isso. Meu estado de espírito é outro. Gostaria apenas de me solidarizar com as mães dos estudantes assassinados, com os estudantes que hoje vão às ruas novamente arriscar suas vidas, com as esposas e filhos dos oposicionistas sequestrados e com os guerreiros e guerreiras que, a exemplo da deputada Maria Corina Machado, vão continuar lutando. Exponho também meu total desprezo ao governo brasileiro, alertando que qualquer postura que ele venha a ter em relação a esse problema será uma concessão política à pressão da oposição porque a ideologia que cega os ativistas do PT e da qual se servem os seus dirigentes é a ideologia da justificação do mal. O mal que mais uma vez está diante de nossos olhos e cuja análise e crítica os intelectuais de esquerda deixarão para os historiadores do futuro enquanto continuarão se ocupando da nossa ditadura que passou.

Sobre o autor

Catarina Rochamonte
Doutoranda em Filosofia pela UFSCar
Catarina Rochamonte é graduada em Filosofia pela UECE (Universidade Estadual do Ceará), mestre em Filosofia pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), doutoranda em Filosofia pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos); é escritora e jornalista independente.

“Um estúpido sempre dorme bem, pois tudo o que importa é estar de barriga cheia.” (Eriatlov)

“Se você acha que sexo é ótimo, talvez você nunca tenha comido pudim.” (Fofucho)

“Religião é algo que quando não arrebenta o seu bolso faz estragos na sua mente.” (Filosofeno)

“A CNBB é um clube marxista. Clube dos sem-serventia, pois adeptos de uma causa que é contrária à natureza do ser que é coletivismo forçado. Deveriam ser postos a trabalhar de verdade e pagar impostos.” (Eriatlov)