quarta-feira, 24 de abril de 2019

O JOGO DA VIDA

VIDA APÓS A MORTE


PORCA E PARAFUSO

PARAFUSO-Estive no Bar do Zé. O papo que rola por lá é que tu estás dando mole para um alicate novo na praça. Todos sabem que te adoro e aí zombam de mim.
PORCA-Tu estás é doido. Bem sabes que quem me aperta além de tu é somente a chave de boca que é lésbica.
PARAFUSO-Estou desconfiado, andas com muito desgaste nas beiradas.
PORCA-Basta! Faço minhas malas e volto pra casa de mamãe. Onde está o respeito?
PARAFUSO-Não me engana, nunca foste santa. Lembre-se da história do imã nosso vizinho que te deu uns amassos?
PORCA- Eu era jovem, coisa do passado, melhor esquecer.
PARAFUSO-Passado sim, mas quem carrega os chifres até hoje sou eu.
PORCA-Quer saber? Irei dar uma volta por aí, quem sabe eu encontre mesmo esse novo alicate bonitão dando sopa por aí.
Dito isso saiu arrumou-se e saiu porta afora. O parafuso doente de paixão jogou-se dentro de um tambor de óleo.


NA LOJA DE BEBIDAS
Um uísque Passport puxa conversa com uma Caninha 51.
-E aí irmã, quente não?
-Não sou sua irmã!
-Como não?
-Você é uísque, eu sou cachaça.
-Então não somos irmãos?
-Não.
-Melhor assim.
-Melhor por quê?
-Não sendo irmãos podemos namorar.
-Sai fora! Não gosto de estrangeiros.  Ainda mais se vier com gelo.
-Preconceituosa então, só me faltava essa.
-Sou mesmo assim.
-Nem uma bitoquinha?
-Sem chance.
-Magoei. Tomara que você caia dessa prateleira e se quebre toda!
-É praga é? Então tomara que gelem você com gelo de xixi.
E daquele dia em diante não mais se falaram. Ela não caiu da prateleira e foi vendida para um churrasqueiro. Ele foi gelado com cubos de água de coco e desapareceu feliz.





O QUARTO
Genivaldo veio do interior do Ceará para morar em São Paulo. Arrumou um quarto para morar que na verdade não era nem um terço. Para conseguir abotoar a camisa ele precisava sair para o lado de fora ou nada feito. Dormir e sonhar nem pensar; o sonho ficava do lado na rua em frente. Arranjou uma namorada, mas ele namorava um dentro e ela no sereno ou na chuva. Genivaldo ficou um mês e se cansou daquele cubículo. Aborreceu-se e foi morar dentro de uma caixa de fósforos. De graça.


NA DESPENSA

Um pedaço de queijo dando sopa na despensa. Dois ratos estranhos entram no local ao mesmo tempo. Olham um para o outro e hesitam em avançar sobre o alimento.


-Acho que cheguei primeiro, não?
-Creio que não. Chegamos juntos.
-Temos um impasse. Que faremos? Na sorte?
- Pode ser. Tem aí uma moeda?
-Não.
-Então penso que teremos que decidir no dente?
-Vai ter que ser.
- Antes pense bem, sou mais dentuço.
-Até parece.
-Quer fazer um último pedido? Uma cartinha de despedida?
-Quem deve fazer é você. Tem família?
-Tenho. Cento e cinquenta filhos.
-Família pequena.
-E você?
-Um pouco menor que a sua.
-Deixou testamento?
-Deixei. E...
-Também deixei.
Nisso ouviram uma voz:
-Por que vocês palhaços dois não dividem o pedaço de queijo?
Enquanto pensavam se dividiriam em partes iguais ou não o gato que havia dado a ideia comeu os dois.



NA LUA

ANO DE 2200, fábrica de componentes eletrônicos na Lua. O diretor cansado de tantos erros cometidos por distrações manda um recado para todos os funcionários:

“Senhores, peço encarecidamente pelo bem da empresa e dos vossos empregos que mantenham suas cabeças no mundo da lua. ”