quarta-feira, 10 de maio de 2017
TALVEZ por Ricardo Amorim. Artigo publicado em 09.05.2017
(Publicado originalmente em http://ricamconsultoria.com.br)
Imagine um país em que não haja limitações à terceirização do trabalho nem de atividades meio, nem de atividades fim.
Imagine que, nele, homens e mulheres só possam se aposentar após os 67 anos de idade e que, depois de aposentados, recebam em média menos da metade do que ganhavam enquanto trabalhavam. Meia entrada para idosos não existe lá.
Imagine que neste país não existam 30 dias de férias remuneradas. Imagine que os empregados têm de negociar com os patrões quanto tempo terão de férias e se elas são remuneradas ou não. Adicional de férias não existe por lá.
Imagine que 13º salário também não existe.
Imagine que mulheres grávidas só tenham direito a 12 semanas de licença maternidade e que durante o período de ausência elas não são remuneradas.
Imagine que os patrões possam negociar com os empregados se eles vão trabalhar em finais de semanas ou feriados nacionais. Adicional noturno, por horas extras, trabalho em finais de semana ou feriados não existem.
Imagine que não existem faculdades gratuitas, nem meia entrada para estudantes em cinemas, shows, teatro ou outros espetáculos.
Imagine um país onde ninguém tem estabilidade no emprego, nem os funcionários públicos.
Imagine um país onde não existe FGTS, muito menos adicional de 40% em caso de demissão sem justa causa.
Imagine que nele os trabalhadores não tenham um limite no número de horas que podem trabalhar. Seus patrões e eles podem combinar o que quiserem.
Imagine que o salario mínimo por lá fique 11 anos sem nenhum reajuste.
Imagine que não exista carteira de trabalho, nem Justiça Trabalhista.
Quem iria querer trabalhar e morar em um país assim? Quase todo o mundo. Este país existe. Ele se chama Estados Unidos e seu presidente está se esforçando para impedir a entrada de milhões e milhões de trabalhadores de outros países que a cada ano querem ir trabalhar lá.
Com regras assim, como tanta gente arrisca a vida e tantos outros se mudariam para lá neste exato segundo se pudessem? Talvez, porque por estas e outras razões, os preços e a inflação são muito menores do que aqui, a taxa de desemprego é um terço da nossa e as pessoas ganham, em média 7 vezes mais do que aqui? Talvez…
Ricardo Amorim, autor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedIn, único brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner e ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2016.
MORO E LULA: O BRASIL DECENTE INTERROGA O PAÍS QUE APODRECEU
O audiência em Curitiba que colocará frente a frente Sérgio Moro e Lula será mais que um duelo entre o juiz federal decidido a cumprir a lei e o demagogo amoral que até outro dia se julgava condenado à perpétua impunidade. O encontro de 10 de maio vai escancarar o contraste entre o país revigorado pela Operação Lava Jato e um Brasil que estrebucha com o que Nelson Rodrigues comparava a arrancos de cachorro atropelado.
Uma sala de tribunal na capital paranaense servirá de cenário para o confronto entre a luz e a treva, a bravura e a bravata, a razão e o delírio, a verdade e a mentira. Para saber-se quem está certo, basta contemplar atentamente - e, sobretudo, tentar ouvir - o olhar de cada um. Só os olhos de quem mente falam. E confessam em estridente silêncio o que a voz tenta em vão esconder.
NO PAÍS DOS OVOS VIRADOS
No país dos
ovos virados
A chuva
planeja sair da terra,
Os rios
pensam em correr para cima,
Eleitores
mais ou menos corruptos desejam continuar elegendo corruptos completos.
No país dos
ovos virados,
O diploma
universitário pela qualidade de tantas será papel de embrulho.
E só nos
falta agora os filhos parirem os pais,
Bandidos
serem os carcereiros de suas vítimas,
E policiais
serem açoitados pela audácia suprema de prender e eliminar ladrões.
NAVIO
Acordo com a
mente envolvida na tristeza
Pois absorvo
e somo todos os fatos.
E uma só
conclusão resulta
Desta minha
abstração
É de que há
muito somos um navio sem rumo
Lotado de
marinheiros safados e de muitos passageiros imbecis.
ATOLEIRO
Vejo
Penso
Ouço e
concluo:
Quanta
safadeza e mediocridade!
O país do
futuro é um atoleiro só!
Precisamos de
galochas na mente para que possamos transitar pelo barro.
MARIA LOUCA
Para onde se voltam seus olhos
gananciosos?
Pergunta o povo Maria Louca.
O que vês além do baú do tesouro
E dos seus interesses mais mesquinhos?
Ou será medo da espada da justiça?
A nação das araucárias não mais te
saúda Maria Louca,
E até as gralhas ficam repugnadas
quando ouvem a tua voz.
A GRANDE MANADA
O caldeirão de imbecis está
transbordando
O real agora é o fantasioso
O certo como errado é visto
O manipulador é o grande herói
Pois as mentes estão estagnadas
No dai-me o pão e o circo
E a boa rede para descansar
Depois no momento das urnas
Ganhará o torpe pagamento em votos
Da grande manada que muge.
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