quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

MUNARO

Munaro era um homem pequeno que se tornou triste. Viúvo recente, não tinha mais prazer na vida. A depressão foi tomando conta do pequeno corpo dele; os remédios não o ajudaram.  Por fim, no último domingo ele deu cabo da vida se enforcando num bonsai.

PORTO FINAL


Sentado na sua cadeira de palha absorto está o ancião Demétrio
Dentro do seu cérebro colidem lembranças do passado
Lágrimas
Emoções
Alegrias
Urubus e pássaros azuis
Navegar foi preciso e Demétrio navegou
Encarou seus medos e seguiu em frente
Agora seus olhos brilham relembrando os mares da vida percorridos
Enquanto espera para ancorar no porto final.

HAIKAI

Para ser um petista
Não precisa de nada
Nem de neurônios.

HAIKAI

Amo os animais
Até mesmo os peçonhentos
Pois nenhum deles mata por dinheiro.

HAIKAI


Criança sem disciplina
Dia menos dia
Faz os pais gastar com advogados.

O HOMEM NU E A BARATA


Roberto dormia nu enquanto uma barata passeava sobre  seu corpo. Ainda sonolento sentiu o toque de bicho nojento na sua pele e instintivamente mandou um tapa daqueles do vivente trocar de orelhas. Errou do bicho e acertou em cheio o próprio saco. Caiu da cama gritando de tanta dor. A barata estava rindo quando o corpo dele tombou sobre ela. Ploc! Ponto para o peludo com dor nos ovos.

O GRANDE TALENTO



Naquele dia Paulo resolveu mudar de vida. Já estava com trinta anos, o momento era aquele. Ou agora ou nunca! Tinha que ser, não dava mais para esperar. O plano estava feito, não mudaria de ideia. Iria sem falta procurar a TV local para mostrar o seu talento excepcional. A ansiedade foi tanta que quase teve um ataque.
Então foi. Entrou gritando no escritório da TV ALIANÇA: eu sou um pássaro, eu sei voar! Eu sou um pássaro, eu sei voar! Quero uma chance para mostrar! Todos pararam. Mais um louco, pensaram. Queria ele ser apresentado ao diretor artístico, sem perda de tempo. A secretária da presidência chamou os seguranças conforme determinou o diretor administrativo. Deveriam colocá-lo para fora do prédio. Ele não se deu por entregue. Antes da chegada dos brutamontes bateu os braços e saiu voando pela janela. Sorte dele que estava no térreo.