terça-feira, 13 de setembro de 2016
A política dos bordões. Por Marli Gonçalves
Virou modinha. Mudou o soluço. Engasgou? Fora Temer. Bateu o pé na quina da mesa? Fora Temer. Vai lançar algum produto? Não se esqueça de levar a plaquinha Fora Temer. Procurava algo para estampar sua camiseta? Fora Temer. Estava passeando na rua e teve vontade de gritar? Fora Temer. Acabou o papel? Fora Temer. Poesia? Amar sem temer
Creio que esse seja agora o novo mantra, a senha que se deve dizer para circular em alguns meios - se o evento é grande, se for relacionado à cultura melhor ainda, se junta mais de dez, plaquinhas e jogral, pode até chegar a virar notícia na tevê. Ajuda na divulgação. Por exemplo, dizem até que o filme é ótimo, mas onde quer que esteja passando Aquarius haverá alguém falando as palavras up to date e isso vem animando bastante a bilheteria.
São milhões de citações na internet, centenas de memes. O negócio, admitamos, pegou. E o nome do cara ajuda: temer, temor, tremer, tramar.
Outro dia fui bisbilhotar uma passeata de protesto dessas já rotineiras, tranca-rua. Quem me conhece sabe que adoro um protesto - oposição sempre, si hay gobierno soy contra. Me preocupou ver a mélange de temas, difusos, tanto como ocorreu em 2013 e que acabou dando em nada - ninguém sabia se era por centavos, por passe livre ou contra o governo de então, ainda Dilma versão 1.
Num bolinho de gente vi Fora Temer - claro; e Volta Dilma, mais uns Não vai ter Golpe (?!?); mais Diretas Já. Ultimamente mais uma palavra de ordem se aboletou: "Pelo fim da PM", em geral jogada direta e provocantemente aos policiais que até trincam os dentes.
Muito vermelho, a forma era uma só, quase homogênea, uma maioria de estudantes se divertindo, paquerando, tomando muita cerveja (agora os ambulantes acompanham o movimento), caminhando e se imaginando lutando pelo país. Beleza. Na frente, outro grupo - esse com roupas escuras, munidos com escudos (!) de madeira, pedaços de tapumes, lenços e toucas ninja escondendo o rosto, um arremedo de guerreiros do apocalipse, os tais black blocs. Garotos e garotas mirradinhos, desmilinguidos com cara de mau. Podiam ir ser punks de verdade, fazer música, produzir algo de bom.
Volitando em torno disso tudo, centenas de policiais e nas imediações, prontos a entrar em ação, mais carros de choque e patrulhas especiais. Maior climão.
Um chiquê, diriam blogueiras de moda: muitos com máscaras presas em volta do pescoço, máscaras de respirar tipo de guerra, impressionantes, sabe aquelas? A imprensa também usa, assim como capacetes, umas tentativas de blindagem contra a repressão.
Capítulo especial, coitada da imprensa, acaba tendo que se blindar melhor mesmo, porque apanha e é atacada tanto pelos manifestantes quanto pelos policiais. Jovens repórteres que, animados, sentem-se em uma verdadeira cobertura de guerra. Gás para tudo quanto é lado, bombas, quebração, fogueiras de lixo das ruas, material que aliás não falta em lugar nenhum aqui em São Paulo.
Já vivi para ver tudo isso e muito mais e saber que um fósforo se torna muito mais inflamável nesse caldo, e essa expectativa fica no ar durante todos os protestos. Um infiltrado maluco pode direcionar todas essas energias para promover o mal e outras intenções debaixo de bandeiras das torcidas organizadas por eles lá no meio.
Tem coisa mais banana do que defender um governo, seja lá de quem for? Muito menos um que já era, já foi. Que detonou o país, fez tudo errado. Caiu no rastro de rabo, as tais pedaladas, o álibi caído do céu para nos livrar mais rápido do abacaxi.
Falando sério: o Temer veio no pacote junto com esse abacaxi, não adianta tentarem omitir isso dando a ele a pecha que parece título de novela mexicana - O Usurpador. O cara era a única saída institucional. Aceita.
Fora Temer, ok. E aí? Pergunto isso não porque goste da pessoa, mas porque ando vivendo na realidade, torcendo para que as coisas melhorem, e o que vejo não é nada animador. Se as contas da campanha forem rejeitadas, ele cai - e mesmo já caprichosamente jogadas para o ano que vem qualquer hora essas contas serão julgadas.
Alguém acaso tem alguma ideia brilhante, avista algum quadro político que poderia ser a mão libertadora, pacificadora, a nos levar para a luz?
Eu não vejo, ao contrário. Por favor, se souberem de algo, de alguém, avise os outros! Parece que o Papa, entre as poucas unanimidades, não quer se mudar para o Brasil.
Um bordão sozinho não faz nem nossa primavera, vocês verão. Pode é sobrar bordoadas para todo mundo.
Marli Gonçalves, jornalista - - Inquieta e, pior, cansando dessa brincadeira chata que virou a política nacional.
SP, SOS, 2016
"Aquarius" fica de fora do Oscar 2016
Do blog do Políbio Braga
A escolha do brasileiro indicado foi anunciada no início da tarde desta segunda-feira, na Cinemateca Brasileira de São Paulo. O drama "Pequeno Segredo" será o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar 2017 de filme estrangeiro. Dirigido por David Schurmann e ainda inédito nos cinemas brasileiros, o longa desbancou "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, que era favorito à vaga.
O filme “Aquarius” foi autorizado a captar 2,9 milhões de reais via Lei Rouanet durante o governo Dilma e também recebeu 1 milhão de reais do BNDES. O filme foi derrotado em todas as categorias pelas quais concorreu em Cannes e agora também pelo é derrotado pelo público brasileiro. A estreia do filme, no tradicional Cinema Roxy, em Copacabana, Rio de Janeiro, contou com a presença de somente 20 pessoas. O filme ficou conhecido quando seu elenco protagonizou a patética cena de “plaquinhas denunciando o golpe” no tapete vermelho de Cannes e no Festival de Cinema de Gramado.
O filme “Aquarius” foi autorizado a captar 2,9 milhões de reais via Lei Rouanet durante o governo Dilma e também recebeu 1 milhão de reais do BNDES. O filme foi derrotado em todas as categorias pelas quais concorreu em Cannes e agora também pelo é derrotado pelo público brasileiro. A estreia do filme, no tradicional Cinema Roxy, em Copacabana, Rio de Janeiro, contou com a presença de somente 20 pessoas. O filme ficou conhecido quando seu elenco protagonizou a patética cena de “plaquinhas denunciando o golpe” no tapete vermelho de Cannes e no Festival de Cinema de Gramado.
CONSTRANGIMENTO
Abatido, o ex-presidente Lula estava nitidamente constrangido, na cerimônia de posse da ministra Cármen Lúcia. E parecia procurar um buraco para mergulhar quando o ministro Celso de Mello, em vigoroso discurso, criticou governantes que roubam e/ou deixam roubar.
Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
NA PRÁTICA, DILMA FICA INELEGÍVEL POR OITO ANOS
Dilma ficará mesmo inelegível por 8 anos, mas não por deliberação do Supremo Tribunal Federal. No exame de “caso concreto”, uma ação civil pública será suficiente para anular a nomeação da ex-presidente para um cargo público ou o eventual registro de uma candidatura, afirmam ministros do STF ouvidos pela coluna. Juízes aplicam a Constituição, que vincula a perda do cargo à perda de direitos políticos.
ESTÁ ESCRITO
O art. 52 da Constituição, ignorado pelo Senado no julgamento de Dilma, determina inelegibilidade de presidente que sofre impeachment.
Se Dilma quiser se candidatar, a Justiça de 1º grau poderá enquadrá-la na Lei Ficha Limpa, que inabilita gestores públicos condenados.
Cláudio Humberto
ESTÁ ESCRITO
O art. 52 da Constituição, ignorado pelo Senado no julgamento de Dilma, determina inelegibilidade de presidente que sofre impeachment.
Se Dilma quiser se candidatar, a Justiça de 1º grau poderá enquadrá-la na Lei Ficha Limpa, que inabilita gestores públicos condenados.
Cláudio Humberto
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