segunda-feira, 22 de julho de 2019

CORONEL OLIVEIRO

Oito horas da manhã. O suicida subiu na torre da igreja e de lá ameaçava se jogar. O povo foi chegando, se aglomerando e comentando. Uns diziam “se jogue!” outros gritavam “Não faça isso!” O tempo foi passando e que diante da grande dificuldade ninguém conseguia subir na torre para tirar o homem. Havia risco para os policiais. Onze e meia da manhã e o homem por um fio, agarrado nos braços de Santo Antônio. O Coronel Oliveiro ia passando e foi saber a causa da balbúrdia. Inteirado dos fatos, sacou do revólver e derrubou o potencial suicida, que a chumbo foi para o outro lado. Coronel Oliveiro olhou o corpo estirado na calçada e disse- “Aí está um homem que conseguiu o que queria. Queria morrer, pois está morto!” E foi para o almoço, pois a barriga já estava roncando.

A GAZETA DO AVESSO- Papa convida Satanás Ferreira para porta-voz do Vaticano


VOLTAIRE- SEGUNDA CARTA DE AMABED- RESPOSTA


RESPOSTA de Xastasid 

 Meu caro filho em Birma, em Brama, não gosto do teu Fa Tutto que mata frangos e que faz versos para a tua querida Adate. Praza a Birma tornar vãs as minhas suspeitas! Posso jurar-te que jamais foram conhecidos o Adão nem o Noé deles em nenhuma parte do mundo, apesar de tão recentes. A própria Grécia, que era a assembléia de todas fábulas quando Alexandre se aproximou de nossas fronteiras, nunca ouviu falar de tais nomes. Não me espanta que amadores de vinho como os povos ocidentais façam tanto caso daquele que, segundo eles, plantou a vinha; mas podes ficar certo de que Noé foi ignorado de toda a antiguidade conhecida. É verdade que nos tempos de Alexandre havia, em um recanto da Fenícia, um pequeno povo de corretores e usurários, que durante muito tempo estivera cativo em Babilônia. Durante a sua escravidão, arranjaram eles uma história, e é essa a única história do mundo em que se trata de Noé. Esse pequeno povo, depois que obteve privilégios em Alexandria, traduziu ali os seus anais para o grego. Foram depois traduzidos para o árabe, e só nos últimos tempos é que os nossos sábios tiveram algum conhecimento dos referidos anais. Mas essa história é tão desprezada por eles quanto a miserável horda que a escreveu.(5) Seria muito engraçado, com efeito, que todos os homens, que são irmãos, tivessem perdido os seus títulos de família, e que esses títulos só se encontrem num pequeno ramo de usurários e leprosos. Receio,  meu caro amigo, que os concidadãos do teu padre Fa Tutto, que, como dizes, adotaram tais idéias, sejam tão insensatos e ridículos quanto interesseiros, pérfidos e cruéis. Desposa o quanto antes a tua encantadora Adate, pois, inda uma vez te digo, temo mais os Fa Tutto que os Noés.

MALFEITORES

Há malfeitores de toda ordem que transitam no mundo para prejudicar outros e tentar viver na boa vida, embora às vezes percam anos da existência nos Spas dos governos. O caso é que na Rua das Américas mora a família dos Ribas Salustianos, larápios desde o ventre da santa mãe, onde irmãos gêmeos se roubavam entre si; dito então que ladrões do qual nada escapa, pavor de vizinhos e mesmo de alguns parentes. Pois conto que o vagalume Teodoro foi passear no quintal dos tais na tarefa de embelezar mais o mundo das noites junto da lua e das estrelas, porém teve o desprazer de sair de lá sem a sua lanterna na bunda. Os Ribas Salustianos são elementos da ralé e não perdoam nem mesmo bunda de vagalume. Barbaridade!

O PADRE NU

O padre Renato inovou de vez. No domingo apareceu no altar para rezar a missa completamente nu. Pediu a todos que fizessem o mesmo. A igreja ficou vazia. Reclamações chegaram ao bispado. “Interpelado pelo bispo disse:” Eu só queria inovar; imagine as manchetes-Padre Renato realiza a primeira missa de nudistas do Brasil! Não seria um estouro?” O bispo deve ter achado também um estouro, tanto que mandou o padre inovar em Angola.

PÉS SUJOS

Fazia tempo que Noar não esfregava os pés. Preparou uma enorme bacia, sabão, água quentinha e uma boa esponja vegetal. Então Noar foi esfregando, esfregando e a sujeira saindo, saindo. Mais água quentinha, mais sabão, e esfrega, esfrega, e a sujeira saindo, saindo. Sem exagero, com o barro que saiu dos pés desse vivente, a Olaria do Zé Arnaldo fez dois mil tijolos, e o homem ficou tão leve que parecia um astronauta pulando na lua.

domingo, 21 de julho de 2019

CANÁRIO DE ESTIMAÇÃO

Seu João Maria tinha um canário, o Dodô, que trinava maravilhosamente, era a mais pura alegria da casa, podíamos dizer que pertencia à família.  Num domingo em que João Maria foi à igreja, Renan o gato da mulher deu um jeito e pegou o Dodô. Penas, sobraram penas e nada mais. Seu João até pensou em matar o gato, mas não. Fechou ele na gaiola e disse:
- Agora canta desgraçado! Você só irá sair daí quando cantar igual ao meu amado canarinho.
O gato até tentou por alguns meses, mas o máximo que conseguiu foi assoviar Besame Mucho. Morreu de velho na gaiola.