segunda-feira, 20 de março de 2017

OLAVO

Olavo sempre descontente, bufando infeliz pelos cantos, bebendo e jogando. Com trinta e cinco anos não havia ainda se encontrado; lugar algum era o seu lugar. Nada estava bom, azedume para dar e vender. Finalmente aos quarenta anos ele se encontrou, porém não deu certo, pois aí ele já era outro. Foi assim que Olavo morreu caduco.

GRAÇA ALCANÇADA

O pobre homem atravessou florestas, enfrentou desertos, venceu rios e subiu montanhas para encontrar no cume de uma delas o símbolo das madeiras cruzadas, tido como milagroso. Foi até lá para pedir graças e curar-se de doença terrível. Ajoelhou-se diante daquela cruz enquanto o vento zunia. Pois aconteceu que o pau podre sucumbiu ao vento e quebrando caiu sobre o homem tirando sua vida. Graça alcançada.

NA VELHA URSS...

Toda manhã Rabinovitch chega na banca de jornais, examina a primeira página do jornal "Pravda" e vai embora sem comprá-lo. Um dia o vendedor lhe pergunta o que está procurando:

-- Procuro um necrólogo.

-- Mas, os necrólogos estão na última página.

-- O necrólogo que procuro, vai ser publicado na primeira.

DEPLORÁVEL BAJULAÇÃO

 “Somente uma coisa é necessária”… Que todo homem, por possuir uma “alma imortal”, tenha tanto valor quanto qualquer outro homem; que na totalidade dos seres a “salvação” de todo indivíduo um possa reivindicar uma importância eterna; que beatos insignificantes e desequilibrados possam imaginar que as leis da natureza são constantemente transgredidas em seu favor — não há como expressar desprezo suficiente por tamanha intensificação de toda espécie de egoísmos ad infinitum, até a insolência. E, contudo, o cristianismo deve o seu triunfo precisamente a essa deplorável bajulação de vaidade pessoal — foi assim que seduziu ao seu lado todos os malogrados, os insatisfeitos, os vencidos, todo o refugo e vômito da humanidade. A “salvação da alma” — em outras palavras: “o mundo gira ao meu redor”… — Friedrich Nietzsche

CENTRO DO MUNDO

A velha noção antropomórfica de que todo o universo se centraliza no homem — de que a existência humana é a suprema expressão do processo cósmico — parece galopar alegremente para o balaio das ilusões perdidas. O fato é que a vida do homem, quanto mais estudada à luz da biologia geral, parece cada vez mais vazia de significado. O que, no passado, deu a impressão de ser a principal preocupação e obra-prima dos deuses, a espécie humana começa agora a apresentar o aspecto de um subproduto acidental das maquinações vastas, inescrutáveis e provavelmente sem sentido desses mesmos deuses. — H. L. Mencken

VENCENDO A DOUTRINAÇÃO: A PRIMEIRA GERAÇÃO LIVRE PARA ESCOLHER por Ricardo Bordin. Artigo publicado em 19.03.2017

(Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com)
Chamou minha atenção um artigo de David Nammo, publicado pela National Review, onde ele traz à tona dados de uma pesquisa conduzida pelo The American Culture and Faith Institute, os quais revelam a larga aceitação dos americanos pelo socialismo (em torno de 40%) e seu apoio a bandeiras da agenda “progressista”. O articulista, diante dos números, chega a adotar um tom alarmista, afirmando que o experimento bem sucedido implantado pelos pais fundadores da América estaria ameaçado, e que tanto os valores tradicionais quanto a consciência dos benefícios do livre mercado precisariam ser urgentemente resgatados, sob pena de o projeto que erigiu aquela nação vir a colapsar.
O autor acusa, em especial, os veículos de jornalismo e as instituições de ensino superior por esta mudança no ideário popular, alcançada por meio do uso de subterfúgios como a distorção da linguagem e a inserção de pautas ideológicas em obras de ficção. E este novo panorama seria, pois, capaz de orientar a adoção de políticas públicas e a elaboração de leis em sintonia com seus dogmas estatizantes e intervencionistas, bem como influenciar o Judiciário a interpretar as normas (e extrapolar de suas funções, desrespeitando o sistema de ckecks and balances) conforme esta postura mais à esquerda de parcela considerável do povo americano.
O principal aspecto desnudado pelas entrevistas realizadas é que o maior grupo de cidadãos identificado (58% dos consultados) diz-se politically moderate (o nosso conhecido “isentão”), e, no entanto, boa parte de seus preceitos coincidem com aqueles professados pelos “liberals”(ou leftists, traduzindo da novilíngua para inglês), tanto no aspecto econômico quanto no cultural. Ou seja, há um substancial número de esquerdistas involuntários nos Estados Unidos, os quais, sem nem mesmo perceber que viraram idiotas úteis, empurram o outrora lar dos bravos na direção da América Latina – muito por conta da propaganda e da patrulha politicamente correta.
Ao final, o escriba conclama a todos que amam a terra da liberdade a disseminarem os princípios que nortearam a construção de um dos países mais prósperos da história da humanidade. Trata-se de um apelo de inquestionável importância, mas que causa menos alarde, por certo, quando levamos em conta a idade dos indivíduos submetidos ao questionário: dezoito anos ou mais, isto é, nascidos antes de 1999.
O que remete, enfim, ao título deste texto. A chamada geração Z, que engloba os nascidos de 1995 até 2010, já usufruiu do privilégio de contar com a Internet durante todo seu processo educacional, desde a alfabetização até a faculdade. Eles ainda constituem um grupo, todavia, que foi submetido durante a formação de seu caráter ao conteúdo quase monopolista e enviesado ideologicamente da mainstream mídia, bem como exposto ao proselitismo político dos militantes disfarçados de professores – ambos movimentos intensificados após a revolução de costumes dos anos 1960 – sem contar com uma alternativa, com fontes de conhecimento e formadores de opinião que contrapusessem esta lavagem cerebral de moldes gramscianos.
É somente no decorrer da primeira década deste século que começam a despontar na grande rede mundial de computadores, em número relevante e em escala planetária, comunicadores autônomos que desafiam as informações e análises contaminadas pelo esquerdismo transmitidas por TV, rádio, jornais e revistas (e suas versões digitais). É quando o Infowars.com, os vídeos produzidos pela equipe de Dennis Praguer e muitas outras iniciativas similares começam a ganhar adeptos e a concorrer pela audiência outrora cativa da imprensa ordinária (no bom e no mau sentido).
É também neste mesmo cenário que a hegemonia do discurso dos “educadores” em sala de aula começa a ser questionada por meio de alguns poucos cliques no smartphone que direcionem às páginas do Instituto Liberal, do Mises Brasil, do Senso Incomum, dentre outros. Chega ao fim o reinado absoluto dos supostos arautos do saber que mais querem saber é de lobotomizar adolescentes.
O que levanta a questão: por desfrutarem da chance de crescer e desenvolver-se podendo comparar o que afirmou o “analista” da Globonews ou o professor de História vestindo uma boina estilo “Che” com o que tem a dizer, sobre o mesmo tema, pessoas como Alexandre Borges, Flávio Morguenstern ou Rodrigo Constantino, seria esta a geração que dispõe das ferramentas para, finalmente, romper os grilhões do pensamento e não mais deixar que George Soros pense por eles?
Aparentemente, sim. São cada vez mais frequentes os casos de estudantes que não deixam passar barato desonestidades intelectuais dos docentes, graças à fibra ótica. As empresas de jornalismo, vitimadas pela mesma conjuntura, vem perdendo seguidores junto com sua credibilidade para produtores independentes estabelecidos em websites (e que não dependem de verba de anúncios estatais nem de concessões governamentais para seguir operando) como nunca dantes constatado.
Não por acaso, existe um esforço coordenado para convencer os internautas de que notícias obtidas sem o “selo de autenticidade” da mídia tradicional são fakenews características de uma era denominada “pós-verdade” – a qual aprofundou-se com a vitória de Donald Trump combinada com o Brexit. Tentativas de dificultar ou até mesmo impedir o acesso do cidadão comum à banda larga também deixam claro que a conquista de espaços, corações e mentes movida a marxismo sentiu um baque inesperado. Até mesmo perfis humorísticos de redes sociais viraram alvo do “bater de pés” indignado daqueles habituados por tanto tempo a falarem sem sofrerem réplica. A bolha estourou e seu impacto foi sentido em toda parte – até na França.
Recentemente, o irmão de um amigo e uma tia fizeram-me a mesma pergunta: quem seria o governante capaz de melhorar a vida dos brasileiros? Bom, a maioria dos integrantes desta nova geração bem sabe que a resposta é nenhum, pois aprenderam, a partir da invenção de Tim Berners-Lee, que não se deve esperar nada do Estado senão que ele mantenha-se fora do caminho entre o indivíduo e sua felicidade. A tia e o irmão do amigo? Fazem parte de uma geração “perdida”, que absorveu coletivismo e paternalismo estatal demais, e não há muito o que fazer por estas pessoas em idade já avançada.
Já os membros da geração pós-monopólio da esquerda ainda tem muito o que construir e modificar no mundo. São eles os agraciados, desde a mais tenra idade, com os instrumentos para não se deixarem incorporar pela Matrix comuna. Sorte deles – e nossa. Uma hora esse processo teria de ser invertido mesmo, sob o risco de faltar comida e papel higiênico por toda a face da Terra. Se eles vão aproveitar a oportunidade ou não, só o tempo dirá.
Avante, geração “L”, de “Livres para escolher”. Nos livrem dessa, para o seu próprio bem!

DO BAÚ DO JANER CRISTALDO- domingo, novembro 26, 2006 DIA DA SUEQUINHA

Diga-se o que quiser de Marx, não podemos negar que fosse um intuitivo. Viu o universo de ricos e pobres de suas época e nesta dicotomia encontrou as bases de seu pensamento. Deu-lhes nomes mais solenes - proletariado e burguesia - e criou a ideologia mais assassina do século XIX, que produziu no século seguinte nadas menos que cem milhões de cadáveres. A humanidade tomou vergonha, o Muro foi derrubado, a União Soviética desmoronou e o comunismo passou a ser cultuado apenas em ilhotas do Terceiro Mundo. Operários se deram conta de que era melhor conviver com patrões que lutar contra eles. Desmoralizada a luta de classes, os velhos apparatchiks se sentiram desempregados. Uma nova luta precisava ser criada.

O leitor que tiver acesso a bancos de dados de jornais poderá comprovar facilmente. Depois de 89, palavras como proletariado e burguesia começaram a minguar nos noticiários. Ao mesmo tempo, aumentou espantosamente a incidência de palavras como racismo, racista, ódio racial. Ou uma nova luta se estabelecia ou os velhos apparatchiks morriam de fome. Neste Brasil inculto, que elegeu e reelegeu um analfabeto como presidente, estes profissionais que só encontram lugar em países que vivem a reboque da História investiram tudo na nova luta. O senador Paim Filho, por exemplo, restabeleceu o conceito de raça, conceito este sempre negado pelos movimentos negros, e pretendeu instituir a carteirinha de negro.

Não bastasse isso, a lei 10.639, de 2003, instituiu o Dia da Consciência Negra e fez desta data um feriado nacional. O feriado mal havia sido notado por coincidir com sábados e domingos. Assim foi que, somente neste ano da graça de 2006 acabamos descobrindo que o racismo foi oficializado no Brasil. O racismo negro, bem entendido, pois jamais ocorreria aos brancos criar um Dia da Consciência Branca. E se o criassem, seriam imediatamente denunciados na Justiça como racistas.
Pouco de novo se tem a dizer a respeito desta história antiga. Mas a cada vez que a estupidez emerge, urge denunciá-la. O dia é uma homenagem a um dos símbolos da resistência negra no país: Zumbi de Palmares, que foi degolado em 20 de novembro de 1695. Até há bem pouco, a data celebrada pelos negros era o 13 de maio, quando, em 1888,a princesa Isabel decretou a libertação dos escravos.

Isso de branca libertar negros, ainda mais quando se tratava de uma princesa, não gera luta racial. Era preciso encontrar um negro, de preferência um mártir. Mesmo que nos quilombos existissem escravas brancas. Mas este dado, stalinisticamente, deve ser apagado da História. Não fica bem à imagem de um herói libertador de negros ter escravas brancas. Por outro lado, não vejo porque não unificar a grande Parada Negra às paradas gays de São Paulo. Afinal, Zumbi era chegado às práticas nefandas, como se dizia na época, tanto que mereceu o apelido de Suequinha.

Cerca de doze mil pessoas participaram, nesta última segunda-feira, da primeira Parada Negra, na avenida Paulista, região central de São Paulo. Após a parada ocorreu a 3ª Marcha da Consciência Negra. A festa já acontece em 232 municípios brasileiros. Agências bancárias e dos correios permaneceram fechadas nos municípios que decretaram feriado devido à data. Ai daqueles que um dia pensarem em uma parada branca. Serão imediatamente anatematizados e jogados no rol dos racistas, nazistas e fascistas.

Esta manifestação só serve para incentivar o racismo no país. Bem entendido, jamais teremos um dia da consciência mulata. Os negros racistas brasileiros, à semelhança dos negros racistas americanos, não aceitam a idéia de mulato. Aceitar o conceito de mulato significa admitir que no Brasil negros e brancos se miscigenaram sem maiores problemas, e isto significa dizer que no Brasil não há racismo, ou pelo menos não há um racismo mais pronunciado. Isto não serve aos velhos comunistas, sempre entrincheirados na antiga idéia de luta de classes.

É sempre bom lembrar que os negros não chegam a constituir seis por cento da população nacional. Os mulatos chegam a 38%. Até o Supremo Apedeuta já assumiu esta idéia de que estes mulatos não existem, e andou colocando o Brasil como segundo país negro do mundo, depois da Nigéria. Chamem como quiserem o 20 de novembro. Eu prefiro chamá-lo de dia da Suequinha. Quem quiser empunhar Zumbi como herói da libertação dos negros, terá também de empunhar outras bandeiras, que não sei se todo o pequeno contingente negro da população terá coragem de empunhar.