terça-feira, 22 de maio de 2018

AMARRARAM CACHORRO COM LINGUIÇA por Percival Puggina. Artigo publicado em 18.05.2018



Desculpem a expressão pouco polida e, ainda menos, criativa. No entanto, é a exclamação que me ocorre diante do que se cristalizou como cenário das próximas eleições parlamentares.

Promover uma grande renovação nas duas casas do Congresso Nacional era a principal aspiração da sociedade brasileira para a futura eleição parlamentar em 7 de outubro. Tratava-se de pura racionalidade: afastar os corruptos, os coniventes com a corrupção e os incompetentes, preservando os melhores. A conduta dos eleitores, aliás, deveria ser sempre essa, mas os eventos dos últimos anos – em especial os achados da Lava-Jato e operações análogas – tornaram tal conduta uma imposição dos fatos a todo eleitor consciente, a todo cidadão preocupado com o presente e o futuro do país.

Foi no contexto desse clima político-eleitoral que começaram as pressões para extinguir o financiamento empresarial aos candidatos e partidos. Seria esse financiamento (e não o irracional modelo político) “a” causa fundamental da corrupção, por gerar conluio de interesses escusos entre financiadores e financiados. Tão indigno sistema – assim se dizia - deveria ser substituído por uma fonte pública, imune a quaisquer compromissos.

Chamada a opinar, a sociedade não aderiu à tese. Nem mesmo a poderosa organização formada por mais de uma centena de entidades e associações que se integraram na famosa “Coalizão por Reforma Política e Eleições Limpas”, sob a liderança da OAB e da CNBB, conseguiu sensibilizá-la. Empenharam-se os patrocinadores da tese em campanha que se estendeu por mais de um ano, entre 2014 e 2015, tentando, inutilmente, coletar 1,5 milhão de adesões a um projeto de iniciativa popular. O financiamento público encabeçava as propostas. Alegavam expressar o desejo social e pediam assinaturas durante missas em todo o país, mas nem assim conseguiram os patrocinadores coletar a metade disso! O povo jamais considerou ser de seu dever custear campanhas eleitorais, através de recursos públicos pelos quais cada cidadão estaria, inclusive, financiando candidatos contrários às próprias convicções.

A falsa lógica do beatificado fundo eleitoral público, porém, já havia contaminado os “legisladores” do STF. Em setembro de 2015, por oito a três, atropelando, inclusive, um projeto em sentido oposto que procurava disciplinar o financiamento por pessoas jurídicas, o Pleno decidiu que ele era “inconstitucional”.

Resultado: em 2017, o Congresso aprovou a formação de um fundo público para a eleição de 2018. Esse recurso, no montante de R$1,7 bilhão, será destinado aos partidos e neles manejados por seus líderes. E quem são estes? Como regra quase geral, nas executivas nacionais e nas secções estaduais, são deputados federais e senadores. Ou seja, os recursos “públicos” serão privatizados por aqueles que, em grande proporção, a sociedade não deseja ver reeleitos, frustrando-se a efetivação do cristalino anseio nacional pela renovação. OAB, CNBB e STF estão devendo explicações para esse terrível malfeito que realiza o sonho de todos os corruptos cuja reeleição estava em risco! Amarraram cachorro com linguiça, entregando-lhes – logo a eles! – o privilégio de se financiarem com meios que a nação sangrou para produzir e arrecadou na forma de tributos federais. Quem quiser furar esse esquema que trate de correr o chapéu juntando trocados de pessoas físicas, na base da “vaquinha”, ou do me dá um dinheiro aí.

Apesar desse desastroso papelão, persiste o desejo de renovação. Não se omita, não vote em corruptos, preserve os bons e renove. Sobretudo, dedique tempo à escolha que fará, e renove!


* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.


GOMES

Ciro Gomes é um paspalho violento que adora criar factóide. Gomez bom é o papai da Família Adams.

ALEXANDRE GARCIA-Danke Schoen

A semana começou com a Copa do Mundo na Rússia, com a convocação, por Tite, dos jogadores que vão representar o Brasil. Levei um susto. Como passaram rápido esses quatro anos! Parece que foi ontem, aquele 7 a 1 da Alemanha. E o que se passou nesses quatro anos, muito devemos aos 7 gols dos alemães(na verdade 8, porque deixaram entrar um para não humilhar o anfitrião). Já imaginaram se tivéssemos ganho a taça, nos tornando hexacampeões? Pouca gente iria apoiar investigações sobre a corrupção que envolveu a construção dos estádios, nem iria amaldiçoar esses elefantes-brancos que consumiram recursos que faltam para escolas e hospitais.

Naquele ano, a Lava-jato recém havia nascido e se tivéssemos ganho a Copa, ela talvez não sobrevivesse ao clima de euforia de Coliseu. Estaríamos incentivando as crianças a jogar futebol em vez de pensar sobre o futuro que vamos legar a elas. Quando a melhor seleção brasileira conquistou o tri no México, em 1970, foi recebida no Palácio do Planalto pelo Presidente Médici. O país teve o seu milagre econômico, crescendo a ritmo chinês, sem desemprego e o presidente era aplaudido no Maracanã. Se em 2014 o Brasil tivesse conquistado a Copa que hospedou, talvez tivesse continuado o governo Dilma e ninguém lembrasse de 13 milhões de desempregados ou inflação acima de 10%, ou de corrupção na Petrobrás e bancos estatais.

Os imperadores romanos usavam o Coliseu e outros anfiteatros para entreter o povo. Pão e circo - proclamava-se como ideal. Mas se faltasse pão, o circo servia como diversão. Por aqui, isso tem funcionado na medida em que a escola tem poucos resultados. É do interesse dos maus políticos que a população se distraia com o futebol e outras alegrias, enquanto eles desfrutam do pão dos impostos, das estatais, do poder. O esporte também se adaptou a isso; uma equipe já não é a reunião de jogadores que adoram o time em que jogam, mas artistas de um show-business em que a redondeza da bola se transforma na sinuosidade de um cifrão($).

Graças aos alemães, com aqueles sete benditos gols, isso mudou um pouco. Estamos participando das investigações da Lava-jato, apoiando a Polícia Federal e o Ministério Público, escolhendo astros não no estádio, mas no tribunal - e acompanhando julgamentos como acompanhávamos uma transmissão de futebol. Cada vez que um corrupto é condenado e vai para a cadeia, é mais um gol do Brasil. Nossa torcida mudou de interesse, quando a rede de nossos neurônios foi balançada sete vezes pelos alemães. Para retribuirmos a gentileza, usemos a língua deles para agradecer: Danke Schoen, Deutschland!

SÓ NOTÍCIAS

HIPOCRISIA É FUNDAMENTAL


“A hipocrisia é essencial ao convívio social. Você não diz para uma mãe que o bebê dela é feio. Pois à minha mãezinha disseram!” (Assombração)


CONSTATAÇÃO


“As beldades só fogem de feio pobre.” (Assombração)

ESTETICAMENTE


“Esteticamente a Dilma é da minha turma.” (Assombração)


ASSOMBRAÇÃO


“Mais horrível do que eu somente a política nacional.” (Assombração)