Maria
não queria João, queria Paulo. O pai de Maria não queria Paulo, queria
João. Maria mulher objeto desejava ter amor,
voz, vida, luz, liberdade. A mão pesada dos costumes desceu sobre Maria que
soluçava pelas noites geladas na solidão da cama, desenhando no chão de areia
pássaros livres, tentando resignar-se com seu destino e aceitar o determinado
pelo pai. Porém algo dentro dela era mais forte, pois corria por suas veias o
sangue da insubmissão e do desejo de todos os mortais de ser feliz. Os dias de
Maria eram de tristeza, sabendo que o futuro lhe reservava a mesma vida
inglória de diversas outras Marias de sua aldeia. Então quando teve certeza que
nada mudaria o contrato acertado da troca de uma mulher por cabras e algum
dinheiro, foi ao rio. Lá calmamente se deixou levar pelas águas, entrando num
transe de paz, conquistando a liberdade tão almejada.
domingo, 11 de março de 2018
sábado, 10 de março de 2018
PREFERÊNCIAS
Dinorá era uma mulher madura que adorava garotinhos
assados, fritos, ensopados, grelhados, de todo jeito enfim. Apesar de todos os
crimes não foi pega pela polícia e sim por um garotinho que gostava de mulheres
maduras fritas, assadas etc.
O ANÃO DE JARDIM
Tudo via e ouvia o anão de jardim Pablo assim
transformado pelo feiticeiro Dilmon por ciúmes de sua beleza e inteligência.
Não sofria sede ou fome, mas penava horrivelmente por não poder fugir daquele
corpo de pedra que o limitava. O feitiço duraria dez anos e ele apenas começara
o quinto ano. Sob sol ou chuva ficava ele inerte observando a vida que corria
ao seu redor com minúsculas e grandes criaturas; formigas e homens, grilos e
lagartixas, cães e gatos, automóveis e bicicletas. Um dia um cão muito feio apareceu
no jardim e fez xixi nele. Reconheceu que era Dilmon pelos olhos medonhos,
transformado num cão por um adversário mais poderoso. Pablo riu tanto que sua
alegria quebrou o feitiço infame e pode então sair correndo atrás do cão
feioso, pois tinha intenção de lhe oferecer um belo osso ou um naco de ração.
O ENVIADO
Quando ainda um ser amorfo no ventre da mãe o
danadinho nasceu de repente e surpreendeu o mundo. Recém-saído da barriga da
mãe num banco de coletivo pulou sobre uma poltrona e começou seu discurso
falando da mediocridade geral, das crenças em verdades absolutas feitas para
idiotas, do nada imperativo nos bilhões de mentes vãs. Explodiu de emoção
falando da importância da ciência e não de futilidades mágicas. E já começando
a ficar sem fôlego, ficou feliz quando viu um jovem gravando suas palavras num
celular. Encerrando disse: “Eu vim por pouco tempo para dizer muito, sou luz
que ilumina mentes encerradas nas trevas do saber, crentes de uma vida eterna
paradisíaca ou infernal, ou seja, são bestas, porque eu sei daquilo que falo,
vim de onde ninguém nunca foi, nasci no amanhã e voltei pelas mãos da ciência
para dizer que Deus não existe e que tudo é propaganda barata.” E caiu morto.
INCONDICIONAL
“Criança com liberdade incondicional acaba como um adulto cumprindo cadeia.” (Pócrates)
CHIFRES
“Levar chifres serve muitas vezes para fazer o ingênuo abrir os olhos à realidade. Mas nem sempre. Tem muita gente boa que navega na escuridão, enroscando as guampas em fios de alta tensão e tentando se convencer que recebeu apenas um “choquinho.” (Pócrates)
EXPLICAÇÕES
“Tudo o que não existe e querem nos fazer crer que sim, requer planos detalhados e decorados, além de muitas explicações estapafúrdias.” (Pócrates)
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