domingo, 31 de agosto de 2014
Artigo de Neil tomando suco de laranja Ferreira, publicado na sexta, 29, no Jornal do Comércio, de São Paulo
Eu não vi o debate da Bandeirantes por alguns motivos que considero legítimos:
(1) Acho que cada candidato prega para seus fiéis.
(2) Duvido que o debate faça com que o eleitor de um candidato mude para outro; pra mim os indecisos, brancos ou nulos que já se decidiram pela Santa Marina, não mudam para Dilma ou Aécio.
(3) Já declarei neste espaço que este DC me permite usar, que meus votos vão para Aécio, Alckmin e Serra e não os mudarei em nenhuma hipótese.
(4) Duvidei, e acertei, que nenhum candidato prensaria a Santa Marina sobre o laranjal implicado na propriedade do avião acidentado, que a transformou na candidata que estourou na pesquisa do Ibope e, imagino, que também estourará no DataFalha de hoje.
Um Psedista disse: “A documentção estava dentro do avião e queimou” (sic), ara ara sô.
Santa Marina saiu do debate como legítima Padroeira do Laranjal e assim vai continuar. Não acredito que nenhum candidato terá coragem de prensá-la sobre qualquer tema: temem que a encostar na parede poderá parecer abuso de força contra sua falsa fragilidade, muito bem explorada pela imagem que vende na tv.
Ela continuará a favor de tudo, até FHC se juntando a Lula, não saberá explicar claramente sua posição com relação a qualquer tema que qualquer candidato tem obrigação de se pronunciar.
Apenas sei que ela é a favor do decreto da Dilma que, aprovado, poderá criar a censura do pensamento ainda livre e da existência da imprensa não amansada, neste nosso “país dos mais de 80%”.
Peço licença e tocar nuns assuntos que raramente são lembrados devido, repito, à falsa fragilidade da imagem que Santa Marina explora na tv, com habilidade marqueteira:
Sua carreira de política profissional (nunca foi outra coisa na vida) foi construída sobre um palanque construído sobre dois caixões: (1º) o de Chico Mendes e (2º) o de Eduardo Campos.
E, como Lula, explora uma pobreza de marré marré de si e analfabetismo e pés descalços na infância e adolescência. Respeitamos seu esforço para vencer situação tão dramática, como respeitamos o de Lula.
Foi senadora pelo Acre, estado em que perdeu a eleição de 2010, apanhando uma sova do Serra e da Dilma. Ela teve a cara de pau de explicar que “ninguém é profeta na sua terra”. Mas recebeu no total surpreendentes 20 milhões de votos e ficou em 3º lugar.
Evangélica, acredito que sincera, aparece, me parece, como uma personagem messiânica, tocada por Deus para salvar o Brasil, trocando seu comando de seis por meia dúzia. Eleita, será o PT do B vencendo o PT .
Santa Marina confessou-se lulopetista ao “deixar” o PT, numa carta a Lula, afirmando “deixo a nossa casa mas continuamos no mesmo bairro” (sic). “Saiu” para organizar o PT do B, vulgo “Rede de Sustentabilidade” (sustentabilidade dos Petistas do B), partido que não conseguiu formar por falta de público.
Foi petista de carteirinha, militando no partido por mais de 30 anos; foi ministra do Lula por 5 anos. Perto do epicentro do Mensalão, não abriu os santos ouvidos, não ouviu nada; nem os santos olhinhos, não viu nada; e nem o santo biquinho, não trinou nada.
Falei dela em certa ocasião: “uma vez petista, sempre petista” e uma leitora me chamou de antissemita porque, na opinião dela, eu teria querido dizer “uma vez judeu, sempre judeu”; não se pode relar na Santinha nem com uma rosa. Parece o Neymar, encostou, caiu. Vivendo e aprendendo.
Viu, com toda certeza, o seu correligionário Tião Viana, petista governador do Acre, despachar para o sul como lixo humano os haitianos “importados” a troco de alguns lanches e títulos de eleitores, imagine pra votar em quem. Também não ouviu nada, não viu nada, não falou nada.
Mesmo depois de deixar o governo e por muito tempo, seu marido nadou de braçada no governo do Tião Viana, supostamente com carregamentos de mogno e outras madeiras nobres, não sei havidas como (sei) e nem destinadas para não sei quais destinos (sei).
A suposta mamata foi temporariamente suspensa pois apareceu a possibilidade de posteriores mamatas maiores ainda, certamente asseguradas pelas pesquisas primeiro do DataFalha e depois do Ibope, mais o “tracking” dos partidos adversários. Tem outro DataFalha hoje.
Há mais e mais graves indícios de que a Santa Padroeira dos Laranjais é um perigo para o nosso já quase falido país: ela não tem a menor experiência em exercer cargos executivos.
Não será nada melhor do que a Dilma, que é esse desastre em que vivemos e que correremos o risco de piorar. Num 2º turno de PT x PT do B, nós perdemos.
Tomo a liberdade de citar uma frase atribuída a Montesquieu: “(Numa democracia, com o voto livre e direto) Cada povo tem o governo que merece”.
Prezamos o sistema democrático, respeitamos a vontade da maioria ainda que reeleja a maior corrupção nunca antes vista neçepaíz, ou que eleja mais do mesmo. O voto popular lá os colocou e só o voto popular poderá tirá-los de lá.
Mas não aceito essa passação de mão na cabeça do povo; é do povo a responsabilidade da escolha de um governo mensaleiro ou talvez pós-mensaleiro purificado, da Santinha do Pau Oco Padroeira dos Laranjais.
Neste momento, do Ibope de anteontem e certamente do DataFalha de hoje, estou com Aécio, minoria ocasional e não mudo meu voto.
Aprendi aritmética com uma certa dificuldade mas o que aprendi não esqueci: Santa Marina Padroeira dos Laranjais chegou nos 29 pontos no Ibope e com toda certeza repetirá a façanha no DataFalha de hoje.
Faço as contas juntando meus 10 dedos (tenho mais do que 9). Santa Marina com todos seus laranjas, roubou apenas 1 ponto do Aécio e uns 3 ou 4 da Dilma, então 25 ela foi buscar nos indecisos e votos em branco – na minha opinião ela bateu no teto.
A Padroeira dos Laranjais não cresce mais (minha esperança). Dilma não cresce mais (minha certeza: quem cresce é o candidato de verdade que aparece nos programas da tv, o Da Çilva).
Aécio cresce, se apresentar um discurso de oposição, forte o suficiente para levar para a urna os seus eleitores e os ainda simpatizantes e que se contraponha ao festival de mentiras do qual já é alvo. E simples o suficiente para que seja compreendido por parte do “país dos 80%”. É minha esperança, mas precisamos agir, quem espera nunca alcança.
Santa Marina Padroeira dos Laranjais e Dilma, PT x PT do B: quanto pior, pior.
Felipe Moura Brasil- Nelson Motta, Mainardi, Marina e eu
O artigo “Como uma onda“, de Nelson Motta, sobre a candidata Marina Silva publicado hoje no Globo é uma mistura – não vou dizer voluntária; apenas constato as semelhanças de ideias – do que venho escrevendo aqui com o que Diogo Mainardi escreveu na Folha, e estou de acordo com ambas as partes. Mas tenho pequenas considerações sobre os acréscimos de Nelson.
Escreve ele – e eu vou comentando:
“Os marqueteiros sempre dizem que o eleitor vota mais levado pela emoção do que pela razão, e Marina Silva não precisou de uma campanha de marketing para provar que eles estão certos.”
Claro que precisou. E o próprio Nelson vai descrevê-la.
“Entre os 70% dos que estão insatisfeitos e querem mudanças, boa parte está encontrando nela uma esperança que, apesar de seu passado petista e da senilidade do PSB, não tem o ranço partidário que nauseia o eleitor.”
Está encontrando justamente porque o marketing é bom e fisgou o anseio do povo em benefício de Marina, cujo ranço partidário se dilui em braços partidários dissimulados como a Rede.
“Ninguém é bobo [o] bastante para acreditar numa ‘nova política’, mas qualquer coisa diferente da atual já seria um grande avanço.”
Claro que há bobos o bastante. Há dezenas de milhões deles no Brasil. Houve bobos o bastante para acreditar na bandeira da “ética na política” com a qual o PT subiu ao poder; e há bobos o bastante para acreditar na “nova política” de Marina Silva, de modo que cabe à camada intelectual da sociedade mostrar que é o velho embuste de sempre. De resto: qualquer coisa diferente da política atual NUNCA é necessariamente um avanço, como não foi nos Estados Unidos, por exemplo, depois que bobos o bastante – eles estão por toda parte e os marqueteiros vivem de explorá-los – acreditaram no “Yes, we can” de Barack Obama.
Como anotei no Facebook na noite do debate da Band:
“Ao reconhecer os méritos e as conquistas dos governos FH e Lula e se apresentar como uma terceira via para a polarização PT x PSDB, que divide e atrasa o país, Marina atinge em cheio o eleitor que quer mudanças feitas por alguém com autoridade, legitimidade, honestidade e competência.”
E o nome disso que faz Marina “atingir em cheio” o eleitor, como eu havia descrito ontem, é justamente… marketing:
“Muito dificilmente, ela terá condições políticas para fazê-las [as mudanças], mas quem acredita que Dilma ou Aécio terão, com os seus partidos carcomidos e suas tropas políticas destruindo e sabotando uns aos outros?”
Eu acredito, registro, que o PT de Dilma pode mudar – e decerto mudará, em caso de reeleição – o Brasil para pior, como deixa evidente a assinatura do decreto 8.243, apoiado por este suposto exemplo de “autoridade, legitimidade, honestidade e competência” que é Marina Silva. ”No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares”, como escreveu Reinaldo Azevedo, referindo-se à turma de Gilberto Carvalho. O decreto, lembro eu, disciplina a participação no governo federal brasileiro dos “movimentos sociais” controlados e financiados pelo PT, subordinando o povo e a gestão pública a uma falsa “sociedade civil” constituída pela “companheirada”, incluindo a turma do MST, movimento do qual Marina veste o boné, como uma autêntica petista de raiz que também pode, portanto, mudar o Brasil para pior.
“Para quem não aguenta mais ter que escolher entre o preto e o branco, Marina oferece a opção de 50 tons que vão do verde ao vermelho, passando pelo azul.”
No caso de Marina, mais certo é dizer verde por fora e vermelho por dentro. E talvez laranja, em homenagem à rede de empresas fantasmas envolvidas na compra do avião do seu partido, o PSB, pago com caixa dois.
“Se a onda crescer e for eleita com uma votação avassaladora, Marina certamente receberá ofertas de apoio de todos os lados, querendo participar do poder, com as melhores ou piores intenções, e poderá escolher para seu governo os mais competentes de diversas filiações partidárias.”
Este é o trecho relativo ao texto do Mainardi, que escreveu: se Marina ganhar, “voluntários de todos os partidos irão oferecer seus préstimos, e ela, agradecida, aceitará, claro. Assim como aceitará a serventia e a cumplicidade daqueles que, até hoje, sempre lucraram com Dilma e o PT: no empresariado, no sindicato, na cultura, na imprensa.”
Estamos de acordo neste ponto. Mais um traço da velha política de Marina.
“OK, é um sonho, todos sabem que esse papo de governo de união nacional é furado, porque eles gostam mesmo é de partilhar o butim do presidencialismo de cooptação, mas, com Marina poderosa e uma eventual pressão da opinião pública, que os políticos tanto temem, talvez tenhamos alguma chance de virar o jogo.”
Ok. Eu já impliquei com o “ninguém é bobo o bastante”. Não vou implicar com o “todos sabem”.
“Enquanto isso, insones e febris, marqueteiros petistas e tucanos e blogueiros de aluguel quebram a cabeça para encontrar uma forma de desconstruir Marina, garimpando, ou inventando, algo de podre na sua vida pública ou privada.”
Para Nelson Motta e boa parte da imprensa, como se vê, Marina é a única candidata autêntica que não precisa de marqueteiro. Ela é a Rainha da Floresta, com seus “50 tons que vão do verde ao vermelho, passando pelo azul”, sua “autoridade, legitimidade, honestidade e competência”, enquanto os marqueteiros dos outros tentam denegrir essa pureza messiânica.
Que blogueiros de aluguel do PT vão intensificar os ataques a Marina conforme ela ameace a vitória de Dilma, não há dúvida. Mas que a candidata tem explicações a dar – se é que isto é possível – sobre os (laranjas) podres do avião do PSB, o apoio ao decreto 8.243, a reprovação contundente que sofreu daqueles que realmente estiveram sob seu governo no Acre, o embuste de sua “nova política”, e o ódio a São Paulo e aos paulistas devotado pelo seu marido, Fábio Vaz, para quem os mais ricos – à exceção dos eleitores de Marina, como constatou Reinaldo – têm na “maioria das vezes o desprezo, o preconceito e a prepotência com seu semelhante”, sendo que a elite de São Paulo maltrata os nordestinos, “bem vindos [sic] apenas para suprir o exército de força de trabalho” em serviços subalternos, tampouco resta dúvida.
É lulice demais para um casal só.
Nelson Motta está longe de ser um Ricardo Noblat, acusando de má-fé quem quer vencê-la no “tapetão”, mas, colocando na conta de “marqueteiros insones e febris” e “blogueiros de aluguel” as tentativas necessárias de se descobrir o que há por trás da imagem – ela própria marqueteira – de Marina, também acaba dando uma contribuiçãozinha para a blindagem moral da candidata.
De certo, só que nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará. Quem viver verá.
De certo, só que não falta mesmo quem, voluntária ou involuntariamente, faça marketing de Marina Silva na imprensa acusando o marketing dos outros. E funciona.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil
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