Menino Glauber estava descalço e de calção na sala assistindo televisão. Depois se levantou e foi até a janela para ver a vida passar. Chupou duas balas, voltou para dentro e aí percebeu que já estava com setenta anos. Pois é o tempo, o implacável tempo. Voa o precioso e quase não percebemos. Sentimos o início e o fim e quase sempre perdemos o meio.
quarta-feira, 13 de junho de 2018
O TEMPO
Menino Glauber estava descalço e de calção na sala assistindo televisão. Depois se levantou e foi até a janela para ver a vida passar. Chupou duas balas, voltou para dentro e aí percebeu que já estava com setenta anos. Pois é o tempo, o implacável tempo. Voa o precioso e quase não percebemos. Sentimos o início e o fim e quase sempre perdemos o meio.
AMANTES
Beijos linguísticos, lambeções interplanetárias,
gemidos florestais e orgasmos alucinantes. Assim Berto Carvi naquela tarde sob
os lençóis amava Ana Galinda, esposa do mafioso Don Trombose num apartamento no
grande Hotel Imperador. Um dia de céu azul, fresco e de muita sensualidade. Não
sabia o belo Berto que Genaro um dos recepcionistas estava na lista de
pagamentos do chefe. Porta aberta, tiros silenciosos e um corpo enrolado nos
lençóis que não muito cobriam corpos em volúpia. Ana Galinda após alguns
sermões e sopapos já estava toda maquiada e pronta para novas traições,
enquanto Dom Trombose dolorido passava brilhantina nos chifres.
RAINHA DELMA
Ano 1750 no reino da ignomínia. A Rainha Delma
prendeu na masmorra do seu castelo a bela serva Iraci, doente de ciúmes diante
da beleza da moça. Mandou a rainha servir na masmorra apenas água, nada mais
que isso. Viajou por um ano e voltando de sua longa jornada fez uma visita de
surpresa para sua prisioneira. Encontrou-a feliz, fofa e corada. Não acreditou
no estava vendo, impossível. Mas ao ver o Rei Elmo seu marido de apenas quarenta
anos, beiço caído, andando amparado por servos, pesando pouco mais de cinquenta
quilos, compreendeu tudo. Seu último ato
em nome da dignidade real foi atirar-se pela janela dentro do fosso dos
crocodilos.
DESESPERO
Na
noite do desespero
Existe
apenas a escuridão
Não
há lua
Não
há estrelas
Apenas
existe a dor
Que
alucina e que fecha todas as portas do entendimento.
FOSSE O MUNDO ACABAR
Fosse
mesmo o mundo acabar
Reuniria
os meus amados
E
ficaríamos recordando bons momentos
passados
Entre
abraços e ternos beijos
Sem
desespero
Comendo
delícias
E
fazendo troça até a última luz das nossas vidas se apagar.
ILUMINADA
Iluminada é a mente
Que tem o horizonte infinito como alvo
Ao contrário do parvo
Que de cabeça baixa conta as pedras encontradas no caminho.
NO BOLSO
Não parece doença
Mas é das bravas
Que toma o sujeito pela mente
E o conduz gentilmente
A ser um contribuinte compulsório
Dos procuradores do tal senhor onipotente
Que ninguém vê
Que ninguém sente
Salvo o sentir no bolso mensalmente.
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