sábado, 21 de setembro de 2019

SÍLVIO


O pensamento em fogo de altas labaredas. O vento forte, o mar revolto, sentado na ponta do trapiche um Sílvio sem forças. Suas lágrimas misturadas ao sal, o frio que doía bem menos que o tridente cravado em seu coração. Sem rumo, sem foco, sem nada, esperando o tempo ficar velho. Então acobertada por uma chuva formidável, veio navegando sobre uma onda brava uma bela sereia. Toda cheia de encanto e ternura carregou Sílvio em seus braços mar adentro, levando ele para o recanto da eterna mansidão.

ANASTÁCIO E SATANÁS


Anastácio é muito forte, corajoso e adúltero. Na verdade mais forte que adúltero. Certa noite ao se levantar para ir ao banheiro foi interceptado no corredor pelo próprio Satanás, cuspindo fogo e dizendo com sua voz quente e rouca que veio buscá-lo. Anastácio deu-lhe um tranco e levou o dito até a cozinha. Lá tapou a boca do maldito com fita adesiva, colocou rolhas nas narinas e ouvidos. E para completar o serviço enfiou na bunda do safado uma espiga de milho. E perguntou para ele rindo: “E agora, cabron vermelho, vais soltar labaredas por onde?

MALDITO ATRASO


Libertários, uni-vos!
O estado sugador
Incrustado de parasitas
Protege e realimenta o ciclo
Da servidão contribuinte
O monstro faminto
Não sacia a sua fome destruidora
De empregos
De sonhos
De um futuro promissor
Precisam os homens de visão
Sair de suas poltronas
E dar um basta definitivo
Nesta herança maldita que nos atrasa.

E como diz minha avó noveleira: “Nossos políticos são todos mal inflacionados.”


“Concordo que fui um pouco mimado pelos meus pais. Sou filho único.” (Bilu Cão)


“Sempre fui uma mulher de poucas virtudes e de muitos assanhamentos.” (Eulália)


“Conhecendo alguns humanos como conheço pergunto por que os porcos não são mais considerados.” (Filosofeno)