segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
LUTERO
Lutero tinha quarenta anos de vida e cem de
malvadezas. Lutero era um homem muito mau. Morreu de um AVC. Na comunidade onde morava ninguém gostava da
sua pessoa, nem mesmo cães e gatos. A família idem. Era pura bandidagem e
maldade. Quando morreu somente o caixão
foi ao velório. O funcionário da funerária simulou cólica renal para ficar em
casa. Um mendigo que passava viu o corpo jogado na porta da capela mortuária e
pôs o corpo num caixão e colocou a tampa. Até a mãe dele que estava manca e sofrendo com
um bico de papagaio passou à tarde num bailão da terceira idade. Pela manhã
Lutero foi ao forno empurrado pelo proprietário da funerária. A prefeitura
pagou pelo enterro do traste já que a família não deu um só centavo.
UM HOMEM, UMA CADEIRA
Um homem, uma cadeira. Vinte anos se passaram. Um homem, uma cadeira, um cargo. Um homem,
uma cadeira, muitos conchavos, muitas mordomias e desvios. Uma cadeira, uma
bunda colada, um sindicalista. Pois foi necessária uma junta médica para
destronar o sacripanta. E houve choro e ranger de dentes, também presentes
algemas e um delegado. Restou uma cadeira vazia aguardada por nádegas ansiosas.
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“Somo discriminadas, quase párias da sociedade. Mas digo que antes ser pulga que um rato.” (Pulga Lurdes)
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