quinta-feira, 18 de agosto de 2016

LENTO

LENTO
                 
Ernesto chegou à porta, era madrugada, observou em volta e só então apertou a campainha. Ninguém apareceu. Olhou pela janela e não viu nenhum movimento. Bateu palmas, nada. Bateu na madeira, nada. Chamo e nada. Cansado de esperar encostou o litro de uísque na parede, ergueu o vaso e por sorte lá estava a chave reserva. Entrou. Ficou aliviado ao ver que finalmente estava em casa apesar do grande pileque. Nem percebeu quando o vizinho saiu pé por pé nu pela porta dos fundos.

Caricaturas do Sponholz

SPONHOLZ


PROFISSÃO

PROFISSÃO

É pouco depois da hora de almoço. Homem maltrapilho está deitado no banco da praça descansando, todo suado atraindo moscas. Antes de assinalar duas da tarde ele fica em pé e caminha até a esquina. Senta-se na calçada e estende o boné para angariar esmolas. Assim passa o resto do dia. Quando os sinos da catedral batem seis horas ele recoloca o boné na cabeça. Logo surge um Corolla preto, o motorista desce e diz para ele:
-Vamos patrão?

FANTASMA


Faz vinte anos que sou um fantasma. Hoje resolvi visitar meu túmulo, matar saudade da última morada do velho corpo. Encontrei vasos quebrados e intacto ainda um vidro de Nescafé que outrora carregava flores. O reboco se deteriora, porém ainda se lê ‘Ana esteve aqui’, isso escrito com carvão.  Não sei quem é Ana, talvez uma que namorou sobre o meu túmulo. Gramíneas e outras ervas nascem ao redor, uma borboleta amarela pousa e sai rapidamente, pois formigas não dão folga. As letras de bronze que diziam quem eu era foram roubadas. Bem, a verdade é que há anos não recebo visita. Não adianta reclamar do abandono, assim é, o tempo passa, todos morrem e chega o dia em que somos completamente esquecidos.

NAVEGO

Navego...
Nem todo dia as águas estão calmas
Tempestades açoitam a rotina
Então às vezes paro e sonho para me fortalecer
Pois a vida se torna muito pobre quando não há mais sonhos e esperança.

DESPACHADO

DESPACHADO

Um dia tudo passa
A dor
O amor
O choro
O riso
A tristeza
A alegria
No final de tudo
Só resta um corpo inerte
Deitado sobre e cercado de madeira
Pranteado por seus amados
E como praxe da vida que segue
Encaminhado para o esquecimento.