Década de 1940. Um urubu percebeu um corpo inerte estendido numa clareira na África. Fez o reconhecimento e pousou o sobre o cadáver. Nenhum leão em volta, tranquilo. Deu a primeira bicada, engoliu, sentiu náuseas, vomitou e foi então que percebeu que o corpo que devorava pertencia a um capitão SS carregado de medalhas. Fez cara de nojo, escreveu um bilhete e jogou sobre o corpo: ”Urubus, comida apenas para vermes, tenham cuidado!”
sábado, 17 de março de 2018
O CADÁVER E O URUBU
Década de 1940. Um urubu percebeu um corpo inerte estendido numa clareira na África. Fez o reconhecimento e pousou o sobre o cadáver. Nenhum leão em volta, tranquilo. Deu a primeira bicada, engoliu, sentiu náuseas, vomitou e foi então que percebeu que o corpo que devorava pertencia a um capitão SS carregado de medalhas. Fez cara de nojo, escreveu um bilhete e jogou sobre o corpo: ”Urubus, comida apenas para vermes, tenham cuidado!”
ROSE E A PERERECA MÁGICA
Era uma vez uma moça chamada Rose que sonhava com o
luxo e viajar pelo mundo. Mas Rose não tinha condições, era pobre, seu salário
não alcançava voos maiores. Um dia Rose teve a visita de uma fada madrinha. A
boa fada lhe presenteou com uma perereca mágica. De posse de tal poder, Rose
abriu portas rentáveis e viajou pelo mundo. Até namorou um sapo barbudo, depois
príncipe. E com esse príncipe conheceu reinos distantes mundo afora. O azar de
Rose foi que o príncipe viajava por conta do tesouro, os escribas descobriram e
a perereca mágica perdeu seu encanto e foi banida do reino.
ALMOÇO EM FAMÍLIA
A família do nobre doutor Epaminondas estava
reunida para o tradicional almoço dominical. Um pouco antes de ser servido o
almoço, Eduardinho, filho único do doutor Epaminondas com Dona Letícia pediu
para falar:
“Serei breve, meus queridos familiares. Agora que
completei dezoito anos assumo as rédeas da minha vida e do meu destino.
Gostaria de comunicar a todos que sou gay. Peço que me entendam.”
O Doutor Epaminondas que já estava em pé foi em
direção ao rapaz e o abraçou dizendo:
“Meu filho, que alívio! Pensei que você fosse
comunista!”
NAVEGO
Nem todo dia as águas estão calmas
Tempestades açoitam a rotina
Então às vezes paro e sonho para me fortalecer
Pois a vida se torna muito pobre quando não há mais
sonhos e esperança.
DESPACHADO
Um dia tudo passa
A dor
O amor
O choro
O riso
A tristeza
A alegria
No final de tudo
Só resta um corpo inerte
Deitado sobre e cercado de madeira
Pranteado por seus amados
E como praxe da vida que segue
Encaminhado para o esquecimento.
MORTES?
Mortes?
A vida
tem muitas mortes
Feitas
por nossas escolhas
Espero
escolher certo
E
morrer uma vez só.
INGÊNUO LEAL
Ingênuo
Leal
Era
como o nome tal
E quando
tentava dormir
Não se
ajeitava na cama
Incomodado
com a cabeceira
Foi
quando descobriu que dobrando os chifres
Poderia
dormir como um urso hibernado
Assim
fez e foi um corninho feliz para sempre.
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