terça-feira, 9 de maio de 2017

NOS CONFINS

Casinha de sapê nos confins.
-Toc!Toc!
-Quem bate?
-Dias Toffoli.
-Valha-me Deus! Antes fosse a morte!

O PLANETA DOS MALANDROS por Ives Gandra da Silva Martins. Artigo publicado em 09.05.2017



(Publicado originalmente na Folha de São Paulo)

Charge da página 2 da Folha, no dia 28 de abril, intitulada "Planeta dos malandros", mostrava um grupo de pessoas, carregando placas favoráveis à greve, indo em direção a uma carteira de trabalho gigantesca, em parte afundada na areia.

Não fosse pelo título, a charge de Claudio Mor poderia assemelhar-se ao final do filme "O Planeta dos Macacos" (1968), quando Charlton Heston vê a Estátua da Liberdade semienterrada na areia.

Analisando o movimento das centrais de sindicatos que levou um pequeno número de pessoas às ruas -a maior parte delas com atitudes antidemocráticas ou de vandalismo, o que impediu a esmagadora maioria da população de exercer o sagrado direito de ir e vir livremente, assegurado pela Constituição-, a greve não foi o sucesso que esperavam seus organizadores, que escolheram a véspera de um feriado para estimular adesão daqueles que gostariam de desfrutá-lo mais prolongadamente.

Fosse um sucesso, como foram as manifestações públicas de 2015 e 2016, em que o povo rebelou-se contra os governantes e não precisou de violência para se impor, teriam adotado a mesma atitude democrática de protesto daqueles milhões de pessoas que foram às ruas.

As cenas de TV mostraram tais aspirantes de ditadores, mascarados, como quaisquer facínoras, queimando pneus para impedir empregados de trabalharem, destruindo bens alheios, depredando ônibus, numa demonstração de que todos esses cidadãos não estão preparados para viver num país democrático. São apenas baderneiros ou defensores de privilégios próprios, mais do que de direitos de terceiros.

Creio que a grande maioria dos poucos que participaram das manifestações nem sequer conhece o que estava defendendo. É difícil acreditar que alguém apoie aposentadoria para pessoas com pouco mais de 50 anos, uma vez que não há como fechar as contas previdenciárias com os deficits bilionários que o sistema atual gera.

É de se lembrar a elevada carga tributária do Brasil, sem contrapartida em serviços, que supera a da maior parte dos países desenvolvidos e emergentes, como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Suíça e México.

Defende-se o indefensável, embora os líderes grevistas não ignorem que somente com mais tributos, mais juros, maior endividamento, mais desemprego -além de poucos investimentos e nenhum desenvolvimento- pode-se manter tão esdrúxulo sistema.

Sempre tenho dito que a ignorância é a homenagem que a estupidez presta ao populismo.

O fracasso real dos governos anteriores mostra a necessidade de duas reformas essenciais, as trabalhista e previdenciária, como primeiro passo para o Brasil sair da crise. Caso contrário, estaremos a caminho do mesmo desastre protagonizado pelo governo Nicolás Maduro na Venezuela, tão prestigiado pelos governos anteriores.

"Alea jacta esto". Creio seja esta a melhor forma, pois do imperativo deve ter Júlio César se utilizado ao dizer a famosa frase; não do indicativo "alea jacta est".

"Lançada a sorte", vejamos se o Brasil está realmente a caminho da democracia que todos desejamos ou se Roberto Campos, cujo centenário comemorou-se em 17 de abril deste ano, tinha razão ao dizer que, com esta mentalidade, o Brasil não corre nenhum risco de melhorar.

SEM SOMBRA

Ele tinha certa dificuldade em fazer amigos. Para dizer a verdade não tinha nenhuma facilidade em se aproximar de alguém. Para uns era um grande chato, para outros apenas um jovem profundamente melancólico. Algo que Joel não sabia era sorrir, sempre taciturno, vivia para si. Naquela cidade não havia por certo pessoa mais solitária e triste, sua única amiga era uma televisão de 20 polegadas que dele não podia fugir. Do trabalho no banco para casa e nada mais. Não tinha empregada em casa nem bichos para cuidar. Pensou num cachorro, mas logo desistiu, não queria ter o trabalho de limpar sua sujeira. Teve sua tragédia pessoal quando sua noiva o trocou por outra. Não reagiu, não lutou nem um pouquinho para sair da tristeza, apenas entrou no baú dos solitários. E foi assim que um dia sua própria sombra resolveu deixá-lo, abandonando um corpo quase já sem vida. E quando o sol mostrava seu brilho e calor Joel caminhava pelas ruas sem ter sequer a própria sombra por companhia.

O VELHO JOSÉ

O velho José já na casa dos setenta ficava em frente da casa vendo o movimento da rua. Viúvo e sem filhos, ali ficava para passar o tempo. E os dias foram se passando, os meses, os anos, e o velho José ali olhando o movimento sentado na sua cadeira de palha. Os vizinhos foram morrendo de velhice, casas demolidas e o seu José por ali observando o movimento. Com os anos chegaram os edifícios e novos vizinhos que desconheciam o idoso seu José, coisa de cidade grande e correria. Talvez por isso foi que demorou alguns anos para descobrirem o esqueleto do seu José sentado na sua cadeira, cigarro entre os dentes de sua caveira, ainda contando os automóveis que passavam pela rua.

Qualquer idade é boa para aprender. Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Artigo publicado originalmente no Blog de Ricardo Noblat, 5 de maio/ 2017

Tiro o título destas linhas de uma frase de José Saramago: "Qualquer idade é boa para aprender. Muito do que sei aprendi-o já na idade madura e hoje, com 86 anos, continuo a aprender com o mesmo apetite".

Tenho ainda muito o que aprender, sobre muitos assuntos. Mas o que mais está a açular minha mente, nestes dias, é tentar compreender porque o STF, para minha infinita tristeza, resolveu perseguir a Operação Lava Jato.

A dívida que temos com o Ministério Público e com a Polícia Federal é fantástica. Se o Brasil está na situação em que está, pare um segundo, Leitor, e pense na penúria em que estaríamos se a Operação Lava Jato, sob o comando do juiz Sergio Moro, não tivesse agido como vem agindo desde 17 de março de 2014.

Ou algum de vocês acha que sem os mandados de busca e apreensão, de prisão temporária, de prisão preventiva e de condução coercitiva, o esquema que movimentou bilhões em propina teria estancado como num passe de mágica?

O Supremo, e talvez o mal tenha começado com a escolha do nome dado a essa instituição, Supremo, anda numa arrogância espantosa. Talvez se tivesse recebido outro nome, tipo Mais Alta Corte, ou Corte Constitucional, ou semelhante, os onze advogados sob togas tão majestosas não impressionassem e assustassem tanto quanto assustam. Chegamos até a esquecer que eles são apenas onze advogados escolhidos por diversos presidentes da República e não figuras Supremas!

Pois essas figuras andam tomando decisões estranhíssimas. Exemplo gritante: o habeas corpus para o goleiro Bruno, um dos mais cruéis e frios assassinos de que se tem notícia! Decisão que já foi revogada, graças a Deus.

Mas anteontem uma nova decisão espantosa foi tomada por três desses advogados togados: foi revogada a prisão temporária do ex-ministro José Dirceu, homem sem freios que não se furta em dizer que "Na prisão ou em liberdade, sou um militante político e sempre serei". Está aí uma verdade verdadeira: ele é um animal político que não se furtou a continuar a fazer política mesmo detido.

A carta que escreveu da prisão 14 dias antes de ser libertado, e que foi publicada no Estadão, é um documento de uma agressividade e de uma audácia inacreditáveis! Copio do Estadão: "Comparou os delatores que o acusam a "cachorros da ditadura", defendeu uma virada à esquerda do PT, criticou o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a ação do juiz Sérgio Moro. Qualificou como golpistas o governo Temer e a mídia. § E, diante do risco do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ser candidato em 2018, em razão dos processos em que é réu na Operação Lava Jato, o petista escreveu: "Darão outro golpe, condenarão e prenderão Lula? Serão capazes dessa violência e ilegalidade? Veremos".

Agora ele está como quer: em liberdade condicional, com uma bela tornozeleira, vivendo na capital da República. E minhas dúvidas só crescem:

1) quem o sustentará? Brasília é uma cidade cara...;

2) ele está proibido de sair de casa? Não li sobre essa proibição em parte alguma. Se vai poder sair normalmente, ir a restaurantes, cafés, teatros, padarias, farmácias, casa de amigos e parentes, como impedir que ele se encontre ou troque palavras com os companheiros de sempre?;

3) por que, no caso de Dirceu, não houve a mesma proibição feita a Adriana Ancelmo, de usar celular ou Internet?;

4) sair do país é a menor das preocupações do Dirceu: ele agora vai se dedicar a reencaminhar o PT e os petistas para a esquerda.

Fica a dúvida que alfineta o coração: pode, uma decisão dessa gravidade, ser tomada por apenas três dos onze togados? Será que essa é a Suprema Justiça?

Encerro com uma lição do historiador inglês, Lord Acton (1834/1902): "Lembrem-se, onde o poder está concentrado em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade ditatorial tomam o leme para si. Como a História nos vem provando à farta".

É preciso muito cuidado.

LULA IMBECIL

“Lula é apenas um imbecil que é bajulado. Tem o dom da oratória que inflama os idiotas.” (Filosofeno)
“Enquanto os bons ficarem calados em suas casas os maus continuarão fazendo discursos.” (Filosofeno)