Religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão.
domingo, 26 de março de 2017
INDIFERENTE
A natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Essa é uma das lições mais duras que os humanos têm de aprender.
— Richard Dawkins
INSÔNIA
Insônia.
Passava da meia-noite quando Antenor foi à sacada do seu apartamento que ficava
no oitavo andar para fumar. A esposa dormia. Sentou-se, acendeu um cigarro e
ficou ouvindo o murmúrio noturno da cidade. Algumas frenagens, buzinas e
sirenes, sons da madrugada na cidade grande. Enquanto observava a fumaça se
dissipando no ar pensava na vida. Já completara 53 anos em boa forma; a vida
familiar era harmoniosa, a loja de peças permitia uma vida digna, o filho
Rafael de 15 anos tinha boa saúde, bom aluno e não incomodava os pais. O que
estaria faltando? O que lhe tirava o sono? Dívidas e inimigos sérios não faziam
parte do seu mundo. Ficou remoendo dentro do cérebro perguntas e mais perguntas
tentando obter respostas. Fumou mais um cigarro, voltou para seu quarto,
acordou a mulher que bem dormia e perguntou: “Amor, você também tem medo da
velhice?”
HERANÇA JUVENIL
Meu nome é
Antero Gomes. Fui criado no interior de Chapecó. Quando eu tinha quinze anos
fomos todos morar na cidade. Completei meus estudos e fui trabalhar em Manaus. Fiquei por muitos anos
sem ver meus parentes, apenas mantendo correspondência. Já estabilizado
financeiramente resolvi tirar férias e ficar com meus pais e avós que estavam
novamente morando no interior. Sentia muita saudade deles, que nunca foram me
visitar por detestarem longas viagens. Todo o encanto do lugar ainda estava lá;
o enorme potreiro bem verdinho; frutas; rios; cascatas; porcos; vacas; cabras e
ovelhas. Meus pais e avós transbordando de felicidade. Todo dia era dia de
festa, de relembrar o passado e rir das minhas aprontadas de menino. Mas uma
coisa me intrigava: uma ovelhinha que passava o dia todo olhando para mim.
Decidi chegar mais perto dela, e bem juntinho perguntei:
- Por que
me olhas tanto?
Fitou-me com seus olhinhos brilhando de alegria e
disse baixinho:
- Papai!
A FILA
A fila
ultrapassava cinco quarteirões. O passante curioso perguntou para o último dos
esperançosos:
-Fila para
emprego?
-Não.
Estamos pegando senha para no futuro entrarmos no paraíso.
O passante
ficou atônito:
- É grátis?
-Não!
Duzentos reais.
-Bem caro-
falou o passante. - Acho que irei aguardar pela fila do purgatório.
ENGAIOLADO
O domingo era de sol. Poucas pessoas estavam na praça naquela hora. Enquanto o pipoqueiro gritava, o guarda municipal dormia num banco sombreado. Um pombo manso catava milho pela calçada. Crianças brincavam na areia com seus baldes e pás. Era um domingo normal como outro qualquer já passado. Foi quando passou por mim um pássaro enorme com um homem engaiolado. O homem preso não gritava, não cantava. Através das grades de sua prisão vi apenas duas lágrimas caindo dos seus olhos. O pássaro proprietário parecia feliz.
HOMENAGEANDO LULA E DILMA
Zeros, zeros, zeros.
Nomenclaturas do atraso,pífios rastejantes. Ele por seu asqueroso e safado oportunismo populista, ela namorada eterna do anacronismo esquerdista, sendo os dois firmes pilares da ponte por onde passa o rio da ignorância.
Nomenclaturas do atraso,pífios rastejantes. Ele por seu asqueroso e safado oportunismo populista, ela namorada eterna do anacronismo esquerdista, sendo os dois firmes pilares da ponte por onde passa o rio da ignorância.
Assinar:
Postagens (Atom)
-
“Somo discriminadas, quase párias da sociedade. Mas digo que antes ser pulga que um rato.” (Pulga Lurdes)
-
De férias escolares, Gustavo há dois não dias não saía do quarto, nem para comer. A mãe preocupada chamou que chamou e nada. O pai arrombou ...
-
“Vó, a senhora já ouviu falar em algoritmo?” “Aldo Ritmo? Tive um vizinho que se chamado Aldo, mas o sobrenome era outro.”