sábado, 11 de novembro de 2017
AO PÉ DO POÇO
Ao pé do poço o Pedro Paulo pediu ao padre Primo a benção porque iria se jogar no poço. O padre respondeu que não daria benção porra nenhuma a um suicida ainda mais numa tarde em que também estava puto da vida com tudo e todos e que ele ainda iria para o inferno. O padre resolveu ficar nu no pé do poço só para mostrar que maluco por maluco ele também era. E agora? Tudo isso irritou profundamente Pedro Paulo que por fim disse que não iria mais se matar e que se tornaria um homicida. Dito isso jogou o padre no poço e partiu faceiro usando as calças novas do religioso.
NORBERTO
Norberto entrou na igreja e lá encontrou uma multidão de ovelhas de joelhos e olhos fechados fazendo louvor. No púlpito um lobo adornado praticava o sermão. Sentiu-se sufocado. Fez meia volta e entrou na biblioteca pública do município. Dentro dela tendo a companhia de alguns poucos se notou leve e mui alegre. Abraçou-se então a Miguel de Cervantes e feliz navegou.
INFERNAL
-Meu filho, você sabia que há um lugar em nosso país em que os vivos fedem mais que todos os defuntos reunidos?
-Não sabia pai. Que lugar infernal é este?
-Fico no Distrito Federal e é chamado de Congresso Nacional.
ZENEIDE
Zeneide por anos em altas chamas esperava na janela por um marido. Estava sempre preparada, pois poderia acontecer a qualquer hora e dia. Foi assim que após vinte e cinco anos no aguardo ele apareceu todo simples, disposto e sorridente. Ela então montou nele e foram felizes para sempre.
APRESENTAÇÃO
O auditório estava lotado de homens de semblantes sérios, todos elegantemente vestidos, nenhum sem paletó e gravata. Bach deslizava pelas paredes e fazia sorrir àqueles corações que amavam a boa música. O ar que se respirava no ambiente era o odor das boas virtudes, a paz interior que somente homens sem débito com Deus podem realmente expressar. Silêncio total quando Madame Junot subiu ao palco para mostrar a tão seleta e educada plateia as novas moçoilas do seu bordel de luxo.
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“Somo discriminadas, quase párias da sociedade. Mas digo que antes ser pulga que um rato.” (Pulga Lurdes)
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