sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

“Dilma está de férias. Devemos ficar irritados ou agradecer?” (Mim)

“Temos Dilma, o PT e o PMDB, além de outros bem menos votados. Com certeza não precisamos de mais desgraças.” (Eriatlov)

Rodrigo Constantino- Privilégio da cor


Privilégio da cor

“Os custos da ação afirmativa raramente são tão cuidadosamente analisados quanto os dos benefícios reais ou imaginados.” (Thomas Sowell)
A ação afirmativa para minorias, principalmente negros, virou uma política bastante difundida pelo mundo. É muito fácil entender o interesse político disso. Em busca dos votos dos favorecidos, os políticos garantem privilégios, enquanto o custo fica mais pulverizado entre todos os demais discriminados. Por isso a ação afirmativa, que inicialmente era para ser temporária, acaba permanente e estendida. Entretanto, as conseqüências dessas medidas, como as cotas, são totalmente desfavoráveis de forma geral, principalmente para os inocentes que pagam o preço. O jogo não é de soma zero, tirando de uns e dando para outros, o que por si só já seria imoral e racista, usando a cor como critério de seleção. A soma é negativa, com perda de incentivos e aumento de ressentimento intergrupos. Esse artigo vai tratar exclusivamente do caso americano. Vamos passar por alguns dados, assim como discursos de negros famosos.
Um dos maiores ídolos dos negros é Martin Luther King, com boa dose de mérito. Ele sempre lutou duramente para por fim ao racismo. Entretanto, alguns oportunistas estão utilizando a figura de Luther King para defender cotas, algo que ele condenou explicitamente em seu famoso discurso “My Dream”. MLK começa seu discurso enaltecendo as palavras da Constituição americana, que prega o tratamento isonômico das pessoas, considerando qualquer um igual perante a lei. Depois ele condena os atos de violência contra os negros, que eram, de fato, vítimas de absurdos nos Estados Unidos. O racismo intencional era combatido, portanto. E a passagem mais famosa e importante, diz que ele tinha um sonho de que seus quatro filhos iriam um dia viver em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo do caráter. Perfeito! Justo, íntegro e admirável. E evidentemente contra as cotas, que são justamente o oposto, um julgamento pela cor, e não mérito. Um racismo puro! Um privilégio, ou lei privada, contrariando a isonomia constitucional. Luther King deve estar se revirando de raiva no caixão…
Outro negro conhecido e completamente contrário as cotas é Frederick Douglass, que foi um dos importantes nomes do movimento abolicionista americano. Ele dizia que todos perguntavam o que fazer com os negros. Sua resposta era simples: “Nada”. Tudo que ele pedia era para que deixassem os negros em paz, dando uma chance para que se sustentassem pelas próprias pernas. Claramente oposto a idéia de cotas.
Thomas Sowell é outro negro de grande valor, e que desperta ódio por parte dos defensores das cotas. Afinal, ele é brilhante, PhD em economia por Chicago, uma das mais renomadas universidades do ramo, com diversos livros embasados sobre o tema. Tudo isso foi conquistado por esforço próprio. E é negro! Por isso a raiva dele. Um sujeito que condena totalmente o regime de cotas, e é um exemplo vivo do mérito individual, não pode conquistar os que desejam privilégios estatais para subir na vida! Creio que esse seja o mesmo motivo do desprezo pelo caso japonês, cujo povo estava devastado após a guerra, mas recuperou-se de forma impressionante pelas próprias pernas. Quem defende cotas não gosta de exemplos de sucessos individuais. Querem a caneta do Estado para privilégios.
Partindo para alguns dados sobre a ação afirmativa nos Estados Unidos, podemos verificar se o belo discurso se concretiza na prática, ou se a situação piora de fato. E vamos lembrar que lá existiu a Ku Klux Kan, que até 1960 negros não podiam nem mesmo freqüentar lugares exclusivos para brancos, e que na época da abolição apenas 6% dos indivíduos livres eram “de cor”, contra cerca de metade no Brasil, que não tem nada parecido com esse racismo. Ainda assim veremos que as cotas não se justificam de maneira alguma, nem mesmo lá.
As políticas de ação afirmativa começaram mesmo na década de 1970 nos Estados Unidos. A Lei dos Direitos Civis de 1964 obrigava ainda direitos iguais para todos, e o termo “discriminação” foi precisamente definido como ações intencionais de um empregador contra indivíduos, e não diferentes resultados de testes ou exames específicos. As cotas eram ainda inexistentes. E mesmo assim, nos adultos entre 25 e 29 anos de idade, a diferença negro-branco de escolaridade era de quatro anos em 1940, tendo caído para menos de um ano no começo de 1970, ainda sem cotas. Durante a década de 1970, a taxa de pobreza entre as famílias negras caiu de 30% para 29% apenas, enquanto do pós-guerra até 1970 essa taxa foi de 87% para 30%. Ou seja, o grande avanço dos negros se deu antes de qualquer medida de cotas.
Durante o período de 1967 a 1992, a maior parte do qual na era da ação afirmativa, os 20% do topo da lista de negros de maior renda tiveram suas receitas acrescidas quase na mesma proporção de seus equivalentes brancos, enquanto os 20% últimos tiveram seus rendimentos reduzidos numa proporção duas vezes maior que seus equivalentes brancos. As cotas acabam beneficiando os que já são mais ricos dentro do grupo privilegiado, enquanto prejudicam os mais humildes. Foi assim em todos os países que adotaram tal regime.
Um exemplo que era sempre escolhido para justificar a ação afirmativa é o caso de Patrick Chavis, um jovem negro que ingressou pelas cotas na faculdade de medicina da UC, na Califórnia. Chavis foi praticar a medicina numa comunidade negra, e foi considerado um exemplo do que devia ser a ação afirmativa. Sua licença para praticar a medicina foi suspendida pela junta médica, pela morte suspeita de um de seus pacientes. A junta citou sua “incapacidade para realizar algumas das tarefas mais simples de um médico”. Sua licença acabou revogada. Quem antes usava o caso de Chavis como exemplo do sucesso das cotas, mudou radicalmente o discurso, afirmando que um caso isolado não prova nada. De fato, não prova. Infelizmente, não é um caso isolado. E a lógica explica, já que se o aluno tem capacidade para se formar de forma decente, deveria ter também capacidade para entrar sem cotas, estudando mais.
Os defensores das cotas fogem desesperadamente das comparações com outras minorias, como os asiático-americanos. Vivendo em situação precária no começo, essa gente conseguiu crescer sua renda de forma ainda mais expressiva que os negros, sem nenhuma cota. Tiram notas acima dos americanos brancos, na média. Será que os americanos deveriam ter cotas para proteção contra os asiático-americanos? Nenhum defensor de cotas gosta de falar sobre o caso dos asiático-americanos. Não é difícil entender o porquê disso.
Na verdade, não importa o malabarismo estatístico, a distorção conceitual e a manipulação de dados. Os fatos não mudam! As cotas acabam custando muito mais caro que se imagina. Os resultados concretos são negativos, quase sempre. E moralmente falando, nada justifica tamanho racismo! Criar um privilégio apenas por causa da cor da pele. Nada mais absurdo!
Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.

Rodrigo Constantino- O culto do multiculturalismo


O culto do multiculturalismo

“Uma cultura só tem importância se for boa para os indivíduos”. (Kwame Anthony Appiah)
Uma das maiores ameaças à liberdade individual atualmente encontra-se no culto do multiculturalismo. Vários autores notaram este risco, entre eles Thomas Sowell, da Escola de Chicago. Em sua coletânea de textos Barbarians Inside the Gates, Sowell lembra que o mundo sempre foi multicultural, por séculos antes de o termo ser cunhado. Tratava-se de um multiculturalismo num sentido prático, diretamente oposto ao que o atual culto dos relativistas culturais prega. Como exemplos, Sowell lembra que o papel onde seu livro foi escrito fora inventado na China, as letras vieram da Roma antiga e os números da Índia, através dos árabes. O autor é um descendente da África, que escrevia enquanto escutava música de um compositor russo.
A razão pela qual tantas coisas se disseminam pelo mundo todo está no simples fato de que algumas coisas são consideradas melhores que outras, e as pessoas desejam o melhor para si. Esta obviedade é justamente o contrário do que o credo do multiculturalismo atual defende, alegando que nada é melhor ou pior, mas “apenas diferente”. Na verdade, as pessoas mundo afora não apenas “celebram a diversidade”, elas escolhem aquilo de sua própria cultura que desejam manter e aquilo que preferem abandonar em prol de algo melhor vindo de fora. Quando os índios americanos, por exemplo, viram os cavalos dos europeus, eles não se limitaram a “celebrar a diferença”, eles começaram a montar em vez de ir andando. À contramão do que o culto do multiculturalismo defende, as pessoas não buscam viver “em harmonia com a natureza”, e sim obter o melhor que puderem. Eis o motivo pelo qual, desde automóveis até antibióticos, os bens demandados se espalharam pelo mundo. Não importa o que os filósofos do multiculturalismo dizem, é isso que milhões de pessoas fazem.
Para Sowell, este tipo de multiculturalismo moderno é uma dessas afetações que algumas pessoas podem se dar ao luxo de ter enquanto estão usufruindo de todos os frutos da tecnologia moderna. Normalmente não são pessoas pobres vivendo em países muito atrasados que bradam sobre as “maravilhas” das diferentes culturas. São “intelectuais” de países desenvolvidos que olham com desdém para os processos que tornam possível a produção de todo tipo de conforto que desfrutam.
Uma cultura é, segundo a definição da Enciclopédia Britânica, um padrão integrado de conhecimento humano, crenças e comportamentos que são resultados da capacidade humana de aprendizagem e transmissão de conhecimento para as gerações seguintes. Cultura consiste então em língua, idéias, crenças, costumes, códigos de conduta, instituições, ferramentas, técnicas, rituais, arte, símbolos etc. A cultura de um povo pode evoluir com o tempo. Cultura se aprende. Os relativistas culturais tentam logo acusar de “nazistas” aqueles que conseguem enxergar objetivamente instituições e costumes superiores – ignorando que Hitler falava em superioridade racial dos arianos, algo que seria inato, não aprendido. O conceito de raça humana sequer faz muito sentido. Já estoque de conhecimento, instituições, valores e avanços não só existem e variam muito de cultura para cultura, como uns são bastante superiores a outros. Ou será que alguém realmente acredita que a cultura da Suíça é apenas “diferente” daquela existente no Zimbábue, e não melhor? Será que os costumes de sacrifício infantil praticados pelos incas seriam atualmente vistos como “apenas diferentes” pelos relativistas culturais? Como conciliar isso com a demanda por um código de direitos humanos universais?
Algo inerente aos relativistas culturais, pelo fator contraditório de suas crenças, é o constante uso de dois pesos e duas medidas. Ao mesmo tempo em que relativizam todas as barbaridades provenientes da cultura atrasada que pretendem defender, esquecem o relativismo e partem para a objetividade de julgamento na hora de condenar as culturas que detestam – normalmente as mais avançadas e livres. Assim, cortar o clitóris passa a ser apenas uma “diferença cultural”, como colocar um brinco na filha. Mas o “consumismo” ocidental é algo podre, que deve ser combatido, e não apenas uma “diferença” de valores. Uma cultura que prega a morte de “infiéis” é apenas uma cultura “diferente”, enquanto se um país for se defender dessa ameaça, sua “cultura belicosa” passa a ser repugnante. Os relativistas fingem não perceber que se “tudo vale”, porque nenhuma cultura é superior a outra, então um povo pode alegar ter como valor supremo em sua cultura o extermínio de outras culturas. Com qual critério objetivo um relativista consegue julgar algo, se tudo não passa de “diferenças culturais”? Quando os relativistas culturais alegam, por exemplo, que nenhuma cultura está num estágio inferior e que seus costumes são “apenas diferentes”, estão sendo coniventes com a prática nefasta de matar por apedrejamento uma mulher cujo único “crime” foi ter cometido adultério. Queiram ou não, o fato é que os adeptos desse culto do multiculturalismo são cúmplices dessas barbaridades.
O filósofo Kwame Anthony Appiah explicou de forma bastante objetiva os riscos da visão coletivista da cultura, em detrimento ao direito de livre escolha individual. O autor, nascido em Gana, é Ph.D. pela Universidade de Cambridge e lecionou em Harvard e Princeton, além de autor do livro Cosmopolitanism, onde defende que a globalização fez bem às culturas regionais. A globalização não uniformiza, diversifica. A reclusão é que exaure a inspiração. Culturas fechadas estão fadadas ao insucesso. Basta comparar a diversidade nos Estados Unidos, com inúmeras culturas diferentes convivendo lado a lado, com a maior homogeneização de uma Coréia do Norte, isolada do mundo.
A população deve ter a liberdade de escolha de quais produtos culturais deseja consumir. Appiah dá o exemplo das camisetas que os africanos usam, deixando de lado suas roupas coloridas tradicionais. Se as camisetas cumprem a função de cobrir o corpo e são mais baratas, que mal há em deixar as vestes tradicionais para ocasiões especiais apenas? Tirar o direito de escolha dos indivíduos em nome da “preservação cultural” beira o desumano, e normalmente quem pensa assim está longe, no conforto justamente de culturas mais liberais. O mesmo vale para o resto dos produtos existentes. Os indivíduos devem ser livres para decidir qual filme desejam assistir, quais músicas querem escutar ou qual comida pretendem comer. Quanto mais liberdade de mercado, com abertura para diferentes países e culturas, maior o número de opções disponíveis. Appiah chama de “preservacionistas culturais” aquelas pessoas com bom padrão de vida em algum país ocidental, normalmente, que olham para as culturas diferentes e exóticas como algo interessante, bonito, que deveriam ser mantidas para sempre da mesma forma. Mas, como Appiah diz, “se o costume é ruim para o bem-estar de uma grande parcela daquela população, o fato de fazer parte da cultura não é motivo para insistir no erro”.
O foco deve ser o indivíduo e sua liberdade de escolha, não a tribo, a nação ou a cultura. A cultura não é um fim em si, mas um meio para a felicidade dos indivíduos. E cada um deve ser livre para escolher como quer buscar sua felicidade. Eis justamente o que o culto do multiculturalismo deseja impedir.
Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.

Alexandre Garcia- Bola de Neve

O PT completou 35 anos de existência nesse 10 de fevereiro. Nunca antes na história desse partido ele esteve tão acuado. Não foi quando Lula perdeu para Collor ou para FHC, ou quando apareceram os primeiros escândalos nos Correios, nem ao longo do demorado processo do mensalão. Lula teve sempre o condão de Fênix para reerguer o partido dos escândalos em que se meteu. Mas o que se notou nas comemorações do aniversário, foi a saudade dos tempos fáceis em que era oposição; saía para as ruas com o “ Fora Collor” e o “Fora FHC”, sem jamais chamar isso de golpismo. Sempre acusou os tucanos de quererem privatizar a Petrobras. 

Agora chama os opositores de golpismo e se apropriou da petroleira que seria do povo. A reação está na última pesquisa Datafolha. Assalariados com menos de dois salários-mínimos, que julgavam o governo Dilma bom e ótimo num percentual de 50%, agora dão só 27% de aprovação. Na pesquisa, 70% pensam que a presidente sabia da corrupção na Petrobrás. 60% dizem agora que ela mentiu na campanha. Após pouco mais de três meses de ter sido eleita em segundo turno por 38% do eleitorado, 44% dos entrevistados pelo Datafolha julgam seu governo ruim ou péssimo e apenas 23% aprovam. O PT, que era pedra, virou vidraça. 

O juiz federal Sérgio Moro afirma que a corrupção continuou mesmo depois de lançada a operação lava-jato. Meu amigo que foi presidente da Bolsa do Rio e da Interbrás e secretário da presidência da Petrobrás me conta que o pior poderá de vir dos Estados Unidos, para onde foi o procurador-geral Rodrigo Janot. Os procuradores americanos, que são escolhidos por eleição, podem bloquear os bens da Petrobras e mandar prender diretores e conselheiros da empresa quando puserem os pés nos Estados Unidos. E as investigações, por lá, em defesa dos acionistas americanos, são rigorosas e acima de interesse político. 


Pesquisa recém divulgada pela Universidade Vanderbilt, dos Estados Unidos, com 50 mil entrevistas na América latina, mostra que os eleitores jovens da região, com menos de 25 anos, consideram justificável intervenção militar para combater a corrupção. Não para o Brasil, que, no caso Collor, demonstrou que pode tirar um presidente dentro da lei e da ordem, ainda que seja por uma simples Fiat Elba. Hoje, só a propina que um diretor da Petrobrás mandou pagar ao PT, equivale a 560 milhões de reais – ou a 22 mil Fiat Elba. É uma bola de neve que todos os dias rola mais, ladeira abaixo, aumentando de tamanho. 

CONVERSA DE BAR

-- Descobri que está assim de bandido tentando entrar no PT!
- Por que eles querem entrar no partido?
- Por que bandido petista passa pela prisão, mas não fica.

PARA O DELEITE DOS SEUS PARVOS ELEITORES- FOLGADA, DILMA IGNORA CRISE E JÁ ESTÁ NA PRAIA DE ARATU PARA DESCANSAR DURANTE O CARNAVAL