quinta-feira, 23 de junho de 2016

Alexandre Garcia- O Salvador da Pátria

Alunos de Economia da Universidade de Brasília estão fazendo um teste de honestidade entre os universitários. Puseram um balcão de venda de picolé self-service, com um cofrinho para depositar o dinheiro da compra, sem vendedor ou fiscalização. A dois metros, um cartaz alerta que é um teste de honestidade. Ainda assim, 34% dos picolés têm sido roubados. Isso num campus universitário, gerador de luzes, e num meio que é elite intelectual da juventude da capital. Um em cada três estudantes não é honesto, tem sido a conclusão dos promotores do teste. O resultado seria ainda pior se não houvesse aviso nas proximidades. 

Os organizadores devem ter se inspirado na venda de jornais em países civilizados, em que ninguém fica a cuidar: a pessoa leva o jornal e deixa o dinheiro. Ou como no metro de Viena, em que não há obstáculo para embarcar ou desembarcar; apenas o pressuposto de que a pessoa adquiriu a passagem. Isso talvez explique porque tantos corruptos são eleitos: os desonestos por formação, por índole, sentem afinidade em relação a candidatos ficha-suja. 

Não é o caso de serem enganados pela propaganda, porque têm as luzes da universidade. Sei, os partidos não dão opções melhores. Olhem só os que elegemos e estão envolvidos na Lava-Jato. Há os que estão envolvidos e os que ainda serão descobertos. Os partidos parece que não têm escolha; os bons não querem e aí viram candidatos os aventureiros e corruptos. É uma multidão de 35 partidos representados no Congresso, a que vão se somar outros 23 em formação. Sem doutrina, sem ideologia, só com fisiologia e os mesmos princípios demagógicos de salvação nacional, papagaiados no ridículo dos programas eleitorais obrigatórios. 

Na prática, o círculo vicioso é assim: o partido escolhe quem tem mais popularidade - pede ser um jogador de futebol, um sertanejo, um apresentador. Aí, vai atrás de dinheiro para a campanha. As empreiteiras da propina estão prontas para superfaturar sobre empresas estatais e eleger políticos de qualquer partido para defenderem seus interesses no legislativo. Com dinheiro, partidos contratam marqueteiros para enganar o eleitor. 

Eleitos, descobrem-se depois suas falcatruas. O dinheiro abundante também serve para pagar os melhores advogados de porta-de-cadeia e garantir-lhes a impunidade da imunidade. Aí, podem começar a segunda volta do círculo vicioso, arranjando mais dinheiro para se reelegerem e começar tudo de novo. O povo, alienado pelo futebol, os elege e reelege, e paga os impostos que os sustentam e fica sem saúde, educação, segurança, Justiça, e uma infraestrutura recém qualificada pelo Banco Mundial como “deplorável”. - Precisamos de um Salvador da Pátria! - dizem muitos. 

Já ouvi isso e já vi elegerem salvadores. Eleitor de 19 anos, dei meu primeiro voto a um deles, Jânio Quadros. E ainda vi elegerem Fernando Collor e Lula como salvadores. Foram um fiasco. Dutra e Itamar não eram salvadores mas fizeram governo honesto. Itamar Franco chegou a acabar com a inflação, que Lula e Dilma trouxeram de volta. No governo FHC começaram os “direitos humanos” que fizeram a festa da bandidagem e a tragédia da segurança pública. Agora clamamos por um salvador da Pátria. Não precisaríamos se fôssemos 200 milhões de salvadores da Pátria. Sem nos furtarmos de pagar o picolé. 

O inverno da nossa desesperança. Coluna Carlos Brickmann

Eis que, num raro momento de alegria, virtudes e defeitos de nossos políticos se fundem e prometem alguns dias de repouso, a semana com apenas dois dias de trabalho para eles, graças às festas juninas, e a oferta de um certo fôlego para nós. Não deu certo: a política, hoje, só em parte se faz no Congresso. A Polícia Federal também a faz: prendeu quatro empresários de farto sobrenome, ligados ao avião de Campos que caiu durante a campanha e suspeitos de integrar uma organização criminosa, lançou suspeitas sobre outros figurões, inclusive um senador de família tradicional que foi ministro de Dilma, apurou ligações entre a morte do candidato presidencial Eduardo Campos e a colheita de propinas tão fartas quanto os sobrenomes, e envolveu a OAS num repasse de verbas para sabe-se lá o que. De acordo com a Federal, a operação começou com o caso do avião. "Mas agora queremos desarticular toda essa organização. Quem são os envolvidos, o que fizeram e quem foram os beneficiados".

E, aproveitando o finzinho dos dias de trabalho desta semana, Eduardo Cunha mostrou que político ainda pode gerar confusão. Deu entrevista dizendo que não renuncia à Presidência da Câmara (da qual foi afastado); não faz delação premiada, porque não praticou nenhum crime; e não tem motivo para ser cassado. Ponto final. A semana que deu início ao inverno será de repouso para alguns parlamentares e de tensão para os eleitores. 

Como é a ficha dele

Cunha age com habilidade: se renunciar, continua na situação atual, de presidente afastado, e demonstra que tem algo a esconder. Mas já se sabe que é beneficiário de contas na Suíça, já enfrenta multas por movimentação internacional irregular de dinheiro, já tem mulher e filha envolvidas no caso, ambas sujeitas ao juiz Sérgio Moro. É provável que hoje o Supremo Tribunal Federal decida autorizar uma segunda acusação proveniente da Operação Lava Jato - manutenção de contas clandestinas no Exterior com dinheiro de propinas oriundas de negócios com a Petrobras.

Ação dos políticos

Frase do ex-presidente Lula: "Quanto mais me provocarem, mais eu corro o risco de ser candidato em 2018".

E se não provocarem? Vai aposentar-se, como prometeu antes de se candidatar à reeleição, dedicar-se à caça e preparo de coelhos em Los Fubangos - o seu sítio, o que é confirmadamente seu, hoje abandonado em favor de outras propriedades que, embora sejam dele, não são dele? Alguém imagina Lula quietinho numa eleição, oferecendo chá com torradas aos visitantes e, como conselhos, temperança e amor ao próximo?

Ação empresarial

Os fatos como os fatos são: para dar conta do matagal de propinas no Brasil e no Exterior, a Odebrecht comprou um banco no paraíso fiscal de Antigua, na América Central. O Meinl Bank Antigua, que antes tinha sido a base off-shore de um antigo banco austríaco, chegou a controlar 42 contas no Exterior, administrando entradas e saídas de fundos secretos - um pouco mais de US$ 130 milhões, ao mesmo tempo.

Ação prática

Por mais precisas que sejam, as delações jamais terminam: sempre sobra uma peninha (que, nas palavras do ministro Teori Zavascki, quando são puxadas revelam mais uma galinha), O mercado está na expectativa de novas revelações de Sérgio Machado sobre pedras preciosas na lavagem de dinheiro. São muito práticas: substituem milhares de dólares e são difíceis de monitorar. Há quem diga que boa parte do ótimo relacionamento dos governos petistas com Angola envolve diamantes, e com um toque religioso que aparece até no nome das instituições financeiras envolvidas. Delação premiada deve incluir tudo - inclusive temas delicados como esse.

Ação oficial

Ah, as relações sociais do Brasil dilmista com os países pobres, mas amigos, irmãos e cooperativos! Angola, que transformou a filha do seu presidente em mulher mais rica da África, recebeu R$ 14 bilhões; a Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, R$ 11 bilhões. Seguem-se República Dominicana, R$ 8 bilhões; Argentina, R$ 7,8 bilhões; Cuba, R$ 3 bilhões; Peru, R$ 2 bilhões; Moçambique, R$ 1,5 bilhão. No total, incluindo empréstimos menores, R$ 50,5 bilhões - quase um terço do déficit público que inferniza o atual Governo e que foi responsável por boa parte da crise que consumiu o Governo Dilma.

Sem comentários

Diante do bloqueio de vastas verbas oficiais para as vastas viagens de Dilma, grupos petistas estão estudando o crowdfunding - a velha e popular vaquinha. Contenha-se, caro leitor, e não faça comentários engraçadinhos sobre fazer vaquinha para financiar as viagens da presidente afastada.

Chumbo Gordo - www.chumbogordo.com.br
carlos@brickmann.com.br
Twitter: @CarlosBrickmann

PODER SEM PUDOR

TAMANHO É DOCUMENTO
Em 1995, o deputado Nilson Gibson (PE) fez um vigoroso discurso contra a intervenção no Banco Mercantil de Pernambuco, em sessão da Câmara presidida pelo deputado tucano Wilson Campos, pai de Carlos Wilson, que disputara uma eleição muito dura contra Armando Monteiro, dono do banco. Gibson exigiu a reprodução do seu discurso na íntegra, na “Voz do Brasil”, queixando-se dos 30 segundos de praxe. Wilson Campos respondeu:
- A publicação será do tamanho de Vossa Excelência...
O plenário caiu na gargalhada: Gibson tinha 1,60m de altura.

Diário do Poder

Pensando bem

...se até o advogado de Dilma foi flagrado dormindo, enquanto testemunhas petistas repetiam lorotas, imaginem o telespectador.

Da coluna Cláudio Humberto

AÍ NÃO DÁ PARA CONFIAR MESMO- 'Não haverá ajuda financeira do governo para Oi', diz Kassab

Mandamos o nosso para o Haiti, para Cuba- Campanha na internet para baixar preço do feijão faz Temer liberar sua importação

LÁ VAI O NOSSO- Eletrobras terá aporte de R$ 3,5 bilhões, diz governo

Por que não fecham esta bosta?