sexta-feira, 9 de agosto de 2019

DO BAÚ DO JANER CRISTALDO- quinta-feira, junho 28, 2007 O ÓDIO NÃO PODE MORRER

Nem sempre os jornais trazem notícias ruins. Hoje, temos duas boas. No Egito, conforme despacho da BBC, foi anunciada a proibição completa da ablação do clitóris. E nos Estados Unidos, a Suprema Corte considerou nesta quinta-feira que as escolas públicas não podem utilizar os chamados programas de ação afirmativa para garantir a mistura racial nos estabelecimentos. Jornalismo vive de desgraças. Não é todos os dias que os jornalistas podem nos oferecer notícias como estas.

No Egito, uma menina morreu durante a ablação do clitóris, o que provocou uma série de protestos populares. Um porta-voz do Ministério da Saúde disse que nenhum médico está permitido a executar a operação em estabelecimentos públicos ou privados. Ainda segundo a agência britânica, os que infringirem a lei serão punidos. Estudos recentes estimam que cerca de 90% das mulheres egípcias já tiveram o clitóris extirpado.

A notícia é boa, mas nela não podemos depositar muita fé. Quando os machos egípcios castram 90% de suas mulheres, não será uma determinação de ministério que acabará, do dia para a noite, com a prática abominável. A cirurgiã que conduziu o processo em que a garota faleceu foi presa. Já é um avanço.

Neste dias em que os defensores de cotas para negros nas universidades brasileiras estão tomando posturas agressivas, a notícia vinda dos States nos toca mais de perto. "A procura de um objetivo pelas escolas (a integração racial) não quer dizer que elas sejam livres para empreender uma discriminação com base na raça para atingi-lo", disse o presidente da Corte, John Roberts, na decisão tomada por cinco votos a quatro.

O racismo negro estava tomando proporções caricaturais nos Estados Unidos. Em Seattle a raça foi o critério que impediu 300 adolescentes (200 brancos e cem negros, latinos ou asiáticos) de ingressarem nas escolas de sua preferência, que tinham mais candidatos do que vagas. Em Louisville, um menino não pôde entrar no maternal mais próximo de sua casa, onde restavam vagas, porque no estabelecimento já havia brancos demais.

A decisão da Suprema Corte americana terá alguma influência na política de cotas no Brasil? Duvido. Do Primeiro Mundo, só importamos o pior. Do melhor, nem queremos ouvir falar. É a velha vocação comunista da América Latina. O Brasil continuará estimulando o racismo pelas próximas décadas, até transformar este país numa espécie de Estados Unidos de início do século passado. Se a luta de classes morreu, alguma outra luta precisa ser estimulada. Há brancos e negros no Brasil? Maravilha - dirão os eternos apparatchiks. Vamos fazê-los lutar entre si. O ódio não pode morrer.
“Se eu fosse perfeito não escreveria aqui. Teria fundado uma igreja como Edir Macedo para salvar milhões do fogo do inferno.” (Mim)
“O aprendizado vem pela dor. Pois conto que de tanto querer escolher o que comer, acabei por um bom tempo sem ter o que comer.” (Mim)

AMARO, O CERTINHO

Amaro era um homem correto; nunca havia saído da linha, nunquinha. Num sábado ficou só, a esposa Amália fora visitar a mãe. Ele então foi dominado nos encantos de uma vizinha separada, linda que só. Corpão daqueles de derreter sorvete no copinho. Caiu em tentação e foi ao motel com ela, todo feliz com o material que levava. Primeira vez fora da estrada, mas com carrão top de linha. Pega aqui, pega lá, os dois peladinhos quando um terrorista filho da puta explodiu o motel. Pois azar do Amaro que morreu; foi que ele rodou nos comentários como hipócrita e safado, como se tranqueira fosse. E saber que nem deu tempo para molhar o biscoito.

AUTORIDADE

Já madrugada, estava eu parado numa esquina central esperando por um táxi. O céu todo forrado de estrelas, noite fria e bela. Nisso dois sujeitos se aproximaram e anunciaram: É um assalto! Não reagi, entreguei a carteira com documentos e dinheiro. Eles conferiram por cima o montante e pernas em ação. Logo depois eles regressaram, devolveram tudo e ainda por cima pediram desculpas. Um deles disse: “Desculpe o malfeito seu Evandro, pois para nós o senhor é uma autoridade. “Uma boa noite!” Sem demora surgiu um táxi e fui para casa aliviado. Em tempo, meu nome é Evandro Capeta.
“Ao encarar o espelho pela manhã sem maquiagem ouço minhas rugas e pés de galinha gritando por socorro.” (Eulália)
“A boa educação de um povo próspero e gentil é sem dúvida o que nos faz solidários no transporte de bosta de cachorro na sola dos pisantes.” (Climério)