“Marquei encontro comigo mesmo e ainda assim cheguei atrasado.” (Climério)
sábado, 24 de março de 2018
PODRES
O
tempo passa
E os
homens podres
Com
o passar do tempo
Apesar
da pesada maquiagem
Ficam
cada vez mais podres.
SUSPEITO
O
jornal diz
Que
o suspeito matou a vítima com seis tiros
Diante
de vinte e cinco testemunhas
Gravação
em vídeo
Pego
ainda com a arma na mão
Mas
o jornal repete que o elemento é apenas suspeito
Diante
de tanto absurdo
Digo
que suspeito mesmo é o jornal.
DO POUCO QUE SEI
Do
pouco que sei
Sei
pouco
Então
me calo mesmo diante de um simples
Pois
mesmo ele tem muito para ensinar.
GLÓRIA VÃ
Nino, 12 anos, era um menino mirado, com os ossos gritando para fora da pele. Sua tez amarelada denunciava um corpo doente. Naquela tarde de muito sol Nino, que morava no interior do interior saiu com outros meninos para pescar no riacho das pedras. Meteu a minhoca no anzol e apontou o caniço pra corredeira. Nem bem a minhoca havia se molhado um jundiá puxou com gosto e Nino, firme como prego em polenta foi para dentro do rio agarrado no seu caniço. Afundou, voltou e bateu-se em pedras. Os companheiros ficaram apavorados sem saber o que fazer. Todos sabiam nadar; o certo é que nenhum deles tinha força suficiente para salvar um corpo que estava em apuros. A boa sorte foi que o mirrado alguns metros abaixo conseguiu subir numa pedra sem largar a vara e também o jundiá. Ergueu os braços mostrando o troféu. Teve mais sorte que juízo. Foi festejado pelos colegas e voltou para casa com um peixe de quilo para presentear sua mãe. Tentou e não conseguiu esconder os hematomas. O jundiá foi pra frigideira e Nino para o castigo. E ficou sem comer o peixe.
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